"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

AME A TI MESMO COMO SE FOSSE O PRÓXIMO.






Por  : Noga Lubicz Sklar


Encontrar a alma gêmea é, hoje em dia, sonho acalentado por muitos, uma promessa de amor, felicidade e harmonia que buscamos sem saber bem como.
Esta busca foi por muitos anos a agulha da minha bússola, na trajetória pela vida. Tive até hoje pelo menos tres "encontros de alma gêmea", que invariavelmente me conduziram à decepção e à dor. Tais fracassos me fizeram deixar esta procura um pouco de lado, ao mesmo tempo em que passei a pesquisar meu próprio centro. Até que finalmente compreendi: quero tanto encontrar a alma gêmea... - "Gêmea de quem?" - passei a perguntar, se nem sei exatamente quem sou!
As almas gêmeas que encontrei no passado eram mesmo bem gêmeas da pessoa que eu era na época, uma pessoa que eu rejeitava, depreciava e, pensando bem, não amava nem um pouco.
Eu olhava no espelho e torcia o nariz: - "Porque tenho que ser esta mulher estranha, acima do peso, problemática e triste?" eu dizia pra mim mesma, esperando que o príncipe encantado viesse me resgatar do pesadelo, me transformando milagrosamente em princesa consorte - doce e linda - de um momento para o outro. Mas o feitiço saia sempre ao contrário e os príncipes é que acabavam se tornando sapos, me humilhando e fazendo com que eu me sentisse mais insignificante do que uma mosca que eles não queriam comer.
Cheguei a pensar que esta estória de alma gêmea não passava de ilusão; hoje acredito que o destino me preservou. Quando encontrar a "Alma", quero que seja gêmea de um Eu que eu possa amar e admirar, tanto ou mais do que acredito poder amar a um companheiro de vida.


Esta descoberta me conduziu a um processo de autotransformação profundo e sem trégua. Eu mantinha como meta uma visão que tive, eu mesma mas outra mulher, leve, flexível, de roupas esvoaçantes e cabelos ao vento, pedalando numa tarde dessas ao lado do meu amor. Aproveitei o luto da solidão, o inverno da alma, pra semear uma quem sabe primavera, perdendo as folhas mortas e podando bem curtinhos os galhos secos daquela árvore deslocada que eu não queria mais ser. Não houve processo terapêutico em que eu recusasse mergulhar, por mais doloroso que fosse; deixei de lado as ilusões, fantasias de futuro, planos indefinidos e buscas milagrosas pra dedicar-me a um cotidiano cinzento de trabalho e luta, de pesquisa e aprendizado. Reaprendi como respirar, como me exercitar, e, principalmente, como alimentar o corpo e a alma. Não houve conhecimento tradicional, educação, dogma ou "verdade absoluta" que eu recusasse analizar e, se fosse preciso, descartar para sempre. Aberta a críticas, aprendi no entanto a estabelecer um limite para os palpites da família e dos amigos: não houve pessoa que eu recusasse deixar para trás, quando abalasse demais minha autoestima em fase de conquista.


Fui abandonando pelo caminho tudo que não me servia mais: excesso de móveis, excesso de roupas, excesso de livros, excesso de quilos, excesso de expectativas. Fui me depurando, cozinhando a mim mesma sob pressão, até chegar ao básico, ao fundamental, à verdadeira essência, esta, certamente, um perfume raro e único: eu mesma.
Não aprendi a gostar de mim: simplesmente, me transformei na mulher que eu já amava em sonhos. Tornei-me uma companhia deliciosa e bela para os momentos de reflexão e relaxamento que me proporciono cotidianamente. 

Minha alma gêmea? Deixo-a solta, a flutuar no tempo e no espaço. Quando a encontrar, saberei gêmea de quem é. E sendo gêmea de um ser humano tão especial, tão escolhido, tão bem amado, será também assim: especial, escolhida, bem-amada, atuante e acolhida neste universo amigável, maravilhoso, harmonioso e rico em que vivemos. E que está bem vivo, pulsando, pleno de alegria, dentro de cada um de nós.



Um comentário:

  1. Oi, Rejane
    Excelente o texto. Faz a gente refletir bastante. Temos que pensar dez vezes antes de usarmos expressões que parecem legais mas são tão perfeitas!Vale esse texto que se segue:
    "Um alguém inteiro
    Nada desse negócio de cara metade, almas gêmeas ou par perfeito em relacionamentos!
    1) Cara metade
    Fazendo uma simples conta é possível sacar que matematicamente isso não funciona. Veja: a soma de duas metades é igual a 1 inteiro e, não a 2 inteiros! E onde já se viu um relacionamento dar certo só com 1 inteiro?
    2) Alma gêmea
    A palavra gêmea me faz pensar em algo muito parecido, quase igual. Tá certo que ter afinidade em um relacionamento pode ser um ponto positivo. Mas, conviver com um “espelho” deve ser um incômodo só. Já pensou ficar enxergando no outro o que você não gosta em si mesmo? Ficaria faltando o complemento, aquela característica bacana e diferente que vemos no outro e, desejamos ser, mas não temos.
    3) Par perfeito
    Se já é perfeito vai precisar do outro pra que? Só se for para ditar o que é certo ou errado! Que porre deve ser conviver com alguém perfeito!
    Boas vindas a todos os inteiros, diferentes e imperfeitos!"
    É isso aí, minha flor. Beijos com muito carinho!

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Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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