"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)

Meus Blogs não são atualizados com frequência, mas há muito muito texto legal no arquivo.

Fique á vontade!!



Rejane

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer


Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.


O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.
[Ruth Manus]

terça-feira, 22 de abril de 2014

Invista no poder da gentileza



"A gentileza é uma das qualidades mais divinas, porque o primeiro requisito para ser gentil é abandonar o ego — que nunca é gentil.

O ego é sempre agressivo, não pode ser gentil.

Ele nunca é humilde — é impossível para o ego ser humilde. Todo o seu projeto desmorona se ele for humilde. E gentileza é o caminho para se chegar à existência.

É preciso ser mais como a água do que como a rocha. E lembre-se sempre: no fim, a água é vitoriosa sobre a rocha."

Osho





Por: Rosana Braga



Prepare-se para colher os benefícios!

O que é ser gentil?

Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos (e devamos) ser educados, a gentileza se trata de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.

O que você percebeu com os números da Organização Mundial da Saúde?
Percebi, bastante entristecida, o quanto temos nos colocado numa espécie de armadilha, o quanto temos nos deixado sucumbir pelas ilusões da modernidade, o quanto temos nos perdido de nós mesmos e esquecido de nossa capacidade de agir com o coração e de valorizar aquilo que realmente nos preenche, que realmente nos faz sentir felizes e plenos. Os dados são assustadores e delicadíssimos, uma vez que a depressão tende a ser, até 2020, a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares. Além disso, distúrbios afetivos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar crescem absurdamente, sem falar em síndrome do pânico, TOC, entre outros nomes que se tornam cada vez mais comuns entre as pessoas. Diante da indignação que esses dados me causaram, encontrei mais motivos ainda para investir na gentileza e insistir no fato de que é somente agindo de modo coerente com o que realmente desejamos da vida que poderemos viver de modo mais equilibrado e menos doentio.

Por que esquecemos de ser gentis?

A rotina nos cega, costumo dizer. Pressionados por idéias equivocadas, que nos pressionam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, nos tornamos mais e mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas - mesmo com aquelas que amamos - de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso. É por isso que, a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte e contribuir sim para um mundo melhor. Leonardo Boff tem uma frase maravilhosa que resume bem o que quero dizer: "Não serão nossos gritos a fazer a diferença e sim a força contida em nossas mais delicadas e íntegras ações".

Você diz no livro que ser gentil nada tem a ver com ser bobo e dizer sim a todos?
Exatamente. Ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça. Muito pelo contrário: quanto mais gentil somos com as pessoas, mais gentil somos também com nossa verdade, com nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração. Pessoas que dizem "sim" a todos estão, na realidade, reforçando uma imagem de 'vítimas da vida', alimentando um argumento de 'coitadinhas', de extremamente boas e injustiçadas. Isso não é ser gentil e demonstra mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido na gentileza. Aprender a dizer "não" nem sempre é uma tarefa simples. A gente aprende que tem de corresponder às expectativas de quem amamos, desde pequeninos; daí, quando crescemos, não sabemos dizer "não" sem nos sentirmos culpados. Daí para justificar nosso medo de dizer "não", é um pulo; afinal, é bem mais fácil transferirmos a responsabilidade de nossas limitações para o outro.

Dá pra falar 'não' sendo gentil? Como?
Não só dá como é o mais inteligente. Muitas vezes, a gente associa a palavra "não" à raiva ou à falta de gentileza, quando na verdade ela é apenas uma resposta, tão cabível quanto o "sim". Desde que seja dito com sinceridade e respeito, sabendo por que motivo você está dizendo "não", a gentileza é absolutamente coerente. O problema é que a gente já diz com culpa e, para não demonstrar, altera o tom de voz, tenta se justificar acusando o outro ou inventando pequenas mentiras que tornam a relação pesada, tensa. Basta que sejamos honestos, que nos permitamos respeitar nossos limites, que aprendamos a nos dar o direito de dizer "não". Além disso, vale um questionamento: será que é tão difícil dizer "não" porque, na verdade, você não consegue ouvir o "não" do outro? Será que esta dificuldade em negar ao outro não está a serviço de poder lhe cobrar sempre o "sim"? Enfim, lance mão de um tom de voz compreensivo e afetuoso e o seu "não" será muito mais humano e aceitável do que aquele que a gente costuma dizer gritando, acompanhado de gestos agressivos.

Que benefícios a gentileza nos traz?
Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas, muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber gentilezas.
No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido, cada vez mais, profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas, competência técnica é oferecida em universidades de todo o país, mas habilidades humanas como a gentileza são características escassas e muito bem quistas no mundo atual.

Como a gentileza interfere no nosso dia-a-dia? Nas relações de trabalho, no amor, na família?
Como disse anteriormente, a gentileza facilita todas as relações. No livro, conto a comovente história de vida do Profeta Gentileza, que viveu na cidade do Rio de Janeiro pregando a paz entre as pessoas. Ele tinha uma frase que ilustra muito bem o que chamo de "poder" da gentileza: GENTILEZA gera GENTILEZA. Do mesmo modo, o contrário também é verdadeiro. Ou seja, grosserias geram grosserias e a gente sabe que ninguém gosta de ser tratado de forma grosseira. Em minha palestra (com o mesmo título do livro), abordo os malefícios que a falta de gentileza causa em nossa saúde física, emocional e mental. Para se ter uma pequena idéia do quanto a gentileza interfere em nosso dia-a-dia, basta notar: pessoas intolerantes, briguentas e pouco ou nada gentis geralmente sofrem de enxaqueca, gastrite, ansiedade, cansaço, falta de criatividade, entre outras limitações. Sendo assim, o que podemos fazer de mais inteligente é tratar de praticar a gentileza quanto mais conseguirmos. E isso é uma escolha, antes de mais nada.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Perdas necessárias





"Somos sujeitos reprimidos pelo proibido e limitados pelo impossível que buscam se adequar aos seus relacionamentos imperfeitos. Vivemos de perder, abandonar, desistir e, mais cedo ou mais tarde, aprendemos que não há escudo contra as perdas e as dores que as acompanham. Somos sujeitos condenados a lidar com as perdas necessárias.

A estrada da vida é pavimentada de perdas e por mais inteligente que sejamos, temos que perder. Até nos sonhos que nos damos ao direito de sonhar e nos nossos relacionamentos mais importantes, precisamos nos defrontar com o que jamais teremos nem seremos, pois por mais que amemos, somos totalmente incapazes de oferecer qualquer abrigo contra as marcas do tempo, contra a velhice, contra a dor, contra as perdas necessárias.




Aceitando que há um impossível, que há um proibido, exercemos melhor nossa liberdade de escolha, nosso livre arbítrio, na medida em que toda escolha requer uma renúncia.
E enfrentando as perdas que os anos de vida trazem consigo, sofremos, choramos, crescemos e nos adaptamos: cada perda em cada estágio da vida comporta uma lição, uma oportunidade de crescimento e transformação, indefinidamente... até o último suspiro.


Se considerarmos que cada perda pela qual passamos é um limão que a vida nos dá, se vamos amargar até a última gota, se vamos fazer limonadas ou caipirinhas se, quando forem muitos, vamos aprender a fazer malabaris, depende de cada um. "


  Judith Viorst - Perdas Necessárias



Copiado daqui: Frases psicanaliticas

Dor de amor


" Dor de amor é a mais vulgar (no sentido de ser a mais comum), dor existencial é uma transcendência. Não evito minhas dores, vou até o cerne dos sentimentos, vejo-a tão vital quanto a alegria. Pois se, através deste processo também me vem a necessidade de auto-investigação e evolução interna, por mais desnorteada que eu me veja enquanto inserida no emocional da situação, é esse desconforto que me indica o degrau acima, me tira da zona de conforto, me instiga a buscar uma nova direção. A dor bem aproveitada não deve ser temida, deve ser usada como ferramenta para o autoconhecimento, extirpação do mal-resolvido, para o crescimento. Eu não temo a dor, nem emoção alguma, se assim fosse, até a alegria me incomodaria. O que não permito é que ela me leve ao estado da prostração, da autopiedade ou de algo que não aceite regeneração. Dor transmuta-se. E o Tempo dono de todas as coisas, ensina quão provisório é o pranto e a gargalhada. Por isso não recuso nada. 
Que venha o que vier, como vier. Eu suporto qualquer circunstância que me lapide, que me desassossegue para que eu valorize os momentos de paz do meu coração. 
Vida é totalidade. Inclui tudo. Vida é vontade de Mundo.
Dor faz parte da vida e, por mais preciosa que seja, não permito que ela seja a parte mais importante.


Marla de Queiroz





segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O novo ano não é um ano novo.

                                 
                     - Novo ano, não no calendário, mas dentro das nossas vidas -


Por : Daniel Cândido da Silva


"O novo ano não é um ano novo. É a continuidade da vida com um interlúdio festivo. Não mudamos porque o ano seja novo! Mudamos porque a vida nos bate na cara, ou porque a nossa inteligência e o nosso amor nos dizem que devemos ser mais humildes aqui ou mais reivindicativos acolá, mas sempre mais humanos! E ser mais humano não é deixar cair os nossos legítimos interesses e direitos, mas usá-los como quem sabe que possui uma força que deve ser habilmente conduzida, e não uma verborreia de impropérios que apenas nos satisfaz momentaneamente.

O mundo não muda de repente, que não pelas ações individuais que se vão tornando colectivas por contágio. Um dos grandes males é a nossa omissão em muita coisa. Dizermos que não fazemos mal a ninguém, pode ser afinal maior erro do que o erro em si. Devia haver o Dia Internacional da Responsabilização por Omissão. Muitos pecados sociais são precisamente o da nossa não ingerência, não como quem invade ou abusa, mas como quem deixa uma palavra que pode salvar situações e pessoas. Pode ter o custo da reputação, do amor próprio ou outra coisa qualquer, mas é nestas supostas minudências que se prova um Homem!

Imprescindível, pois, não são os votos de boas festas ou muitas passas, mas a disponibilidade que possamos ter para nós mesmos e para os outros, numa vertente concertada de espaço inter-relacional. E que o sonho, a paz e o amor comandem a lista das nossas prioridades em gestos simples mas efetivos do quotidiano. Então sim, será um novo ano, não no calendário, mas dentro das nossas vidas."





domingo, 5 de janeiro de 2014

A sordidez humana



Por  Lya Luft 

O problema é reconhecer esse lado obscuro em nós mesmos- a tendência natural é enxergar nos outros- os outros são nossos espelhos.Eis o grande nó, a grande complexidade do SER HUMANO
                                   Rejane



"Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós, que ri quando o outro cai na calçada?"

Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.
Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?

O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: "Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha". Ou: "Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele". Mais ainda: "O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...". Outras pérolas: "Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...".

Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer "Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...", e aí se lança o malcheiroso petardo.

Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.

A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.



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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

D e l i c a d e z a s



                        Por :  Valéria Montenegro

Estava  decidida  a  arrancar  a  planta  inútil.  Comprada  em  lugar  especializado,  escolhida  entre  outras  mais,  para  ficar  ao  lado  do flamboyant   de  jardim,  simplesmente  ela  se  manifestara  como  uma  grande  decepção.

Em  quase  um  ano  de  plantada  e  regada  a  contento,  mantinha-se  feia,  escassa,  desfolhada,  sem  a  profusão  de  cachos  brancos  que  uma  similar,  exposta  no  mesmo  canteiro,  prometia  e  anunciava.  Enfim,  um  fracasso.  Chegava  a  envergonhar  o  conjunto,  tão  disforme  e  depenada  ao  lado  da  árvore  principal,  que  se  manifestava  festiva,  em  bagos  que  se  abriam  em  caramanchões  de  amarelo.

Resolvi,  de  pronto,  sacrificá-la,  ainda  tão  irrelevante,  dentre  as  primícias  do  novo  reino.  Puxei-lhe  o  caule,  aparentemente  frágil.  Outra  vez  e  outra  mais,  com  mais  esforço  a  cada  uma.  Nada.  Recusava-se  a  sair  do  chão.  Parecia  muito  enraizada,  apegada,  resolvida.  Desisti.

Não  sei  quanto  tempo  depois,  a  revelação:  começaram  a  pipocar  cachos  novos,  alternativos  inclusive  ao  tronco  principal,  ainda  tão  esguio.  Cachos  de  flores  miúdas,  muito  brancas,  muito  lindas.

Enfrentou  o  primeiro  inverno  depois  da  metamorfose,  com  galhardia  e  destemor.  Suportava  chuvas  intensas,  que  lhe  vergavam  os  tenros  galhos,  em  cujas  pontas  as  flores  miúdas  se  faziam  pesadas  demais  para  serem  carregadas  assim,  tão  molhadas.  E,  no  começo  do  novo  verão,  com  alguma  aguação  meio  descuidada,  continuou  o  seu  progresso,  espessando  tronco  e  multiplicando  ramos  e  cachos  e  flores.

Não  tem  nome  a  planta,  nem  na  casa  de  jardinagem  souberam  dize-lo.  Chamo-a  de  pipoca.  Tão  linda,  tão  delicada  e  tão  forte.  Já  não  faz  vergonha  junto  ao  pequeno  flamboyant  amarelo.  Ao  invés.  Combinam.  Fazem  par,  entrelaçam-se  em  harmonia.

Uma  vez,  neste  mesmo  jardim,  aconteceu  com  a  jabuticabeira.  Plantada  ao  mesmo  tempo  que  as  outras  árvores  frutíferas,  já  crescidas  e  prontas  para  a  maturidade  precoce,  ela  não  reagia  aos  cuidados,  aos  muitos  banhos,  às  costumeiras  podas.  Disse   eu   então,  na  frente  das  outras,  elogiando  as  flores  perfumadas  da  laranjeira :  Esta  jabuticabeira  não  agradece  nada !!!

Como  por  encanto,  pouco  tempo  depois,  ela  começou  a  cobrir-se  de  nova  folhagem  encorpada  e  abundante . . .  e  sem  avisar,  veio  a  penugem  branca,  os  frutos  verdes,  que,  de  ora  para  outra,  materializaram-se  em  belas  e  deliciosas  jabuticabas . . .

Nas  duas  vezes,  os  acontecidos  foram  absolutamente  espontâneos.  Fui  sincera  com  elas.  Responderam  do  seu  modo,  que  me  causaram  profunda  emoção  e  prolongada  meditação . . .

Será  assim  também  com  as  almas  humanas?  Ou,  ao  menos,  com  algumas  delas ?
Algumas  negam  resposta,  deixam-se  arrancar  como  se  fossem  mesmo  inúteis  e  inexpressivas,  dos  jardins  da  vida.  Outras,  estimuladas  pelo  desafio  ou  pelo  perigo,  ou  mesmo  pelo  insulto,  reagem  com  florescimento,  frutificação  e  beleza . . .






terça-feira, 17 de setembro de 2013

UM NOVO DESAFIO






(Saltos bem mais altos)  



Por Flavio Siqueira


Sei que nem sempre é fácil. Que às vezes da vontade de se isolar, não ter muito contato, quem sabe ir morar na selva? Ser amigo dos macacos, dos pássaros e nada mais. Imediatamente vem a culpa, a auto cobrança sobre até que ponto estamos nos tornando radicais. Pessoalmente não vejo assim.
Estamos falando sobre mudança de mente, mudança de olhar, consequentemente de posturas, escolhas, caminhos. Estamos falando sobre desconstruções profundas dando espaço a novas edificações, completamente diferentes. Saímos de uma casinha pequena, abafada, cheia de goteiras, baratas , vizinha de parede no baile funk...(rs).. e nos mudamos para uma casa maior, arejada, limpa, clara, de frente para o mar. Como não sentir-se incomodado quando voltamos ao antigo bairro?
Quando nos encontramos com os antigos vizinhos? Quando, por alguma razão, temos que andar pelas ruas esburacadas de antes? Sim, incomoda, nos sentimos deslocados, quase como seres de outro planeta. Aliás, somos sim. Não pertencemos mais ao mundo de antes a partir do momento que construímos um novo mundo dentro da gente.

Por isso, na interioridade, a percepção clara de um certo incômodo convivendo com sua paz: Ambiguidade entre o mundo novo que sou, e o mundo velho que continuo a conviver do lado de fora, afinal, precisamos trabalhar, estamos expostos a cultura de massa, as pessoas continuam no ponto onde estavam, ainda que você não esteja mais. É a vontade de separação diante da necessidade da conexão. Chegamos ao seu novo desafio!
Se no primeiro momento enxergar era prioritário, agora, depois que viu, a prioridade é saber o que fazer com isso. É fundamental entender que, por mais que às vezes dê vontade de nos isolarmos, um ser que se enxerga cresce quando aprende a fortalecer vínculos, desenvolvendo e amadurecendo as relações em busca do equilíbrio. O isolamento é um descompasso, especialmente em seres que precisam viver em sociedade. Isolar-se é desequilibrar-se, é perder a capacidade de enfrentar a contrariedade, a diferença, as discordâncias, os desafios. O amor pode se desenvolver nos ambientes difíceis.
Valorizar o silêncio, apreciar a solidão, querer ficar sozinho de vez em quando é excelente, mas isso não pode ser o dogma se sua alma. Crescemos quando nos expomos às contradições, nos desenvolvemos quando aprendemos a conviver com quem pensa diferente, com quem muitas vezes nos desagrada com seus hábitos. Esse é um passo fundamental em direção ao autoconhecimento.
Ninguém sabe tanto sobre si mesmo até que se exponha ao contraditório, se relacione com quem é diferente. Portanto, permita-se esse novo desafio.

Chegou a hora de se expor, de influenciar seus ambientes, não como "pregador" de nada, mas como vagalumezinho que aprendeu a ser sal fora do saleiro, ser humano onde os humanos se perderam, ser equilibrado onde o desequilíbrio predomina.
É mais fácil evitar o mundo inteiro e mudar-se para uma cabaninha no meio do mato, sim, é bem mais fácil. Mas não estamos falando sobre facilidades, mas sobre crescimento. Não queremos privilégios existências ou pensar que fazemos parte de algum tipo de "casta" iluminada.
Nossa iluminação se completa quando aprendo a vincular-me, quando perco o medo de me expor, quando me abro para todas as belezas e contradições do meu caminho. É nisso que mora a beleza das coisas e desse olhar parto para saltos bem mais altos.
Sigamos nessa direção!





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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O espelho de dentro






"E no meio de tantos desencontros, almas aflitas gritam,

no meio da depressão que nos consome, buscam carinho.
Carinho que se perdeu na troca fria de mensagens,
que hoje já não valem mais nada."
                                                                               

Paulo Roberto Gaefke


Flávio Siqueira


Quem só nos vê passando pela rua, apressados, distraídos, falando ao celular, entre as vitrines do shopping, os corredores da empresa, a garagem do prédio, não nos reconhece. Somos mais um, parte da multidão, ingrediente da massa.

Na fila do banco, no trânsito ou na sala de embarque do aeroporto, você só faz parte do cenário, um a mais e, portanto, não é você, é só alguém, ou ninguém.

Para os outros você é personagem daquele cenário: trabalho, trânsito, rua, restaurante…

Mas nada melhor do que as estatísticas para nos transformar em números.: Segundo especialistas em pesquisas, entrevistando 2.500 a 3.000 pessoas, é possível saber o que o Brasil pensa sobre qualquer coisa. Basta a média e pronto.

São amostragens, quantitativas, estatísticas e você se transforma em mais um.

Aprendemos a lidar com a vida de maneira superficial porque não costumamos nos enxergar, vemos pelo olhar do outro. Costumamos nos categorizar de acordo com o ambiente, os olhares, os créditos, os títulos, os códigos, acreditando que realmente somos aquilo.

É por isso que, muitas vezes, o grande líder não sabe lidar com a família e foge do filho, ou o cara que é reconhecido por todos pelo que faz, admirado, aplaudido, invejado, não sabe lidar consigo mesmo. Por mais que cada ambiente exija de nós determinadas posturas, de fato somos o que somos, afinal de contas, sou eu quem devo influenciar o ambiente e não ele a mim.

É bom para os negócios criar categorias e nos colocar nelas . Sem que percebamos somos levados pela maré a pensarmos, sentirmos e agirmos todos da mesma maneira. Muitos perdem, poucos ganham quando deixamos de ser o gente e viramos massa.

Quem é você além do que os outros enxergam ? É capaz de se ver sem usar as lentes alheias?

Além do profissional, do motorista, do cara que da bom dia na portaria, o que tem por aí?

Existe um espelho que fica do lado de dentro.

Nele você é chamado a se enxergar e ver o que os outros não veem.

Olhando para ele corremos riscos. Podemos nos machucar, surpreender ou magoar os outros. Poderá ser preciso romper laços, cessar padrões de comportamento e mudar de atitude, abandonar a máscara, mas isso só quando você se vê.

Não se ocupe em ser aceito, se aceite.

Muito mais do que o profissional, pai, mãe, filho, irmão, amigo, vizinho, colega, você é um ser único e aceitar isso pode ser assustador.

É só questão de tempo.

Tente se enxergar, aceitar seu silêncio, ser seu amigo, encare seus medos, traumas, limitações, ouça com calma, sem culpa o que eles tem a lhe dizer.

Ainda que seja por alguns segundos, tente se enxergar.

Aceitando sua humanidade aceitará a dos outros e, quando deixar a toga de juiz da humanidade não se sentirá mais julgado e, portanto, livre.

Livre-se da sobrecarga, você não precisa dela.

O espelho está aí. Pelo menos por alguns segundos deixe de olhar para os outros. Esqueça a culpa e as cobranças e olhe para dentro. Pode demorar um pouco mas logo verá o espelho : Será hora de se aquietar, silenciar-se e, finalmente, reconhecer-se.








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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mudando padrões negativos





por Rodrigo Durante


Ao longo de nossas vidas, acumulamos muitos conceitos de como nós e as coisas são, como certas pessoas agem e, assim, vamos escrevendo nossa história, pautados em fatos e interpretações na maioria das vezes baseadas no medo, no sofrimento e nas limitações. Todos temos sonhos e desejos mas ninguém passa a vida sem ter algum frustrado. Isso ocorre pois em nossa cegueira não percebemos que o que queremos às vezes nada têm a ver com nossa essência, com a expressão mais pura de nosso Ser. A maioria de nossos desejos aparecem para tapar algum buraco, satisfazer alguma carência, uma solução alternativa "de fora para dentro" que muito fracamente nos satisfaz, logo precisando de mais alguma coisa que supra esta falta.

Nascemos com alguns aprendizados pré-determinados, pontos de vista, vibrações a desenvolver. Nossos desejos são meramente artifícios para aliviar a falta que estas vibrações nos fazem, para nos manter em uma zona de conforto por um pouco mais de tempo antes de iniciarmos o trabalho que verdadeiramente viemos fazer aqui.

Começamos, então, nosso caminho de autocura pela dor das frustrações, quando já tentamos de tudo, mas, mesmo assim, as coisas continuam do mesmo jeito, as mesmas histórias se repetindo sempre. É assim que desenvolvemos de forma produtiva uma mentalidade de olhar para dentro e buscar aquela ferida onde uma pitada de amor seria o melhor remédio. A ilusão de que a cura virá de fora ainda é muito forte, mas sem o nosso envolvimento, nossa própria mudança e consentimento nada em nossa vida mudará.

A primeira questão a nos direcionar para dentro são nossos relacionamentos, são os melhores espelhos para nos enxergarmos, para nos mostrar onde estamos errando. Todos nossos relacionamentos serão curados a partir de nós mesmos, ou seja, nós temos que mudar para que eles mudem.

As descrições que temos registradas sobre nós mesmos, nossos familiares e afins têm que mudar, pois nós não nos relacionamos com as pessoas, mas sim, com a imagem que fazemos delas. Só mesmo uma pessoa totalmente desperta consegue se relacionar com o que as pessoas realmente são em essência e, em essência, todos são Deus.

Se temos muito fortemente registrado que somos de tal maneira, que os outros são tal maneira, que sempre sofremos tal tipo de coisas, que a vida é de tal maneira e ficamos esperando que todos de uma hora para outra fiquem perfeitos do jeito que sonhamos, isso não irá acontecer e mais uma vez iremos nos frustrar, pois a mudança começa em nós.

Ninguém obtém sucesso em nada na vida sem desenvolver algumas características pessoais, superar medos e bloqueios, aprender a perdoar, desenvolver a coragem e o poder pessoal, a capacidade de ser feliz independente dos fatos, enfim, muitas situações aparecerão para nos tirar de nossa zona de conforto até que aprendamos todas as lições que nós mesmos escolhemos vivenciar antes mesmo de encarnar.

Por isso, nossos relacionamentos mais próximos e todas as dificuldades que passamos com eles são tão abençoadas, pois são nossos maiores aprendizados. Vemos refletidos neles partes nossas muito profundas, o que menos gostamos na gente e o que mais temos dificuldade de enfrentar. Preste atenção como todas as soluções que imaginamos para nossos problemas e irritações são sempre atalhos para nos manter em uma zona de conforto. Dizemos sempre que o outro ou as coisas é que têm que mudar, nós somos sempre os certos da estória. O medo de olhar para dentro é grande, a vaidade e o orgulho sempre colocarão a culpa no outro.

Nossas preocupações e ansiedade também são muito grandes para atingirmos certo objetivo, o que também acaba dificultando de enxergarmos as coisas como elas realmente são. Entendam que aquilo que queremos chegará até nós, mas talvez não da forma que imaginamos. Não sem antes nos tirar de nossa zona de conforto e nos forçar aprender mais sobre nós mesmos, a fazer-nos crescer e nos fortalecer, a nos amarmos e nos aceitarmos incondicionalmente.

Praticamente todos os grandes problemas que nos afligem atualmente têm a ver com nossa autoimagem, amor próprio, o valor que damos a nós mesmos. Com comportamentos que nos condicionamos a ter para conseguir das pessoas o amor e o valor que ainda estamos aprendendo a nos atribuir. Sentimo-nos ainda inferiores, incompletos, acreditamos que precisamos fazer algo para sermos queridos, nos comportarmos de tal maneira que seja aceitável, trabalhar feito loucos em algo por suas recompensas, falar e nos expressar como acreditamos que vão gostar.

Sem perceber o desalinhamento que isto nos causa, energeticamente criamos máscaras, personagens que incorporamos para agradar ao mundo, nos protegermos ou conquistar o que queremos. Estas máscaras ganham tanta força que em determinado momento não as percebemos mais, achamos que somos nós mesmos. Criam-se desde nosso chakra frontal causando sérios incômodos na cabeça e se alimentam por laços do segundo e terceiro chakras já construídos sob esta energia de pouco amor próprio e pouca autovalorização.

Isso já trazemos de outras vidas, mas nesta se refletiu atraindo de nossos pais e relacionamentos próximos comportamentos que nos fizeram manifestar este "desamor próprio" novamente. Sempre tivemos que fazer algo ou nos comportar de tal maneira para conseguir o amor dos pais. Tínhamos que sorrir, ser educados, comportados, tirar notas altas, ser magros e santos para ganharmos recompensas, que muitas vezes eram materiais quando só precisávamos de um carinho e aceitação.

Tudo isso são feridas de nossa criança interior. Muitas feridas fazem nossos personagens buscarem fora o que não damos para nós mesmos. A cura disso, juntamente com toda ajuda que conseguirmos, é um processo pessoal, devemos buscar conscientemente enxergar nossas qualidades únicas e nos amar do jeito que somos. Sem comparações ou modelos de perfeição herdados, impostos ou autoimpostos. Quanto mais nos amamos mais os outros nos amam. Quanto mais nos respeitamos mais os outros nos respeitam. Quanto mais nos valorizamos mais coisas boas atraímos para nossa vida.

E o que realmente precisamos em nossa vida é Amor. E quando as feridas, crenças, imagens e rótulos negativos que criamos forem substituídas por esse Amor, nosso mundo se transformará.

Certamente, no caminho para nos libertarmos das ilusões de nossos personagens e nos realinharmos a nossa essência encontramos muitas dores, feridas e bloqueios profundos, crenças, imagens e conceitos envolvidos. Mas não há outra alternativa senão o nosso envolvimento consciente e o compromisso com nós mesmos. Procurar em nós mesmos a resposta para o que nos incomoda, pois tudo o que passamos no externo é um reflexo do interno.

Os resultados que obtemos só dependem da nossa própria mudança. No caminho, busquemos a paz. Busquemos abrir mão de crenças fixas a respeito de como a vida e as pessoas são. Deixemos a luz entrar e nos mostrar onde estamos agindo em desacordo com nossa própria essência. Estejamos abertos a aceitar nossas falhas e dispostos a colocar amor onde antes só haviam sombras. Vocês vão sentir a diferença, não tem como não sentir, pois quando nós mudamos, a vida nos acompanha.








terça-feira, 9 de julho de 2013

Reflexão sobre o Feminino (Entendendo a Mulher)








por Flávio Gikovate




Talvez agora sejamos capazes de pensar de forma mais livre sobre a mulher e a condição feminina. O tema sempre esteve envolto em brutais preconceitos: no passado vigia a tese machista da inferioridade da mulher, já nos últimos anos temos sido governados pela idéia da igualdade entre os sexos. O bom entendimento da questão perde nos dois casos, uma vez que a mulher não é inferior e nem igual ao homem, mas sim diferente, não havendo razão para que seja estudada tomando-se como referência a condição masculina. Não deixa de ser surpreendente o fato de que nos deixamos governar muito mais por idéias, concepções e ideologias do que pelos fatos. As diferenças entre os sexos são óbvias e só mesmo a interferência de poderosos ingredientes emocionais pode levar homens e mulheres a defender idéias que não têm respaldo no mundo real. Quando tais idéias foram elaboradas por homens, ao longo dos séculos, a conclusão foi a inferioridade da mulher. Talvez tenham sido movidos mais do que tudo pela enorme inveja que eles sempre sentiram delas.
Quando, nas últimas décadas, as idéias sobre o tema foram elaboradas por mulheres, concluíram pela igualdade entre os sexos. Elas buscavam condições objetivas iguais às dos homens, o que é inegável direito, mas acabaram por generalizar suas concepções relativas a importantes aspectos da vida social, tentando, por exemplo, entender a sexualidade feminina tomando por base a fisiologia dos homens. Sem perceber, elas os usavam como referência, como paradigma; não podemos deixar de reconhecer aí importante ingrediente invejoso da condição masculina, agora presente também nas mulheres.
Infelizmente, tudo leva a crer que falar sobre as condições masculina e feminina é tratar, muito de perto, da questão da inveja. Homens e mulheres são fascinados uns pelos outros – isso como regra geral, é claro –, mas dificilmente conseguem se entender bem. Percebemos a facilidade com que desenvolvem uma irritação desproporcional aos fatos quando convivem intimamente. Até mesmo a vida sexual dos que vivem juntos está muito aquém do que poderíamos supor a partir da intensidade da atração sexual que o homem tem pela mulher e que faz tão bem a ela. Assim, o esperado convívio amoroso e sexual, rico e pleno de prazeres, é, como regra, parte do imaginário da maioria das pessoas. Todo o objetivo daqueles que pensam sobre esses aspectos essenciais da vida íntima consiste exatamente em buscar os caminhos que permitam o entendimento entre os sexos, o qual, de fato, nunca existiu. A tarefa deve ser muito difícil, se assim não o fosse nossos antecessores já a teriam cumprido há muito tempo.
Meu objetivo principal ao longo desse texto é discutir alguns aspectos da fisiologia sexual feminina e sua repercussão na interação entre os sexos e na maneira de ser das mulheres. Não poderei deixar de fazer algumas observações sobre o masculino, uma vez que, ao menos até agora, o modo de ser de um sexo tem sido definido a partir do outro. Não creio que seja uma boa postura intelectual essa de, por exemplo, atribuirmos emotividade e maior sensibilidade ao feminino, e considerarmos racionalidade e maior agressividade peculiaridades do masculino. Fica muito difícil saber o quanto isso é verdadeiro e o quanto os homens escondem sua emotividade e as mulheres sua racionalidade, sempre com o propósito de “caberem” no modelo social preestabelecido. Temos que distinguir com a maior clareza possível entre aquilo que é um atributo do feminino e o que é parte do seu papel social; isto é, entre o que seja genuinamente produto da natureza feminina e o que é proposição cultural que busca definir e impor uma certa postura para as mulheres de uma determinada época e cultura.
O ideal seria o feminino ser estudado à parte, sem qualquer tipo de comparação com o masculino e vice-versa. Talvez consigamos, aos poucos, atingir esse objetivo, condição na qual poderíamos, finalmente, saber como é constituído cada um dos sexos. Na realidade, porém, os homens se comportam com a finalidade única de impressionar, agradar ou agredir as mulheres, e o mesmo acontece com elas. É possível que uma parte importante do que entendemos por feminino esteja sendo definida em função do masculino e que o contrário também seja verdadeiro. Compõe-se um tipo de círculo vicioso derivado da interação entre os sexos que, por vezes, torna muito difícil o entendimento dos ingredientes aí envolvidos. Farei algumas considerações sobre o que sou capaz de observar e que considero imprescindível no círculo vicioso em que vivemos há milênios e do qual ainda não conseguimos nos libertar. As pesquisas, até agora muito escassas, que deverão ser feitas nessa área da subjetividade humana não são filigranas. Elas tratam de algumas das particularidades essenciais da nossa espécie e que influíram – e muito – em todos os processos que culminaram com a elaboração das regras que norteiam nossa vida social.
Assim sendo, a questão sexual em geral e a das diferenças entre os sexos em particular são de capital importância para o entendimento da psicologia humana – e de alguns aspectos da própria fisiologia sexual – e para o estudo e compreensão dos aspectos socioeconômicos da nossa vida em grupo. Essa abordagem mais abrangente da questão sexual tem assumido uma importância crescente, uma vez que tem se revelado muito mais frutífera do que aquela que apenas levava em consideração os aspectos práticos e técnicos capazes de aprimorar a intimidade entre um homem e uma mulher.
Deixarei registrado, de modo veemente, que o objetivo de todas as observações que pretendo fazer é contribuir para ajudar no entendimento e libertação de complexos ingredientes que consideramos parte da relação entre os sexos; como são procedimentos que se repetem há muitas gerações, fazem parte da nossa cultura de modo tão arraigado que os vemos como naturais; são tratados com a naturalidade de um fenômeno que é parte da nossa biologia, apesar de que é forte minha convicção de não ser essa a verdade. Hoje, indiscutivelmente, eles fazem parte do cotidiano, das normas da vida social com as quais nos deparamos à medida que vamos nos tornando adultos. Cada nova geração se contamina muito rapidamente com o círculo vicioso negativo e percebe, com maior ou menor clareza, que as relações entre os sexos são tensas, de disputa e implicam num tipo de rivalidade no qual humilhar o sexo oposto parece ter se constituído num prazer. Adolescentes de ambos os sexos, mas principalmente os rapazes, dão claros sinais de sentirem os golpes iniciais dessa guerra entre os sexos, cujos primeiros movimentos parecem mais favoráveis às mulheres – ou, ao menos, a algumas delas.
2. Considerações acerca da origem da guerra entre os sexos
O tema é excitante e fundamental e sobre ele venho publicando desde 1979. Confesso que foi só com o passar dos anos que me dei conta da importância de algumas das considerações que fiz na época. E a título de autocrítica, devo dizer que fui um tanto ingênuo por não ter percebido a relevância das minhas observações. O que diminui um pouco a sensação desagradável que essa constatação me provoca é o fato de que não fui o único a ter dificuldade em lidar com a questão das diferenças entre os sexos e principalmente extrair delas todas as suas conseqüências. O próprio Freud apontou o aspecto mais importante relativo às diferenças entre o masculino e o feminino – qual seja, o da existência de um desejo visual masculino que inexiste na mulher – em uma nota de rodapé de sua obra O mal estar na civilização, escrita em 1930. Jamais voltou ao assunto! Uma importante diferença entre os sexos consiste na ausência de período refratário após o orgasmo nas mulheres, diferentemente do que acontece com os homens, e quem primeiro a registrou foi Masters e Johnson; esses autores também não conseguiram extrair todos os desdobramentos que tão importante diferença impõe. É indiscutível a dificuldade que temos de estudar a nós mesmos!
Tentarei penetrar no círculo vicioso que determina a hostilidade recíproca entre homens e mulheres pelo ponto que considero o inicial: aquele que define as primeiras sensações dos homens diante da diferença entre os sexos que surgem junto com a sexualidade adulta. Registrei, há quase 20 anos, que a chegada dos primeiros impulsos eróticos mais intensos que, nos rapazes, acontece ao redor dos 13 anos – junto com o surgimento dos caracteres sexuais típicos da virilidade –, vem acompanhada de algumas sensações íntimas negativas e totalmente inesperadas. Os meninos crescem com a idéia de que são os privilegiados, uma vez que lhes ensinaram que o mundo é dos homens. O contrário acontece com as meninas, de sorte que muitas delas crescem revoltadas e invejosas da condição privilegiada que os meninos costumam ter em sociedades como a nossa. Com a chegada da puberdade, os rapazes passam a sentir enorme desejo sexual por um sem-número de moças, desejo este que pede a aproximação e o roçar no corpo delas. A grande e inesperada surpresa é que tal desejo não é correspondido. Por essa eles não esperavam! A partir daí, desenvolvem uma sensação de inferioridade, frustrando-se pela ausência de reciprocidade. Desejar sem ser desejado da mesma forma gera uma enorme frustração em praticamente todos os moços. Tal sentimento muito comumente acompanha os homens ao longo de toda a vida.
Em geral, os rapazes atribuem, até hoje, o fato de não serem objeto de desejo visual à sua “precária” aparência física. Portanto, o que é baixo, gordo, narigudo, entre tantos defeitos que os adolescentes vêem em si mesmos, sente-se não-atraente devido a essas desvantagens relacionadas com sua imagem. Entendem a questão como um fato particular, condição na qual ficam muito deprimidos e ressentidos. Para eles, outros rapazes provocam o desejo que na verdade eles mesmos gostariam de causar, podendo desenvolver grande hostilidade invejosa em relação aos mais bonitos e charmosos. Seguramente, a beleza masculina é um elemento capaz de despertar o interesse das mulheres, mas é fato também que existe uma grande diferença entre despertar o interesse e o desejo. Não sabemos como reagirão os moços quando puderem crescer e chegar à adolescência já de posse dos dados relativos à nossa sexualidade que só agora estão começando a nos ficar mais claros.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Como combater os monstros interiores









Por :  SergioGleiston 



Em uma cidade chamada Mundo Interior, situada em um país chamado Coração, todos viviam amedrontados por terríveis monstros. Monstros que devoravam os filhos por causa das faltas dos pais. Monstros que destruíam famílias por conta dos pecados dos filhos. Monstros que devoravam almas e roubavam esperanças de todos.
Todos, sem exceção, em algum momento da vida, já foram atacados por esses monstros. Eles não poupam nem crianças, nem adultos; nem jovens, nem velhos; nem homens, nem mulheres; nem pobres, nem ricos. Esses monstros dilaceravam o coração das vítimas e as mutilavam de tal forma que elas não tinham mais alegria em viver. Todos não mais saíam de casa, viviam trancafiados em seu próprio mundinho, isolados e com medo de enfrentar a vida lá fora, tudo por causa do medo que sentiam de encarar esses monstros…
Evitava-se até de falar deles e, quando alguém ousava, os outros logo fechavam os ouvidos para não escutarem nada.
Mas um dia, o sábio chegou ao Mundo Interior como destemido guerreiro. Mas, ao invés de espada, trazia consigo uma caneta em uma das mãos; ao invés de escudo, uma caderneta; no lugar de uma armadura suntuosa, apenas o conhecimento.
— É verdade que o senhor veio aqui para acabar com nossos monstros? – perguntou alguém na multidão.
O sábio guerreiro nada respondeu.

— Como o senhor fará isso? – continuou o mesmo alguém – onde estão suas armas? E os seus soldados?
O sábio guerreiro olhou para a multidão e num ar de serenidade, perguntou:
— Quais são seus monstros?
Todos, um a um, foram se aproximando do sábio e contaram como eram esses monstros, quando começaram a surgir e como eles se sentiam com relação a tudo isso. O sábio anotou tudo em sua caderneta.
Por fim, depois que o último terminou, o sábio sentou no banco da praça e ficou em silêncio alguns instantes. De repente, alguém da multidão rompe o silêncio com uma pergunta:
— E aí, o senhor pode eliminar de vez todos esses monstros?
O sábio guerreiro permaneceu ainda mais uns poucos segundos em silêncio, contemplando o rosto apreensivo da multidão, e por fim respondeu:

— Não, esses monstros eu não posso exorcizá-los definitivamente…
A multidão em coro faz barulho de decepção.

— Mas nós temos muitas armas e munição e bastante dinheiro… diga qual é o seu preço que nós pagaremos – diz alguém.
— Eu nada posso fazer, mas vocês podem. Esses monstros não se combatem com armas ou com dinheiro. Embora esses monstros não possam ser extintos definitivamente de suas vidas porque sempre voltarão na menor oportunidade que vocês derem para eles, vocês podem combatê-los, não com armas, mas com palavras, pois eles têm nomes: Depressão, Fobia, Trauma, Estresse, Ansiedade, Angústia… esses monstros só se combate com o diálogo. Eu não posso eliminá-los definitivamente de suas vidas, mas vocês podem aprender a conviver com eles, basta exercitar a arte da conversa, não guardar seus problemas para si, mas desabafá-los uns com os outros e, principalmente, exercitar a arte de ouvir.
Não consta que esses monstros tenham deixado de assombrar o Mundo Interior de alguém, mas consta que, depois que se seguiu o conselho do sábio os ataques dos monstros se tornaram mais brandos e muito menos freqüentes.

Copiado daqui : Tema-livre.com



segunda-feira, 27 de maio de 2013

ELOGIO À LOUCURA





Por: Maria das Graças Targino *



De médico e de louco, todos nós temos um pouco! Ditado popular antigo e moderno! Cada vez mais, nos perdemos dentre as tentações de exercitar o nosso lado médico: a prática extremamente perigosa da automedicação e mais audaciosa ainda, de prescrever às pessoas queridas as soluções mágicas que nos devolveram o bem-estar... A loucura, então, nem se fala! Falo da loucura crescente do mundo moderno!

E, então, crio a terminologia brincalhona para designar o “louco de carteirinha” e o “louco a varejo”. No primeiro caso, a loucura no sentido mais duro da palavra, quando remete ao hospício, aos tratamentos ainda dolorosos e avassaladores, apesar de toda a evolução da medicina... No segundo, praticamente, todos os seres humanos: neuroses, medos (doença do pânico ou não), manias, absurdos, insensatez, doidices, imprudências e tudo mais. São os desvios comportamentais que, invariavelmente, cometemos no cotidiano, por mais “normais” que pretendamos ser. Aliás, quem consegue estabelecer o que é normal? Se, na matemática, a unidade de normalidade de uma solução corresponde a um equivalente-grama por litro, como nós mensuramos a nossa normalidade?

Por tudo isto, hoje, penso nos loucos. Aqueles, acintosamente, cantados e decantados em piadas cruéis. Andam por aí. Pelas ruas das cidades grandes ou pequenas. Como avoantes, ora estão aqui, ora estão por aí. Não têm rumo certo. Assustam crianças ou despertam a crueldade dos adolescentes. Mas quase sempre, são loucos mansos, indefesos em seus discursos desconexos, em seus poemas bipartidos. Quase sempre, sujos em suas vestes úmidas de urina ou de excrementos. Quase sempre, carentes de afeto e de atenção.

Desde cedo, muito cedo, nutri estranha curiosidade por esses loucos perdidos no relento das ruas. Desde cedo, compreendi quão necessário é ser “normal”para ser respeitado. Desde cedo, ensinaram-me (e eu não aprendi) a esquecer a presença de uma tia louca no seio de uma família “nobre”. Ela se foi. Partiu em meio ao silêncio e alívio de muitos. Mas ficou no meu imaginário de adolescente. Nunca a esqueci. A vida inteira, vislumbrei nos loucos que passam, silenciosos ou barulhentos, doces ou bravos, exauridos pelas perseguições das brincadeiras cruéis, a oportunidade ímpar de resgatar o débito de amor para com a minha tia. Resgatar o carinho contido, a compreensão proibida, a cumplicidade expressa tardiamente, quando, longe dos olhares proibitivos, eu lhe dava todas as guloseimas que me pedia. Talvez tarde demais, mas, na verdade, no momento único em que me foi permitido fazê-lo. Quando ela desencantou e voltou aos céus, eu chorei todo um choro incontido. Chorei por ela, mas muito mais por todos nós, “loucos a varejo” ou pobres “normais”!




* Maria das Graças TARGINO, doutora em ciência da informação e estudante de jornalismo.






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Textos no arquivo :


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector