"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)

terça-feira, 28 de junho de 2016

O valor do sofrimento



'Alegrar-se é ser capaz de sustentar o infinito.'


O Sofrimento Move a Vida

terça-feira, 17 de maio de 2016

O DIA EM QUE MORRI




Por: - Lígia Guerra -
Estranho? Nem tanto. Se depois de ler esse texto você achar que ainda está vivo, ótimo! Caso contrário, é bom repensar se ainda existe algum sopro de vida aí dentro. Vou contar como tudo aconteceu.
A minha primeira parcela de morte aconteceu quando acreditei que existiam vidas mais importantes e preciosas do que a minha. O mais estranho é que eu chamava isso de humildade. Nunca pensei na possibilidade do auto abandono.
Morri mais um pouquinho no dia em que acreditei em vida ideal, estável, segura e confortável. Passei a não saber lidar com as mudanças. Elas me aterrorizavam.
Depois vieram outras mortes. Recordo-me que comecei a perder gotículas de vida diária, desde que passei a consultar os meus medos ao invés do meu coração. Daí em diante comecei a agonizar mais rápido e a ser possuída por uma sucessão de pequenas mortes.
Morri no dia em que meus lábios disseram, não. Enquanto o meu coração gritava, sim! Morri no dia em que abandonei um projeto pela metade por pura falta de disciplina. Morri no dia em que me entreguei à preguiça. No dia em que decidir ser ignorante, bulímica, cruel, egoísta e desumana comigo mesma. Você pensa que não decide essas coisas? Lamento. Decide sim! Sempre que você troca uma vida saudável por vícios, gulodice, sedentarismo, drogas e alienação intelectual, emocional, espiritual, cultural ou financeira, você está fazendo uma escolha entre viver e morrer.
Morri no dia em que decidi ficar em um relacionamento ruim, apenas para não ficar só. Mais tarde percebi que troquei afeto por comodismo e amor por amargura. Morri outra vez, no dia em que abri mão dos meus sonhos por um suposto amor. Confundi relacionamento com posse e ciúme com zelo.
Morri no dia em que acreditei na crítica de pessoas cruéis. A pior delas? Eu mesma. Morri no dia em que me tornei escrava das minhas indecisões. No dia em que prestei mais atenção às minhas rugas do que aos meus sorrisos. Morri no dia que invejei , fofoquei e difamei. Sequer percebi o quanto havia me tornado uma vampira da felicidade alheia. Morri no dia que acreditei que preço era mais importante do que valor. Morri no dia em que me tornei competitiva e fiquei cega para a beleza da singularidade humana.
Morri no dia em que troquei o hoje pelo amanhã. Quer saber o mais estranho? O amanhã não chegou. Ficou vazio... Sem história, música ou cor. Não morri de causas naturais. Fui assassinada todos os dias. As razões desses abandonos foram uma sucessão de desculpas e equívocos. Mas ainda assim foram decisões.
O mais irônico de tudo isso? As pessoas que vivem bem não tem medo da morte real. As que vivem mal é que padecem desse sofrimento, embora já estejam mortas. É dessas que me despeço.
Assinado,
A Coragem

domingo, 17 de abril de 2016

Eu fui PT





"Eu fui PT
Empunhei bandeira, colei adesivos.
Fiz campanha, fui a comícios, usei broches que eu mesmo comprei.
Sei de cor o jingles das campanhas de Lula
Me irritei com as seguidas derrotas
Gritei fora Collor, fora FHC e até fora Globo
Chamei o plano real de golpe
Falei que o “bolsa escola” era forma do governo comprar voto dos mais pobres.

Eu fui PT por que tinha que ser
Eu sou trabalhador, e não democrata, nem liberal, nem comunista
Então o partido do Trabalhador era o lugar do cara que teve que trabalhar pra pagar a faculdade,  e sabia que teria que continuar trabalhando duro pra comprar sua casa, pra pagar seu carro, pagar suas viagens.

Eu fui PT por ideologia e não fisiologia.
Não ganhei um centavo, não viajei de graça, não estudei de graça,  e nem acho graça nas coisas de graça.
Eu nunca achei golpe o pedido de impeachment de Collor,  nem os diversos pedidos manejados contra Itamar ou FHC.
A constituição atribuiu a representantes eleitos pelo povo a função de processar e julgar o presidente, e eu acho isso extremamente democrático.

Eu fui PT
E no ano de 2002 enviei cartões de Natal aos meus queridos amigos com a frase:
“A Esperança venceu o medo!” Eu estava trabalhando na madrugada daquele natal!

Eu fui PT,
E se as redes sociais existissem naquela época, eu compartilharia textos não de Jean Wyllys, ou Jandira, por que eu li Hélio Bicudo, Cristovam Buarque, Fernando Gabeira, eles não são mais PT

Fui PT até quando deu pra ser. Até o dia que o “T”de trabalhador foi substituído pelo “T”de trapaça, de trambique. Por que não de Traição.

O partido dos trabalhadores se agarrou ao poder, e abraçou Renan, Sarney, Collor e até o Maluf, criou fantasias e contou mentiras, soltou a mão de pessoas honestas e sérias, e foi aí que deixei de ser PT.

Eu deixei de ser PT, e me surpreendo com você
Que contesta o fato de Cunha ser o condutor do impeachment
Mas jamais contestou o fato dele ser um dos elos da aliança entre o governo e o PMDB

Eu deixei de ser PT, e me decepciono com você
Que acusa Temer de ser golpista e bandido,
Mas jamais contestou o fato dele ser, desde o primeiro mandato, o vice presidente escolhido por Dilma

Eu deixei de ser PT, e me assusto com você
Que ao ouvir uma gravação não comenta o conteúdo, simplesmente afirma que escuta foi ilegal.
Que diante de uma delação pautada em provas, limita-se a falar em vazamento seletivo.
Que de frente a evidências de fraude, corrupção e tantos crimes, ataca a imprensa, a polícia e o Juiz.

Eu deixei de ser PT, e me envergonho de você
Que aplaude políticos processados, julgados e condenados que entram de punho erguidos na cadeia como se fossem vencedores e não ladrões
Que afirma que o mensalão não existiu, que não há escândalo da Petrobras, que não é dono do sítio, nem do apartamento.... Que nunca soube de nada.
Que afirma que não há crime em uma prática absolutamente ilícita só por que ela já foi feita por outros.

Eu deixei de ser PT, e me incomodo com você
Que vai as manifestações da CUT cheias de balões, camisetas vermelhas,  e enormes palcos, tendas e militantes pagos, tudo custeado com dinheiro obrigatoriamente sacado dos salários de trabalhadores todos os anos com o nome de imposto sindical.

Eu deixei de ser PT, e não entendo você
Que fala em defesa da democracia, e afirma que pode ser golpe uma decisão de um congresso eleito pelo povo.
Que fala em voto livre, mas aceita a compra parlamentares com cargos e dinheiro

Eu deixei de ser partido, continuo trabalhador... e você?"






Márcio Augusto Costa - Brasília DF 15/03/16

https://www.facebook.com/marcioaugusto.costa/posts/1070615229698079

quinta-feira, 14 de abril de 2016

COMO EU FUJO DE MIM



Por :Irineu Deliberalli

Parece que o Dr. Freud tinha razão, ao afirmar, que todo ser humano tem um lado destrutivo dentro de si, devido à intuição nata, de que a morte sempre vencerá, então eu procuro maneiras constantes de me auto-destruir, fator que vem confirmar em parte esta afirmação.


Com o desenvolvimento da Psicologia, aprendeu-se que o nosso lado sombra, (padrões cristalizados na infância, ou lembranças de outras vidas) tem uma influência bastante grande em nossas histórias de sofrimentos, e está a agir, independente da afirmação instintual do Dr. Freud,em nosso dia-a-dia, mantendo-nos presos a situações, que em grande parte das vezes não conseguimos entender ou enfrentar.


Podemos afirmar com toda segurança, que todo ser humano, tem dentro de si, um enorme arsenal destes padrões, onde nossas necessidades ou expectativas não foram atendidas, e isto tem feito, que fiquemos parados ou até paralisados, diante de vários papéis em nossas vidas, onde não enfrentamos e não resolvemos coisas que são de nossas competências enfrentar e resolver.


Percebam quantas coisas adiamos, quantas coisas deixamos para amanhã, ou o pior, quantas coisas acontecem diante de nossos olhos, onde deveríamos ter atuações seguras e assertivas, mas nos calamos, fugimos, fingimos que não vemos, ou até quando o outro nos coloca sua verdade com harmonia, nós projetamos neste outro, o problema colocado, como se aquilo não fosse nosso, e sim deste outro que está nos mostrando algo que não queremos ver em nós.


Desta maneira, vou vivendo minha vida, sempre atropelando, não entendendo porque as coisas me acontecem, achando que DEUS se esqueceu de mim, que meu anjo da guarda está de férias, que meu guia espiritual ficou de costas, ou que sou um subnitrato qualquer de pó de traque, sem nenhum valor, sem nenhum mérito, me sentindo o azarado, o perseguido pelo azar, o coitadinho; entro então num padrão psico-espiritual horrível, passo toda minha vida a ficar com dó de mim, então permaneço na queixa e em muitos momentos na depressão.


Nisto a vida passa, as oportunidades também, vejo as outras pessoas conseguindo resolver suas vidas ou seus problemas, e neste momento, tenho duas opções, ...o reforço de que sou uma droga de pessoa, do tipo ..."tá vendo, só dá para os outros, eu não consigo mesmo...." e me encho de culpas,. Ou a outra possibilidade é ter inveja das pessoas que conseguem aquilo que eu também queria conseguir para mim.


Mas como vou conseguir o que quero ou preciso, se meu padrão mental não me permite??????


Como conseguir melhoria se fujo de me ver......... Pensem.... o universo é sábio, ele não brinca, ele existe com uma finalidade, e estamos nele, para que está finalidade de concretize. Mas como concretizar esta finalidade se fico parado, se fujo de mim,????????????


Lembram da frase..."conheça a verdade e ela te libertará",? É assim que o universo está agindo comigo, com você, conheça a sua verdade e se liberte, sim, se liberte do medo de saber e ter a você mesmo, de se conhecer.


A solução de qualquer coisa que lhe aflige está em você mesmo, dentro de você, o teu problema, qualquer que seja, a solução está em você, na maneira que pensa, na maneira que age, nas expectativas ou cristalizações que formou em sua mente....Só você pode resolver sua vida, não é DEUS que irá fazê-lo pois lhe foi dado a inteligência para que exercitando-a, encontre o caminho do conhecimento, que nos leva à sabedoria e com sabedoria, resolveremos qualquer coisas, enfrentaremos qualquer desafio, nos livraremos de qualquer situação.


Assim DEUS nos dotou, com uma célula divina, com o mesmo poder dele,... só que por vários motivos sociais, políticos e religiosos, nós estamos presos na culpa, no imobilismo, na não ação, e desta maneira, fugimos de nós mesmos, parece que temos medo de saber a nossa verdade. De conhecer quem somos.


Devido este processo, sofremos as conseqüências de nossas não atitudes, de nossas não ações, perdemos inúmeras oportunidades, pelo nosso imobilismo, por não querermos mudar. Aí vemos vários mestres e nos diz que somos perfeitos, que não temos erros, que temos tudo o que precisamos para sermos felizes e superarmos todas as adversidades, e ficamos mudos diante destas afirmações.


Paralisados, sem ação, sem saber o que fazer com nossas queixas, não querendo assumir a responsabilidade por nossas vidas, esperando sempre que um outro qualquer, venha nos salvar ou nos dizer o que temos que fazer ou como devemos fazer........ simplesmente para não termos que tomar atitudes ou assumirmos responsabilidades sobre nossas vidas, nosso livre-arbítrio, e nos desobrigarmos deste enorme peso, que está em nossos ombros, que são nossas queixas, nossas mágoas, nossos apegos, nossos medos.


Será que não chegou a hora de darmos um basta nesta nossa atitude, e nos tornarmos parceiros dos universo, irmos de encontro ao nosso real, e verdadeiramente descobrirmos aquilo que nosso ego tenta encobrir, e como o ego não tem maturidade, ele nos boicota, tentando nos enganar, pois a única oportunidade de crescimento espiritual que tenho é me conhecer, saber quem eu sou, conhecer e dominar meus sentimentos? Quem de nós domina e conhece seus sentimentos?






ANGÚSTIA, DA MORTE PARA A VIDA.






"A análise permite que a angústia que antes era vista como pânico frente a morte, transforme-se em desejo irremediável pela vida."


"Entre um momento infinito, em que o relógio marca a diferença entre dois segundos, parece que se passa uma vida inteira frente a nossos olhos. A sensação de desamparo, de falta de sentido, de falta de apoio, de que ninguém e nem nada pode retirar nossa alma, nossa mente, nosso corpo, do sofrimento psíquico angustiante que a certeza da morte traz.

Muitos foram os relatos de Hematidrose, o mais conhecido, o que ocorreu com Jesus Cristo. Hematidrose significa suar sangue.

Bom, claro que pouquíssimas pessoas em sua existência irão chegar a este ponto, porém existe algo que ocorre em nossa existência. Em algum momento de nossas vidas parece que nossos sonhos vão se desmoronando, as coisas deixam de se encaixar, uma doença, uma perda de alguém querido, um momento mais complicado em nossas vidas, bom, de qualquer forma, em algum momento muitos de nós irão passar pelo que a psicanálise conhece como angústia.

Freud fez um tratado diferenciando a Angústia do Medo, da Fobia, do Pânico. Hoje a psiquiatria traz outro nome, dando ênfase no sintoma e não na constituição do fenômeno.

Na bibliografia médica mais atual, os quadros de angústia são conhecidos como Transtorno de Ansiedade Generalizada. A mente não para de mentir para nós, e por mais verdades que ela diga, continuamos tentando nos enganar com o que acreditávamos, e não com o que a mente traz como novidade.

Para quem não passou por este estado conscientemente (Lacan em "Complexos Familiares" diz que todos passamos por isso no nascimento) podemos comparar a situação da angústia como uma pessoa que está nadando na praia. De repente, sem mais nem menos, a pessoa perde o chão, não alcança mais a areia sobre seus pés e aos poucos se percebe sendo arrastada pela correnteza. As ondas batem cada vez mais fortes, por mais que se tente nadar não se consegue sequer subir a tona para respirar. A respiração a cada onda que passa, deixa de ser controlada pela pessoa, ao contrário, a sensação é de que o mar tomou posse de toda nossa liberdade, nos restando apenas o medo, o pânico, a certeza de que dependemos na verdade de algo além de nossas forças, além de nossa capacidade, até mesmo para respirar.

Lutar contra a maré nos cansa cada vez mais, até que vamos como que desistindo de lutar, mas mesmo assim, isso não quer dizer que desistimos da vida. No meio do mar, sem tocar o chão, sem amparo algum, sem nada, absolutamente nada para que pudéssemos nos agarrar e assim conseguir respirar, apenas nos entregamos às ondas, clamando misericórdia e que a morte chegue o mais rápido possível. Mais uma vez, clamar pela morte não significa desistir e tentar suicídio, significa apenas que não estamos mais conseguindo fazer absolutamente nada por vontade própria e que de alguma forma, outra coisa tomou conta de nós, a certeza da morte.

Pode parecer assustador esta descrição comparativa do que é uma sensação de angústia, acreditem, é muito pior, pois tudo isso parece acontecer a cada segundo, a cada respiração, a cada batida de coração. É como se estivéssemos em em constante estado de Pânico, em constante estado de alerta, e quando passamos pelos exames clínicos, bateria de exames de sangue, dosagem de lítio, entre muitos outros exames, não se encontra nada de errado no corpo. O corpo está na verdade possuído, verdadeiramente por alguma coisa, mas não necessariamente uma coisa ruim, embora o sentimento seja este.

No começo do texto disse que era uma tentativa de nossa mente dizer-nos algumas verdades, por exemplo, que por mais que tentemos ser magros, belos, jovens, honestos, trabalhadores, a vida pode acabar num segundo e que nós não temos TODO o controle. A sensação é que o único controle TALVEZ seria o do momento da morte, de findar o sofrimento.

A Angústia descrita por Freud e por Lacan diz de uma outra coisa que não da morte e do desejo pela morte, ou da tentativa de suicídio. Diz, ao contrário da vida, do desejo pela vida, por uma nova vida, diferente da que a pessoa está levando e que, de alguma forma, o homem velho tem que perecer. É como se em determinado momento, a existência dissesse:

- Pronto, já viveu como você achou que deveria, agora, está na hora de ser você, de ser feliz.

O processo entre o "achar ser o que se deve ser" e o "ser" de fato o que se é, é complicado, doloroso, leva tempo, mas depois de toda tempestade vem a calmaria, e porque não pensar em paz?

Quem está vivendo este estado, não quer ser feliz, não quer nada além de paz, de fim, de uma outra coisa que não o sofrimento. Acreditem, só quem passou por isso sabe que qualquer coisa, até mesmo a aniquilação total é melhor que continuar assim.

Aniquilação, é esta a sensação que se tem. Parece que nossa cabeça vai derreter, o corpo não responde mais às nossas vontades. Ir ao cinema, a um velório, a um circo, trabalho, férias, tudo passa a ser mais e mais do mesmo. As coisas perdem verdadeiramente o sentido que tinham até então. A pessoa perde o gosto por aquilo que antes era-lhe extremamente prazeroso. A comida para de alimentar e passa a ser apenas algo entrando pela boca e deixando uma marca ruim ali no estômago, uma sensação de nutrição, de algum prazer que outrora existia, passou a ser a sensação de adiar o inevitável, apenas isso.

O amparo e o apoio dos familiares neste processo, principalmente a busca por um psicólogo / psicanalista de confiança é de suma importância. A família deve estar lá presente e suportar o sem sentido do desanimo, do cansaço, das falas desconexas. O analista vai estar lá para ouvir estas falas e aos poucos permitir a emergência daquele outro que quer nascer, que está já pronto para a vida e que não consegue mais esperar as mentirar que criamos para responder ao social.

Aos poucos como um parto, o trabalho analítico vai permitindo que o sujeito do desejo possa emergir e com isso, uma postura ética frente a seus desejos, seus atos, suas vontades. A pessoa em análise vai descobrindo e remontando sua história, dando novos sentidos, na verdade recobrando o sentido original que as coisas tinha, e deixando os sentidos criados até então de lado.

A análise permite às pessoas a encontrarem-se com tudo aquilo que antes lhes eram "boas" e que agora passaram a ser sinônimos de mal-estar. A análise permite ao sujeito ter esta oportunidade de surgir e de aparecer em um ambiente fictício (como diria Lacan), em uma experiência fabricada e não natural, pois não é uma experiência que a vida permite acontecer naturalmente. Não dizemos de um ambiente controlado, mas dizemos de uma regularidade que o horário, o tempo, o custo, o analista e o local, permitem que a pessoa tenha um espaço para aos poucos ir se reorganizando em sua vida e ali dentro, olhar para todo o caos, para todo o "non-sense" e simplesmente apreciar, admirar e até mesmo sorrir frente a tudo isso, mas desta vez, em paz.

A análise permite que a angústia que antes era vista como pânico frente a morte, transforme-se em desejo irremediável pela vida."

Autor:MARCO LEITE

QUAL O MELHOR CAMINHO?







Em alguns momentos da vida ficamos perdidos, sem saber muito bem qual o melhor caminho a ser seguido. Os caminhos a serem tomados são muitos e nem sempre conseguimos ter certeza que o rumo que pretendemos é o mais indicado. Por mais que evitamos, os pensamentos negativos surgem em nossa mente, o medo toma conta, a insegurança persiste, as dúvidas nos consome e nos sentimos literalmente perdidos.

Claro que quem convive com nós nem sempre percebe esse turbilhão em que se encontram nossos pensamentos. São dúvidas, medos, incertezas e desejamos ter uma bola de cristal, ou um grande mestre que nos diga qual é a direção correta que nos impeça de nos machucarmos mais uma vez.


E essa é uma das indicações que devemos respeitar: os erros cometidos até o momento, a experiência vivida que trouxe sofrimento.

Algumas pessoas insistem em ignorar seu histórico de vida, os sinais dados pelo Universo, os padrões que inconscientemente repetimos, os sintomas e dores que nossa mente transmite através de nosso corpo e que insistimos em ignorar. O próprio peso alterado também é um sinal, um sintoma de que algo não vai bem.

Apesar de muitas pessoas considerarem uma causa, muitas vezes na verdade é mais um sintoma dizendo que algo dentro de você não está bem, que está havendo um desequilíbrio, algum conflito não identificado e que está se refletindo em seu corpo.

Mas, por onde começar a descobrir se estamos ou não no caminho certo? Primeira pergunta: "você se sente feliz, em paz consigo mesma?" Pense sobre isso. Talvez responda que não está em paz pelo fato de estar acima do peso desejado. Mas, será que é esse mesmo o real motivo? Já pensou o que te levou a comer mais? O que estava acontecendo em sua vida nessa época?

Alguns lutam contra o excesso de peso desde a infância. Outros nem se lembram como tudo começou. Independente da época em que começou é possível saber como se sente hoje. O que gostaria de mudar em sua vida? O que a impede de fazer alguma mudança para que consiga ter paz e viver em harmonia? São perguntas nem sempre fáceis de serem respondidas, mas com paciência você poderá respondê-las e descobrir um pouco mais sobre si mesma.

Autoconhecimento é palavra chave para saber para onde ir, qual caminho seguir. Procure ficar mais atenta aos seus comportamentos, suas reações aos comportamentos dos outros, identificando seus sentimentos, sem negar ou fugir. Você já reparou se está repetindo alguns padrões.

Análise seu histórico de vida, poderá descobrir muita coisa a seu respeito e que poderá ajudá-la a saber se o caminho que escolheu é o melhor para si mesma. E caso não seja, poderá mudar de caminho.

Lembre-se que a vida é evolução, troca, e, se nos mantivermos parados, estagnados, resistindo às mudanças, não estaremos em harmonia com a própria natureza, que se modifica a cada momento.

Se não está feliz provavelmente não está vivendo de acordo com sua verdade. O ânimo, o entusiasmo, a alegria e paz são resultado da verdade interior. Quando esses estados estão ausentes, é sinal que está ausente a verdade.

Se continuar dependendo da aprovação e reconhecimento dos outros, vivendo segundo critérios dos outros, com o intuito, ainda que inconsciente, de ser aceita, estará cada vez mais distante de quem você é e se sentirá cada vez mais insatisfeita por mais conquistas que possa estar obtendo.

Uma das nossas grandes tarefas é superarmos a dependência em relação à opinião das outras pessoas. Quantas vezes você não se agride, não se respeita, para tentar agradar? E parece que quanto mais você tenta menos consegue. Isso acontece porque está permitindo que qualquer outra pessoa seja mais importante que você e quando mais precisa saber exatamente o que quer, sente-se perdida, sem saber qual caminho seguir.

Aproxime-se de si mesma, de seus sentimentos, desejos, sonhos. Assuma a responsabilidade por suas escolhas e, principalmente, por sua felicidade. Analise os caminhos que escolheu durante sua vida e o que aprendeu em cada um deles. Em cada um deles reconheça os erros e valorize as conquistas.

Essa experiência passada será muito importante para escolher seu próximo caminho, evitando assim, repetir os mesmo erros. E escolhendo trilhar um novo caminho, onde estará mais próxima do que realmente deseja. Estará mais consciente de quem você é e daquilo que verdadeiramente quer encontrar. E, se ainda assim não se sentir feliz, permita-se mudar de caminho quantas vezes for necessário, até que encontre paz e harmonia entre sua verdade e a realidade.



sexta-feira, 25 de março de 2016

O potencial oculto do lado escuro da natureza humana.



"Ah, se fosse assim tão simples! Se houvesse pessoas más em um lugar, insidiosamente 
cometendo más ações, e se nos bastasse separá-las do resto de nós e destruí-las.

 Mas a linha que divide o bem do mal atravessa o coração de todo ser humano. 

E quem se disporia a destruir uma parte do seu próprio coração? "



AO ENCONTRO DA SOMBRA

"Peça para um amigo lhe descrever o tipo de personalidade que ele acha mais desprezível,
mais insuportável, mais odiosa e de convívio mais impossível; ele descreverá as suas próprias
características reprimidas — uma auto descrição que é absolutamente inconsciente e
que,portanto, sempre o tortura quando ele recebe seu efeito de uma outra pessoa. Essas
mesmas qualidades são tão inaceitáveis para ele precisamente porque elas representam o seu
próprio lado reprimido; só achamos impossível aceitar nos outros aquilo que não conseguimos
aceitar em nós mesmos. Qualidades negativas que não nos incomodam de modo tão intenso ou
que achamos relativamente fácil perdoar — se é que precisamos perdoá-las — em geral não
pertencem à nossa sombra.
A sombra é a experiência arquetípica do "outro", aquele que, por ser-nos estranho, é
sempre suspeito. A sombra é o impulso arquetípico de buscar o bode expiatório, de buscar
alguém para censurar e atacar a fim de nos vingarmos e nos justificarmos;ela é a experiência arquetípica do inimigo, a experiência da culpabilidade que sempre recai
sobre o outro, pois estamos sob a ilusão de que conhecemos a nós mesmos e já trabalhamos
adequadamente nossos próprios problemas. Em outras palavras, na medida em que é preciso
que eu seja bom e justo, ele, ela ou eles tornam-se os receptáculos de todo o mal que deixo de
reconhecer dentro de mim mesmo."


“Cada ser é uma flor a desabrochar sob a luz da consciência do outro” 
(Paule Salomon)

SILENCIAR SENTIMENTOS PODE COLOCAR A SAÚDE EM RISCO






Quantas coisas reprimimos diariamente? Guardamos sentimentos como quem esconde um tesouro roubado, no entanto, não roubamos sentimentos, portanto, não faz sentido escondê-los de uma forma tão dura assim. Não é mesmo?


“Você pode se enganar e enganar muitas pessoas fazendo o papel de bonzinho, de coitadinho ou contar mentiras para não ferir essa ou aquela pessoa. Você pode esconder tudo de todo mundo, mas o seu corpo sente e reage as agressões que você tem cometido contra ele.


Se você continua naquele relacionamento que não suporta mais, naquela rotina que tira a sua alegria, naquela sociedade que já se desgastou, naquele emprego que rouba o seu prazer, ou naquela amizade mais falsa que nota de R$ 60,00, o seu corpo vai sentir essas emoções e como uma bateria, vai carregar e armazenar esses sentimentos, até que um dia vai explodir como bomba atômica.


Desde muito pequeno, vamos sendo castrados em nossos sentimentos e emoções e quando podemos tomar nossas próprias decisões, em nome de “convenções da sociedade”, seguramos nossa raiva, nossa indignação, não abraçamos nossos amigos, não beijamos mais por uma vergonha besta e ridícula. A menina não abraça a menina por ter medo de ser chamada de “sapatão”, o menino não abraça o menino com medo de ser chamado de “bicha” e os homossexuais, escondem seus sentimentos com medo de serem rechaçados pela família e pela “comunidade”.


Assim, vamos armazenando sentimentos que precisam sair de alguma forma, e normalmente, todas as emoções se traduzem em raiva e/ou tristeza, uma sombra que se esconde por trás de sua aparente figura. Quanto mais tempo você sofrer calado, mais doente vai ficar…” – Paulo Roberto Gaefke


É, de fato, no final das contas, o maior prejudicado é você!


1. O MEIO-TERMO ENTRE A NECESSIDADE DA FALA E O SILÊNCIO


Sabemos que o silêncio é sábio, e é sempre bom pensar antes de falar, afinal, ante algumas palavras ignorantes, ante um comentário fora do lugar ou ante uma expressão inadequada, optemos sempre por fechar a boca e agir com mais inteligência do que aquele que fala sem pensar.


Mas devemos encontrar um equilíbrio entre o silêncio e defesa de nossas necessidades:


Silenciar nossos sentimentos ou nossos pensamentos deixa que, a pessoa que está na nossa frente, não saiba que está nos machucando, ou que está ultrapassando alguns limites. Ninguém consegue adivinhar o pensamento dos outros, por isso se não dizermos aquilo que nos faz mal ou que nos ofende, as outras pessoas não o saberão.
Existem silêncios sábios e palavras sábias. Saber quando se calar e quando falar é, possivelmente, a melhor habilidade que podemos aprender a desenvolver. Não se trata, de modo algum, de estar sempre caldo ou de dizer aquilo que temos em mente. Os extremos nunca são bons. Mantenha o equilíbrio, mas lembre-se sempre que esconder os sentimentos pode nos machucar. Você permite que outros invadam seu espaço pessoal, que atravessem os limites e que falem por você ou que escolham por você. No final, você será quase uma marionete guiada por fios alheios.


2. AS PALAVRAS SILENCIADAS CONVERTEM-SE EM DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS


Você não ficará surpreso em saber que a mente e o corpo estão intimamente relacionados e conectados. A conexão é tão grande que os especialistas advertem que quase 40% da população sofre ou sofreu em sua vida com alguma doença psicossomática.


O nervosismo, por exemplo, altera nossas digestões, causa diarreias ou a clássica dor de cabeça. Muitos herpes labiais são desencadeados por processos de estresse elevados, de nervosismo e febre. Logo, ficar calado todos os dias e internalizar o que sentimos e o que pensamos gera em nosso organismo uma alta carga de ansiedade.


Pense em todas aquelas palavras que não deseja dizer aos seus pais ou aos seus amigos para não ferir seus sentimentos. Eles fazem as coisas por você pensando que estão ajudando, quando na verdade não estão contribuindo. Por que você não conta a verdade?


Tudo isso, no final, irá originar doenças psicossomáticas, enxaquecas, pressão alta, cansaço crônico.


3. DIZER EM VOZ ALTA SUAS PALAVRAS: A CHAVE DO DESABAFO EMOCIONAL


Não tenha medo de escutar sua própria voz, e muito menos que os outros também o façam. É algo tão necessário como respirar, como comer, dormir. A comunicação emocional é ideal para o nosso dia a dia, para estabelecer relações mais saudáveis com os demais e, logicamente, com nós mesmos.


AQUI VÃO ALGUMAS DICAS BÁSICAS PARA OBTER SUCESSO:


– Pense que tudo tem um limite. Se não dizermos em voz alta tudo aquilo que pensamos e sentimos, não estaremos atuando com dignidade, perderemos nossa autoestima e o controle de nossa vida. Primeiramente, tome consciência de que dizer o que está pensando e precisando é um direito.
– Dizer o que você pensa não é causar danos a ninguém. Significa se defender e, por sua vez, informar aos demais de uma realidade que deveriam conhecer.

–Não fique preocupado com a reação das outras pessoas, não tenha medo. Porém, se você se preocupa muito com o que pode acontecer, pode se preparar ante as possíveis reações. Um exemplo: está cansado do fato de que seus pais apareçam em sua casa todos os finais de semana e que não está tendo relações com seu companheiro. De que maneira você acredita que irão reagir? Se você acredita que eles irão ficar chateados, prepare-se para justificar que não existe razão para magoas. Caso você pense que eles ficarão machucados, prepare também o modo como irá argumentar, para não feri-los.


Pense que as palavras, dizer em voz alta aquilo que sentimos e pensamos é, na verdade, o melhor modo de liberação emocional que existe. Pratique-o com sabedoria, cuide de si mesmo.


sábado, 19 de março de 2016

Psicoterapia: o difícil encontro consigo mesmo



“Aqueles que não aprendem nada sobre os fatos desagradáveis da sua vida forçam a consciência cósmica a repeti-los tantas vezes quanto seja necessário, para que aprendam o que lhes ensina o drama do que aconteceu. O que você nega o submete. O que você aceita o transforma”.
-C.G.Jung-



Não é fácil admitir que precisamos de ajuda. Percorremos um longo caminho, sofremos muito e chegamos ao limite das nossas forças. Quando percebemos que não gostamos do tipo de vida que estamos vivendo, estamos insatisfeitos, perdidos e sem saber o que fazer. Nestes casos, a psicoterapia pode ser de grande ajuda.

A psicoterapia é uma boa opção para nos situarmos e reencontrarmos a nossa identidade.
A psicoterapia nos mostra muitas alternativas e uma maior compreensão de tudo o que estamos experimentando em nossa vida.
Resistência para enfrentar as emoções

Muitas vezes, evitamos uma determinada situação por muito tempo, simplesmente para nos proteger. Pensamos em outras coisas e nos desconectamos de nós mesmos.


Um exemplo disso são as pessoas que, após o término de um relacionamento, começam outro imediatamente. Não refletem sobre o que aconteceu, não vivenciam a perda, ignoram a dor e o aprendizado que essa situação pode oferecer.

Essa forma de agir nos leva a rejeitar uma situação que requer introspecção e reflexão para que não continuemos a cometer os mesmos erros. No entanto, esse é um processo muito difícil, requer persistência e muitas vezes ajuda profissional.


Quando uma pessoa não se permite reconhecer o estado em que se encontra e se envolve com outras coisas para não pensar na sua situação, ela toma essa decisão por causa dos seus medos. Ela está sem condições psicológicas de enfrentar essa experiência, e foge para se proteger da dor.

Inevitavelmente vai acabar se perdendo; a fuga traz um alívio temporário. Ela perdeu a oportunidade de observar seus medos, conhecer suas limitações, obter um maior conhecimento sobre si mesmo, amadurecer e se tornar uma pessoa melhor.

Esse alívio temporário tem suas consequências e não podemos sustentá-lo por muito tempo. Se não enfrentarmos a situação, nos sentiremos confusos, perdidos e sem condições de seguir em frente.

Aprendemos os recursos para seguir em frente nas diferentes experiências que vivemos. Se não enfrentarmos as situações, perdemos a oportunidade de aprender como lidar com elas.



A psicoterapia nos ajuda a nos reencontrarmos


Um psicólogo pode nos ajudar nesse tipo de situação onde faltam recursos para enfrentar as situações que se repetem, para enfrentar a dor e o mal-estar. Nossa vida tomou um rumo onde não encontramos a saída.


Todas as respostas estão dentro de você. Com esforço e ousadia, caminhe em direção à solução dos problemas e perceba que você é responsável por aquilo que vive e como vive.



Cada pessoa tem o seu o seu próprio processo, com um tempo e ritmo diferentes. No entanto, o importante é começar a construir esse processo, reencontrar a nós mesmos,aprender o que não aprendemos no momento em que tudo aconteceu e adquirir os recursos que nos darão força para viver nossas experiências.

Dessa forma, entenderemos que é necessário enfrentar o que nos entristece, o que nos desanima, apaga nossa alegria e nos enche de amargura. É preciso mastigar para digerir e assimilar. Assim, estaremos nos preparando para “viver”.

“Eu percebo que se fosse estável, prudente e estático, viveria na morte. Portanto, aceito a confusão, a incerteza, o medo e os altos e baixos emocionais, porque esse é o preço que estou disposto a pagar por uma vida fluida, rica e excitante”.
-Carl Rogers-



sexta-feira, 11 de março de 2016

Você não é perfeito? Que bom!!!

Você não é perfeito? Que bom! 
Vídeo de Flavio Siqueira

segunda-feira, 7 de março de 2016

Harmonia



 Texto de Marla de Queiroz 



São delicados e sutis os fios da harmonia. Ao contrário da alegria, do entusiasmo, ela é uma das sensações mais discretas. Sua voz é quase imperceptível, feito outra qualidade de silêncio. Ela não é uma gargalhada, é aquele sorriso por dentro, uma sensação gostosa de estar no lugar certo, na hora adequada. Feito um arco-íris depois da tempestade, sua beleza é adornada pelo equilíbrio dentro do derramamento. É um adestramento dos fantasmas internos. A possibilidade de aprimorar os pensamentos. É quase como não pensar. Simplesmente, sentimos uma ligação profunda com tudo, um denso bem-estar. Como se tivéssemos uma secreta intimidade com o mundo, certa cumplicidade com o tempo. É como se observássemos descompromissados, ela é uma descontração. Como se o coração batesse pelo corpo todo, mas sem extremada euforia. Uma tranqüilidade dilatada no peito, o olhar satisfeito, a mente entendendo que já nem precisa entender o que é prosa ou poesia. E o mundo inteiro cabendo num abraço. E uma firmeza na carícia, a maturidade que perdeu o cansaço, uma confiança que preenche a existência. A harmonia é um contato profundo com a experiência. E o tempo do dia não é mais composto por esperas, ele é vivido. E já não se fala, palavras passeiam pela boca. E já não se escreve, as frases coreografam as paisagens. E já não se ama, o amor vigora em nós. A harmonia tem fios muito delicados e sua trama faz a ligação mais suave entre todas as urgências já sentidas. E o chão do sonho é macio, e tudo parece estar alinhavado, numa ligação sem sufocamentos. E a poesia não deseja mais ser nada, vira o afago de um momento. E nas letras a textura de um veludo, como se ao correr pela página, os olhos pudessem ser acariciados. E você tem todas as coisas sem precisar tomar posse delas. Você ama o amor, não o delírio de estar apaixonado. Sinto a harmonia como uma espécie de fascínio pela vida. É quase uma perda de outros apetites, porque se está tão nutrido pela própria companhia. E a gente tem aquela vontade súbita de andar pela noite: não apenas para olhar as estrelas, mas também para por elas sermos vistos.

Harmonia é como se fôssemos inundados pelo mar onde antes só havia um precipício.


quarta-feira, 2 de março de 2016

As pessoas que gostam de ficar sozinhas e o mundo






Por: Liliane Prata

Do Blog :http://www.lilianeprata.com.br/


Uns dez anos atrás, um amigo muito querido me disse que eu poderia viver tranquilamente numa caixa.

Estávamos conversando sobre solidão e ele disse que eu parecia gostar mais de viver sozinha do que com os outros. De fato, se penso nos momentos da minha vida em que me sinto mais feliz, mais plena, vou achar muitos instantes solitários. Talvez a maior parte da minha lista de prazeres pertença a esse grupo. Amo dirigir à noite por São Paulo; se tem algo que me deixa feliz é voltar da faculdade dirigindo sozinha e ouvindo música no carro. Me sinto tão bem quando como um doce, trabalho em casa há dois anos e passo o dia todo só e quase sempre me sentindo muito bem. Adoro ficar deitada lendo, amo ficar sozinha em casa escrevendo, vivo indo sozinha ao cinema, a um café.

Por causa da frase do meu amigo, fiquei com essa pulga atrás da orelha: eu, que sempre me considerei sociável, era na verdade uma eremita, para usar a palavra de uma amiga sobre mim? Ou: eu estou mais para gato do que para cachorro, para usar o termo de uma outra amiga?

O que nem eu nem meus amigos tínhamos pensado é que nós, as pessoas que gostam de ficar sozinhas, nunca estamos sós. Porque, mesmo quando não estamos com os outros, estamos interagindo com o mundo. E é isso que me dá prazer. Dirigir por São Paulo à noite num carro que comprei na concessionária, obedecendo às regras do trânsito, passando pelas pessoas na rua. Comendo um doce que alguém fez, trabalhando em casa usando msn e twitter, ouvindo música que outras pessoas produziram, entrevistando pessoas, lendo livros que outras pessoas escreveram, escrevendo e gostando de ser lida, vendo filmes e tomando cafés que as pessoas fizeram, esbarrando com pessoas na rua.

Mesmo nós, as pessoas que se dão bem com a solidão, estamos com as pessoas o tempo todo, e como isso é bom. Não sei se vocês viram aquele filme Eu sou a Lenda, com o Will Smith. Eu nunca gostei muito de ficção científica, com algumas exceções – a mais notória delas talvez seja O exterminador do Futuro. Mas meu marido veio com esse filme em casa e me pediu para assistir 10 minutos com ele, e acabei não conseguindo parar de ver. Como fiquei impressionada com a terrível solidão do protagonista! Tive pesadelos com aquele filme, que me atrapalhou até a dirigir por um tempo, porque a todo momento eu ficava imaginando zumbis pulando no meu carro, haha.

Mas o que me motivou a escrever este post não foi a lembrança do diálogo com meu amigo, mas a leitura de uma entrevista com um médico que afirmava que há muito mais pessoas em coma e com a consciência funcionando do que a gente pensa. Porque estão estáveis no coma, esses pacientes não são mais submetidos a exames neurológicos – mas vários deles despertaram depois de alguns meses ou anos e estão lá, pensando normalmente, mas fechados em si mesmos, trancados. Num estado ainda mais dramático do que o do protagonista do filme O Escafandro e a Borboleta (história real baseada num editor da Elle francesa, assistiram?), essas pessoas não interagem com o mundo exterior nem com os olhos nem com nada: não enxergam, não se movem, algumas nem ouvem. Só pensam. Por cinco, dez, quinze anos. Imaginem que terrível seria viver assim, com o intelecto absolutamente normal, mas separado da maravilha que é interagir com o mundo?

Meu querido amigo estava completamente enganado sobre mim: eu odiaria viver numa caixa. Eu amo o mundo, e acho que todas as pessoas que gostam de ficar sozinhas também. Quem não amaria?










..............................................................

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Maturidade acalma



Maturidade acalma. Traz sossego. Nos livra de melindres.
Gente madura olha nos olhos. Não faz chantagem emocional nem sufoca com suas carências. Gente madura compreende, não cria caso, não age pra atingir nem faz uso de indiretas. Aliás ser maduro é ser direto, objetivo. É respeitar a opinião alheia pois quer que a sua também seja respeitada. É aprender com os erros, ao invés de paralisar com eles. É ouvir mais do que fala e escutar com atenção, pois é assim que procede o aprendizado.
Gente madura ri de si mesma pois sabe que o sorriso é a chave para muitas portas que a vida nos apresenta. Sabe que o bom humor é chique, que gente feliz brilha, sem precisar de Sol. E sabe também que alegria de verdade não se forja, se exercita com as próprias dificuldades da vida.
Gente madura sabe o que é ser feliz. Anda devagar, por que já teve pressa e percebeu que ela não é só inimiga da perfeição. Gente madura sabe que a pressa faz passar despercebido o que realmente nos ilumina o coração.

- Erick Tozzo

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Viver, um eterno aprendizado


Por : Kadu Santoro


Vivemos em uma era onde a informação e a tecnologia, andam de braços dados e a passos largos, buscando a cada dia, “facilitar” a vida de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. A pergunta que fica, é: facilitar a vida em que e para que? Para respondermos essa pergunta, é preciso, antes fazermos algumas reflexões. A primeira análise é de caráter ontológico. O ato de viver e existir é primordial, vem antes de qualquer outra ação, é através desse primeiro ato, que começamos uma longa jornada chamada vida. É através desta jornada que praticamos todas as ações possíveis, e a única ação que não se esgota nessa caminhada, é o aprendizado, como diz a sabedoria popular: “é vivendo e aprendendo”. Quando paramos e pensamos, estamos colocando em prática a ação mental, logo, estamos produzindo aprendizado também.

O grande perigo de todos esses avanços tecnológicos, é acabar sufocando a ação de aprendizado do ser humano. Quanto mais se investe em tecnologia e informação, mais as pessoas vão tender a ficar paralisadas na frente de uma televisão ou computador, totalmente automatizadas, respondendo apenas aos estímulos visuais e auditivos dispensados pelo aparelho transmissor. A corrida desenfreada para acompanhar as inovações tecnológicas, também contribuem muito para o afastamento do aprendizado e raciocínio humanos. Uma criança dos dias de hoje, nasce e já tem o primeiro contato com a tela da televisão, já um pouquinho maior, está ganhando intimidade com a tela do monitor e daí em diante, mais da metade de sua vida será focada naquele mundo virtual, onde a única coisa que não é permitida, é que você pense e faça reflexões, o resto, é só perguntar o que você deseja, e imediatamente, como uma consulta a um oráculo, vem a resposta, aliás, as vezes milhares de possibilidades. Essa seria a primeira análise sobre a questão da atrofia do pensamento e do aprendizado ao longo da vida.

Uma outra questão está relacionada ao aspecto comportamental. Com todo esse avanço tecnológico, o ser humano está ficando cada vez mais solitário, vivendo mais tempo isolado do que em companhia. A tendência é acabar o bate papo nas filas, os encontros nos shoppings e nas feiras, as tardes nos cafés etc. Todas essas coisas faziam parte do contexto vivencial coletivo do homem, dando-lhes a oportunidade de interagir, trocar experiências e até transmitir seus sentimentos, coisa que hoje é superada pela rede virtual.

O ato de viver deve em primeiro lugar, celebrar o que lhe é concedido de mais precioso, a própria vida e sua condição existencial, como dizia o filósofo Sócrates:“Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”, ou seja, quando tomamos conhecimento de que nunca saberemos o suficiente, então passamos a entender o objetivo da jornada chamada vida. Vivemos num processo contínuo de aprendizado, onde as verdades não se encontram no objetivo, e sim no caminho por que é percorrido, independente do tempo que nos é permitido viver.

Quando reduzimos a velocidade e o estresse do dia a dia, passamos a observar todas as coisas ao nosso redor com mais detalhes, se pararmos mais um pouco, passamos a refletir e questionar sobre essas mesmas coisas, logo chegaremos num ponto de compreensão mais amplo dessas mesmas coisas.

Não pretendo com essa linha de raciocínio, retroceder a um estágio primitivo das coisas, pois também acho que a evolução é fundamental e necessária, apenas alerto para a o perigo de uma total dependência desta evolução para viver. O ser humano foi feito para governar e manter todas as coisas, e não para se tornar escravo delas. Hoje em dia, muitas pessoas não sabem mais fazer uma operação matemática sem o uso da calculadora, porém, a calculadora é muito importante a partir do momento em que ela vier a falhar, você saber resolver a operação.

Estamos num processo de constante aprendizado, em tempo e fora de tempo, em todas as ocasiões de nossa vida, estamos tirando alguma lição a todo instante. O mais importante desse aprendizado, ao longo da jornada chamada vida, são os frutos do conhecimento, esses que nos transformam a cada dia, nos tornando mais sensíveis, conscientes, solidários e humanos. Por final, o somatório de todas essas informações, só terá um único objetivo durante a vida, a prática do amor verdadeiro, aquele que está apto e preparado para acolher, consolar, instruir e animar a todos que estiverem cansados, abatidos e desiludidos. Viva de forma intensa, aprendendo e ensinando, sempre com entusiasmo e boa vontade, pois só temos essa oportunidade aqui nessa vida.




*Kadu Santoro é designer gráfico, teólogo e pesquisador brasileiro, residente na cidade do Rio de Janeiro, responsável pela publicação do Jornal Despertar, um informativo teológico e filosófico e do blog jornaldespertar.blogspot.com

domingo, 31 de janeiro de 2016

Vida perfeita só no facebook






"E se alguém inventasse uma rede antissocial?
Isso, um cantinho da internet em que só valeria postar a vida como ela é.
Mas, tudo bem, ninguém precisa transformar sua timeline num mural das lamentações. Só não faria mal dar um check-in no mundo real de vez em quando. Nem que seja para lembrar que o Face é ficção, e que comparar seu dia com o post alheio é covardia. O inferno não são os outros. O inferno é acreditar que os outros estão se divertindo mais do que você.
Como lembra a reportagem “Vida perfeita só existe no Facebook”, citando o inesperado guru e filósofo iluminista Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes do que os outros. O que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

Fernando Luna, diretor editorial.





Leia aqui a matéria: Vida perfeita só no facebook



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

QUANDO A EDUCAÇÃO DÓI: MÃES TÓXICAS




"Neste artigo iremos falar sobre as mães tóxicas. No entanto, é bom lembrar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isso, entregues ao mundo no futuro, elas poderão ter sua independência física e emocional bastante prejudicadas.
O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define ovínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.
As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?

Por mais que soe estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.
O fator preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade o fazem em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer sua personalidade e desenvolver sua autoestima. Tudo isso vai deixar grandes lacunas nos filhos, grandes inseguranças que, por vezes, se tornam intransponíveis.

Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

1. Personalidade insegura

Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver em seus filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir suas deficiências.
Quando notam que as crianças estão se tornando independentes e capazes de construir suas próprias vidas, elas sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para continuar mantendo-as por perto, projetando nelas, desde o início, sua própria falta de autoestima, suas próprias inseguranças.

2. Obsessão pelo controle

Essas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos de suas vidas e passam a tentar fazer o mesmo na vida de seus filhos. Elas não conseguem respeitar os limites.Para elas, controle é sinônimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.
A parte complicada desta situação é que muitas vezes elas exercem esse controle pensando estarem fazendo o bem, demonstrando amor.
“Eu vou fazer a sua vida mais fácil, controlar suas coisas para fazer você feliz”
“Eu só quero o que é melhor para você e assim você não precisa errar”
O controle é o pior ato de superproteção. Com ele você evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que elas aprendam com seus erros.

3. A projeção dos desejos não realizados

“Quero que você tenha o que eu não tive”, “Não quero que cometa os mesmos erros que eu”, “Quero que você se torne o que eu não consegui me tornar”.
Às vezes, as mães tóxicas projetam em seus filhos os desejos não realizados de seus próprios passados, sem se perguntarem se é isso o que os seus filhos desejam, sem dar-lhes a opção de escolher. Pensam que assim estão mostrando um amor incondicional, quando, na realidade, demonstram um falso amor. Um interesse amoroso.

Como lidar com uma mãe “tóxica”?

Esteja consciente de que você tem que quebrar o ciclo de toxicidade. Você tem vivido muito tempo nele, sabe as feridas que isso lhe causou. Mas agora entenda que você precisa abrir as suas asas para ser você mesmo. Para ser feliz. Será difícil, mas você deve começar a dizer “não” para colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.
Trata-se da sua mãe, e quebrar esse ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que você permite e o que não permite. Você não quer causar nenhum dano, mas também não quer mais sofrer; isso deve estar bem claro em sua mente.
Reconheça a manipulação; às vezes, ela é tão sutil que não nos damos conta, pois ela pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caia na “vitimização” delas, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Elas se mostram como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido é você. Sempre mantenha isso em mente."


Ler mais: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/quando-a-educacao-doi-maes-toxicas/#ixzz3vcDepiGX





Mães e filhas


Mães e filhas: o vínculo que cura, o vínculo que fere


Cada filha leva consigo a sua mãe. É um vínculo eterno do qual nunca poderemos nos desligar. Porque, se algo deve ficar claro, é que sempre teremos algo de nossa mãe.

Para termos saúde e sermos felizes, cada uma de nós deve conhecer de que maneira nossa mãe influenciou nossa história e como continua influenciando. Ela é a que, antes de nascermos, ofereceu nossa primeira experiência de carinho e de sustento. E é através dela que compreendemos o que é ser mulher e como podemos cuidar ou descuidar do nosso corpo.


Nossas células se dividiram e se desenvolveram ao ritmo das batidas do coração; nossa pele, nosso cabelo, coração, pulmões e ossos foram alimentados pelo sangue, sangue que estava cheio de substâncias neuroquímicas formadas como resposta a seus pensamentos, crenças e emoções. Quando sentia medo, ansiedade, nervosismo, ou se sentia muito aborrecida pela gravidez, nosso corpo se inteirou disso; quando se sentia segura, feliz e satisfeita, também notamos.
– Christiane Northrup –



Mães e filhas
O legado que herdamos de nossas mães
“A maior herança de uma mãe para uma filha é ter se curado como mulher”
– Christiane Northrup –

Qualquer mulher, seja ou não seja mãe, leva consigo as consequências da relação que teve com sua progenitora. Se ela transmitiu mensagens positivas sobre seu corpo feminino e sobre a maneira como devemos trabalhá-lo e cuidá-lo, seus ensinamentos sempre irão fazer parte de um guia para a saúde física e emocional.




No entanto, a influência de uma mãe também pode ser problemática quando o papel exercido for tóxico, devido a uma atitude negligenciada, ciumenta, chantagista ou controladora.

Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmas, a nos curarmos, e a sermos capazes de assimilar o que pensamos de nosso corpo ou a explorar o que consideramos possível conseguir na vida.
A atenção materna, um nutriente essencial para toda a vida

Quando uma câmera de TV filma alguém do público em algum evento esportivo ou qualquer outro acontecimento… O que as pessoas costumam gritar? “Oi, mãe!”

Quase todos nós temos a necessidade de sermos vistos por nossas mães, buscamos sua aprovação. Na origem, esta dependência obedece às questões biológicas, pois precisamos delas para subexistir durante muitos anos; no entanto, a necessidade de afeto e de aprovação é forjada desde o primeiro minuto, desde que olhamos nossa mãe para sabermos se estamos fazendo algo certo ou se somos merecedores de uma carícia.



Assim como indica Northrup, o vínculo mãe-filha está estrategicamente desenhado para ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que teremos na vida. No entanto, isso nem sempre acontece assim…

Com o passar dos anos, esta necessidade de aprovação pode se tornar patológica, gerando obrigações emocionais que propiciam que nossa mãe tenha o poder sobre nosso bem-estar durante quase toda a nossa vida.
O fato de que nossa mãe nos reconheça e nos aceite é um sede que temos que saciar, mesmo que tenhamos que sofrer para conseguir isso. Isso supõe uma perda de independência e de liberdade que nos apaga e nos transforma.
Como começar a crescer como mulher e filha?


Não podemos escapar desse vínculo, pois seja ou não saudável, sempre estará ali para observar nosso futuro.



A decisão de crescer implica limpar as feridas emocionais ou qualquer questão que não tenha sido resolvida na primeira metade de nossa vida. Esta transição não é uma tarefa fácil, pois primeiro temos que detectar quais são as partes da relação materna que requerem solução e cicatrização.

Disso depende nosso senso de valor presente e futuro. Isso acontece porque sempre há uma parte de nós que pensa que devemos nos dar em excesso para a nossa família ou para o nosso parceiro para sermos merecedoras de amor.

A maternidade e, inclusive, o amor de mulher continuam sendo sinônimos culturais na mente coletiva. Isso supõe que nossas necessidades sejam sempre relegadas ao cumprimento ou não das dos demais. Como consequência, não nos dedicamos a cultivar nossa mente de mulher, senão a moldá-la ao gosto da sociedade na qual vivemos.

As expectativas do mundo sobre nós podem ser muito cruéis. De fato, eu diria que constituem um verdadeiro veneno que nos obriga a esquecer nossa individualidade.
Estas são as razões que fazem tão necessária a ruptura da cadeia de dor e cicatrização íntegra de nossos vínculos, ou as lembranças que temos deles. Devemos estar cientes de que estes vínculos se tornaram espirituais há muito tempo e, portanto, cabe a nós fazermos as pazes com eles.

Fonte consultada: Mães e filhas de Christiane Northrup

Texto original em espanhol de Raquel Aldana



http://amenteemaravilhosa.com/maes-filhas-vinculo-cura-vinculo-fere/

Visite meu arquivo .

Textos no arquivo :


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector