"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Viver, um eterno aprendizado


Por : Kadu Santoro


Vivemos em uma era onde a informação e a tecnologia, andam de braços dados e a passos largos, buscando a cada dia, “facilitar” a vida de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. A pergunta que fica, é: facilitar a vida em que e para que? Para respondermos essa pergunta, é preciso, antes fazermos algumas reflexões. A primeira análise é de caráter ontológico. O ato de viver e existir é primordial, vem antes de qualquer outra ação, é através desse primeiro ato, que começamos uma longa jornada chamada vida. É através desta jornada que praticamos todas as ações possíveis, e a única ação que não se esgota nessa caminhada, é o aprendizado, como diz a sabedoria popular: “é vivendo e aprendendo”. Quando paramos e pensamos, estamos colocando em prática a ação mental, logo, estamos produzindo aprendizado também.

O grande perigo de todos esses avanços tecnológicos, é acabar sufocando a ação de aprendizado do ser humano. Quanto mais se investe em tecnologia e informação, mais as pessoas vão tender a ficar paralisadas na frente de uma televisão ou computador, totalmente automatizadas, respondendo apenas aos estímulos visuais e auditivos dispensados pelo aparelho transmissor. A corrida desenfreada para acompanhar as inovações tecnológicas, também contribuem muito para o afastamento do aprendizado e raciocínio humanos. Uma criança dos dias de hoje, nasce e já tem o primeiro contato com a tela da televisão, já um pouquinho maior, está ganhando intimidade com a tela do monitor e daí em diante, mais da metade de sua vida será focada naquele mundo virtual, onde a única coisa que não é permitida, é que você pense e faça reflexões, o resto, é só perguntar o que você deseja, e imediatamente, como uma consulta a um oráculo, vem a resposta, aliás, as vezes milhares de possibilidades. Essa seria a primeira análise sobre a questão da atrofia do pensamento e do aprendizado ao longo da vida.

Uma outra questão está relacionada ao aspecto comportamental. Com todo esse avanço tecnológico, o ser humano está ficando cada vez mais solitário, vivendo mais tempo isolado do que em companhia. A tendência é acabar o bate papo nas filas, os encontros nos shoppings e nas feiras, as tardes nos cafés etc. Todas essas coisas faziam parte do contexto vivencial coletivo do homem, dando-lhes a oportunidade de interagir, trocar experiências e até transmitir seus sentimentos, coisa que hoje é superada pela rede virtual.

O ato de viver deve em primeiro lugar, celebrar o que lhe é concedido de mais precioso, a própria vida e sua condição existencial, como dizia o filósofo Sócrates:“Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”, ou seja, quando tomamos conhecimento de que nunca saberemos o suficiente, então passamos a entender o objetivo da jornada chamada vida. Vivemos num processo contínuo de aprendizado, onde as verdades não se encontram no objetivo, e sim no caminho por que é percorrido, independente do tempo que nos é permitido viver.

Quando reduzimos a velocidade e o estresse do dia a dia, passamos a observar todas as coisas ao nosso redor com mais detalhes, se pararmos mais um pouco, passamos a refletir e questionar sobre essas mesmas coisas, logo chegaremos num ponto de compreensão mais amplo dessas mesmas coisas.

Não pretendo com essa linha de raciocínio, retroceder a um estágio primitivo das coisas, pois também acho que a evolução é fundamental e necessária, apenas alerto para a o perigo de uma total dependência desta evolução para viver. O ser humano foi feito para governar e manter todas as coisas, e não para se tornar escravo delas. Hoje em dia, muitas pessoas não sabem mais fazer uma operação matemática sem o uso da calculadora, porém, a calculadora é muito importante a partir do momento em que ela vier a falhar, você saber resolver a operação.

Estamos num processo de constante aprendizado, em tempo e fora de tempo, em todas as ocasiões de nossa vida, estamos tirando alguma lição a todo instante. O mais importante desse aprendizado, ao longo da jornada chamada vida, são os frutos do conhecimento, esses que nos transformam a cada dia, nos tornando mais sensíveis, conscientes, solidários e humanos. Por final, o somatório de todas essas informações, só terá um único objetivo durante a vida, a prática do amor verdadeiro, aquele que está apto e preparado para acolher, consolar, instruir e animar a todos que estiverem cansados, abatidos e desiludidos. Viva de forma intensa, aprendendo e ensinando, sempre com entusiasmo e boa vontade, pois só temos essa oportunidade aqui nessa vida.




*Kadu Santoro é designer gráfico, teólogo e pesquisador brasileiro, residente na cidade do Rio de Janeiro, responsável pela publicação do Jornal Despertar, um informativo teológico e filosófico e do blog jornaldespertar.blogspot.com

domingo, 31 de janeiro de 2016

Vida perfeita só no facebook






"E se alguém inventasse uma rede antissocial?
Isso, um cantinho da internet em que só valeria postar a vida como ela é.
Mas, tudo bem, ninguém precisa transformar sua timeline num mural das lamentações. Só não faria mal dar um check-in no mundo real de vez em quando. Nem que seja para lembrar que o Face é ficção, e que comparar seu dia com o post alheio é covardia. O inferno não são os outros. O inferno é acreditar que os outros estão se divertindo mais do que você.
Como lembra a reportagem “Vida perfeita só existe no Facebook”, citando o inesperado guru e filósofo iluminista Montesquieu: “Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes do que os outros. O que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”.

Fernando Luna, diretor editorial.





Leia aqui a matéria: Vida perfeita só no facebook



segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

QUANDO A EDUCAÇÃO DÓI: MÃES TÓXICAS




"Neste artigo iremos falar sobre as mães tóxicas. No entanto, é bom lembrar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isso, entregues ao mundo no futuro, elas poderão ter sua independência física e emocional bastante prejudicadas.
O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define ovínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.
As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?

Por mais que soe estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.
O fator preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade o fazem em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer sua personalidade e desenvolver sua autoestima. Tudo isso vai deixar grandes lacunas nos filhos, grandes inseguranças que, por vezes, se tornam intransponíveis.

Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

1. Personalidade insegura

Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver em seus filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir suas deficiências.
Quando notam que as crianças estão se tornando independentes e capazes de construir suas próprias vidas, elas sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para continuar mantendo-as por perto, projetando nelas, desde o início, sua própria falta de autoestima, suas próprias inseguranças.

2. Obsessão pelo controle

Essas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos de suas vidas e passam a tentar fazer o mesmo na vida de seus filhos. Elas não conseguem respeitar os limites.Para elas, controle é sinônimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.
A parte complicada desta situação é que muitas vezes elas exercem esse controle pensando estarem fazendo o bem, demonstrando amor.
“Eu vou fazer a sua vida mais fácil, controlar suas coisas para fazer você feliz”
“Eu só quero o que é melhor para você e assim você não precisa errar”
O controle é o pior ato de superproteção. Com ele você evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que elas aprendam com seus erros.

3. A projeção dos desejos não realizados

“Quero que você tenha o que eu não tive”, “Não quero que cometa os mesmos erros que eu”, “Quero que você se torne o que eu não consegui me tornar”.
Às vezes, as mães tóxicas projetam em seus filhos os desejos não realizados de seus próprios passados, sem se perguntarem se é isso o que os seus filhos desejam, sem dar-lhes a opção de escolher. Pensam que assim estão mostrando um amor incondicional, quando, na realidade, demonstram um falso amor. Um interesse amoroso.

Como lidar com uma mãe “tóxica”?

Esteja consciente de que você tem que quebrar o ciclo de toxicidade. Você tem vivido muito tempo nele, sabe as feridas que isso lhe causou. Mas agora entenda que você precisa abrir as suas asas para ser você mesmo. Para ser feliz. Será difícil, mas você deve começar a dizer “não” para colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.
Trata-se da sua mãe, e quebrar esse ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que você permite e o que não permite. Você não quer causar nenhum dano, mas também não quer mais sofrer; isso deve estar bem claro em sua mente.
Reconheça a manipulação; às vezes, ela é tão sutil que não nos damos conta, pois ela pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caia na “vitimização” delas, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Elas se mostram como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido é você. Sempre mantenha isso em mente."


Ler mais: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/quando-a-educacao-doi-maes-toxicas/#ixzz3vcDepiGX





Mães e filhas


Mães e filhas: o vínculo que cura, o vínculo que fere


Cada filha leva consigo a sua mãe. É um vínculo eterno do qual nunca poderemos nos desligar. Porque, se algo deve ficar claro, é que sempre teremos algo de nossa mãe.

Para termos saúde e sermos felizes, cada uma de nós deve conhecer de que maneira nossa mãe influenciou nossa história e como continua influenciando. Ela é a que, antes de nascermos, ofereceu nossa primeira experiência de carinho e de sustento. E é através dela que compreendemos o que é ser mulher e como podemos cuidar ou descuidar do nosso corpo.


Nossas células se dividiram e se desenvolveram ao ritmo das batidas do coração; nossa pele, nosso cabelo, coração, pulmões e ossos foram alimentados pelo sangue, sangue que estava cheio de substâncias neuroquímicas formadas como resposta a seus pensamentos, crenças e emoções. Quando sentia medo, ansiedade, nervosismo, ou se sentia muito aborrecida pela gravidez, nosso corpo se inteirou disso; quando se sentia segura, feliz e satisfeita, também notamos.
– Christiane Northrup –



Mães e filhas
O legado que herdamos de nossas mães
“A maior herança de uma mãe para uma filha é ter se curado como mulher”
– Christiane Northrup –

Qualquer mulher, seja ou não seja mãe, leva consigo as consequências da relação que teve com sua progenitora. Se ela transmitiu mensagens positivas sobre seu corpo feminino e sobre a maneira como devemos trabalhá-lo e cuidá-lo, seus ensinamentos sempre irão fazer parte de um guia para a saúde física e emocional.




No entanto, a influência de uma mãe também pode ser problemática quando o papel exercido for tóxico, devido a uma atitude negligenciada, ciumenta, chantagista ou controladora.

Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmas, a nos curarmos, e a sermos capazes de assimilar o que pensamos de nosso corpo ou a explorar o que consideramos possível conseguir na vida.
A atenção materna, um nutriente essencial para toda a vida

Quando uma câmera de TV filma alguém do público em algum evento esportivo ou qualquer outro acontecimento… O que as pessoas costumam gritar? “Oi, mãe!”

Quase todos nós temos a necessidade de sermos vistos por nossas mães, buscamos sua aprovação. Na origem, esta dependência obedece às questões biológicas, pois precisamos delas para subexistir durante muitos anos; no entanto, a necessidade de afeto e de aprovação é forjada desde o primeiro minuto, desde que olhamos nossa mãe para sabermos se estamos fazendo algo certo ou se somos merecedores de uma carícia.



Assim como indica Northrup, o vínculo mãe-filha está estrategicamente desenhado para ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que teremos na vida. No entanto, isso nem sempre acontece assim…

Com o passar dos anos, esta necessidade de aprovação pode se tornar patológica, gerando obrigações emocionais que propiciam que nossa mãe tenha o poder sobre nosso bem-estar durante quase toda a nossa vida.
O fato de que nossa mãe nos reconheça e nos aceite é um sede que temos que saciar, mesmo que tenhamos que sofrer para conseguir isso. Isso supõe uma perda de independência e de liberdade que nos apaga e nos transforma.
Como começar a crescer como mulher e filha?


Não podemos escapar desse vínculo, pois seja ou não saudável, sempre estará ali para observar nosso futuro.



A decisão de crescer implica limpar as feridas emocionais ou qualquer questão que não tenha sido resolvida na primeira metade de nossa vida. Esta transição não é uma tarefa fácil, pois primeiro temos que detectar quais são as partes da relação materna que requerem solução e cicatrização.

Disso depende nosso senso de valor presente e futuro. Isso acontece porque sempre há uma parte de nós que pensa que devemos nos dar em excesso para a nossa família ou para o nosso parceiro para sermos merecedoras de amor.

A maternidade e, inclusive, o amor de mulher continuam sendo sinônimos culturais na mente coletiva. Isso supõe que nossas necessidades sejam sempre relegadas ao cumprimento ou não das dos demais. Como consequência, não nos dedicamos a cultivar nossa mente de mulher, senão a moldá-la ao gosto da sociedade na qual vivemos.

As expectativas do mundo sobre nós podem ser muito cruéis. De fato, eu diria que constituem um verdadeiro veneno que nos obriga a esquecer nossa individualidade.
Estas são as razões que fazem tão necessária a ruptura da cadeia de dor e cicatrização íntegra de nossos vínculos, ou as lembranças que temos deles. Devemos estar cientes de que estes vínculos se tornaram espirituais há muito tempo e, portanto, cabe a nós fazermos as pazes com eles.

Fonte consultada: Mães e filhas de Christiane Northrup

Texto original em espanhol de Raquel Aldana



http://amenteemaravilhosa.com/maes-filhas-vinculo-cura-vinculo-fere/

sábado, 26 de dezembro de 2015

Mulheres Boazinhas Não Enriquecem







A fofa descobriu que essa é uma relação problemática. E listou os 75 erros mais comuns que nos impedem de ficarmos ricas. Entre eles, a culpa. Dinheiro é assunto de mulher sim! Então se você está cansada de ficar passando vontade toda vez que chega a “Vogue” nova, saiba que não há nada de errado em querer uma vida melhor (coloca Garbage aí, “The World is not Enough”).


O que é ser Rica?
Segundo a autora, você é uma mulher rica quando faz o que gosta, tem tempo para se dedicar aos relacionamentos e fazer algumas coisinhas como, viajar pelo mundo, sem preocupações com a conta bancária. E Lois dá dicas para chegar lá. Lógico, depois que você se livrar da culpa e assumir que quer ser rica, é preciso ter uma disciplina absurda. Vai ser necessário se educar financeiramente, aprender investir -ao invés de- economizar, esquecer as compras por impulso e, claro, não ir morar com ele sem antes discutir as finanças.


Porque amor e uma casinha de campo é lindo, NO CINEMA. É óbvio que os homens tinham que entrar num livro sobre como enriquecer. Porque antes, as mulheres eram educadas para conseguir um bom casamento. Hoje em dia, elas são bem sucedidas e preferem ficar sozinhas ou investir em alguma relação “alternativa”, desde que, lhe traga felicidade.


Pra buscar inspiração
Exemplos de mulheres para se inspirar não faltam! Cleópatra: queria porque queria ser rainha do Egito. E olha que ela não nasceu pobre não. O negócio é que ela era uma boa estrategista e foi se aliando às pessoas certas, na hora certa, até virar essa lenda que é até hoje.


Aliás é preciso saber onde você quer chegar. O primeiro passo para ficar rica é sonhar com a vida que você quer. E, a partir daí, traçar a rota do seu futuro. Pra não dizer que, Gloss, é só Madonna, saiba que Mademoiselle Chanel nasceu numa família paupérrima e foi criada num orfanato. E vem cá, quem é que dita moda até hoje?


Já Grace Kelly não era mau-nascida, mas estava cansada daquilo tudo. Cansada de ser musa de Hitchcock, de Hollywood. Foi quando percebeu que aquela não era a vida que queria ter. Casou-se com o Príncipe Rainier e foi ser princesa em Mônaco.




Entendeu agora porque as boazinhas não enriquecem ?




Fonte:http://crisbel164.wordpress.com/






Leia :De Gustavo Cerbasi - Mulheres Boazinhas Não Enriquecem

Leia o livro:
Baixe aqui






O QUE PODE A PALAVRA .


              “A palavra não sabe o que diz” !!!


"A palavra não sabe o que diz. A palavra delira, a palavra diz qualquer coisa.

A verdade é que a palavra, ela mesma, em si própria, não diz nada.

Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve.
Quando existe acordo, existe comunicação.
Mas quando esse acordo se quebra.
Ninguém diz mais nada
Mesmo usando as mesmas palavras."

                           Viviane Mosé

A sombra: ou você trata, ou ela domina a sua vida






Todos nós carregamos um lado negativo, também chamado de"sombra" por alguns autores. Mas o que seria mais precisamente essa negatividade? São sentimentos que acumulamos desde que somos concebidos no útero materno até os dias atuais: medo, culpa, raiva, frustração, mágoa, rejeição, abandono, tristeza e etc...



Cada experiência negativa que vivemos pode nos deixar uma marca emocional gravada. Essas marcas vão se acumulando e aumentando a nossa sombra. E quando a sombra não é curada, influencia nossos pensamentos, ações e escolhas de uma maneira muito sutil, difícil de perceber, gerando diversos tipos de problemas e sofrimento. Vou dar um exemplo baseado em um caso de uma cliente que atendi.



Essa cliente é uma pessoa bem sucedida profissionalmente, mas tem dificuldades em ter relacionamentos amorosos mais profundos e duradouros. Normalmente acontecia de ser deixada pelos namorados, gerando sentimentos de abandono e rejeição. Estava se relacionando com um homem que lhe transmitia muita segurança, mas no fundo ficava sempre com uma sensação de que ele poderia a qualquer momento acabar.



Ao aprofundarmos um pouco mais o trabalho, descobrimos que as causa mais fundamentais dessa insegurança tiveram origem na infância. Quando era criança, sentia que sua mãe nunca ficava satisfeita. Dizia sempre que ela não sabia arrumar nada, que não fazia nada direito. Por mais que se esforçasse, nunca era reconhecida e se sentia rejeitada.



A mãe tinha um comportamento instável e a qualquer momento poderia brigar com ela por um motivo banal. Essas experiências geraram vários tipos de crenças e pensamentos do tipo: Não posso confiar em ninguém, a qualquer momento as pessoas podem me rejeitar; por mais que eu faça, ninguém vai me aceitar e me amar; deve ter algo de errado comigo pois por mais que eu tente nunca consigo agradar; eu não sou boa o suficiente; ninguém vai querer ficar comigo; e etc...



Toda essa negatividade acumulada virou uma grande sombra. Essas emoções da infância geraram problemas de autoestima que a levavam inconscientemente a criar relacionamentos onde ela era rejeitada. Os sentimentos que surgiam durante os relacionamentos e ao término dos mesmos eram muito parecidos com o que ela sentia na infância: abandono, rejeição, desconfiança...



Essa repetição de sentimentos da infância não era algo claro para a minha cliente, ela só percebeu isso com nitidez durante o trabalho terapêutico, causando-lhe muitas vezes surpresa ao detectar essas conexões.



Ela tinha ainda outras questões que estavam sendo causadas pela sua sombra. Não conseguia arrumar uma bagunça em um determinado quarto em casa onde acumulava muitas coisas, e também não conseguia estudar para fazer um concurso melhor. Na verdade, esses foram os temas que a levou a buscar o trabalho terapêutico, as outras questões foram surgindo depois. E por trás dessas dificuldades estavam os problemas de autoestima e as crenças já relatadas de não ser boa o suficiente.



A sombra é como um fantasma que habita dentro de nós e que comando de uma forma sutil a nossa vida. Nos faz agir de uma forma sabotadora, sem que a gente perceba, nos levando a entrar em situações de sofrimento. A maioria das pessoas não percebe a ação sorrateira da sombra. Elas pensam que estão comandando livremente suas vidas, e não fazem idéia do quanto essas forças inconscientes estão gerando problemas em todas as áreas.



A nossa tendência é não olhar para a sombra. Muitos ignoram completamente a sua existência. Outros sabem que ela existe mas a subestimam, por não terem uma real noção do quanto a sombra está presente em nossos pensamentos e ações, como um pano de fundo que influencia tudo.



Outra vezes não queremos olhar para a sombra para não entrarmos em contato com sentimentos dolorosos e outros que não gostamos de admitir que temos (medo, inveja, raiva e etc...). Essas emoções são então reprimidas, gerando mais sombra. O fato de não olhar para elas de nada resolve. Pelo contrário, quanto mais empurramos essas emoções para o inconsciente, piores os estragos na nossa vida. A sombra prospera e cresce pela falta de "luz". Essa luz seria a nossa observação e percepção consciente dessas emoções. Assim elas podem vir a tona para serem curadas.



A sombra gera um desconforto interior também chamado de ansiedade; nos leva para os vícios e compulsões, nos faz comer mais do que deveríamos. Os mais diversos tipos de comportamentos negativos surgem. A maioria das pessoas não tem a menor noção de que existem forças inconscientes que as levam a agir dessa forma. Pensam que suas atitudes negativas se devem a preguiça, burrice, ou falta de força de vontade. Enquanto não enxergam a verdade, a sombra prospera.



O que fazemos ao utilizar a EFT é acessar essas emoções que fazem parte da sombra acumulada e dissolvê-las pouco a pouco com a ajuda da técnica. Dessa forma, os pensamentos se tornam mais claros e positivos, a autoestima melhora, e os processos de autossabotagem começam a diminuir.





André Lima.

Fonte : http://www.eftbr.com.br/content/sombra-ou-voc%C3%AA-trata-ou-ela-domina-sua-vida

Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira


"Me fiz em mil pedaços 
Pra você juntar 
E queria sempre achar 
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído 
Fiz questão de esquecer 
Que mentir pra si mesmo 
É sempre a pior mentira."


                                    Trecho da música " Quase sem querer" de Renato Russo



"Sabe quando o esforço é maior que o tamanho do salto de seu sapato e você tropeça, na tentativa de parecer uma pessoa fantástica e sem um pingo de carência? Sabe aquela pose de fatal, absoluta, resolvida? Sabe aquela coleção de conquistas? Sabe aquela postura doce, angelical? Sabe aquela maturidade para aceitar o não e dizer o sim, sem um pingo de constrangimento? Sabe aquele monte de coisas que faz de você uma pessoa rara, importante e imprescindível? Sabe aquele velho livro de poemas? Está tudo escrito nele. Naquele bonito perfil que nunca foi usado."




“Sem dúvida, definimos a mentira ideal, e sem dúvida comumente o mentiroso é mais ou menos vítima de sua mentira, ficando meio persuadido por ela: mas essas formas correntes e vulgares da mentira são também adulteradas, intermediárias entre mentira e má-fé. A mentira é conduta de transcendência. Pela mentira, a consciência afirma existir por natureza como oculta ao outro, utiliza em proveito próprio a dualidade ontológica do eu e do eu do outro. Não pode dar-se o mesmo no caso da má-fé, se esta, como dissemos, é mentir a si mesmo. Por certo, para quem pratica a má-fé, trata-se de mascarar uma verdade desagradável ou apresentar como verdade um erro agradável. A má-fé tem na aparência, portanto, a estrutura da mentira. Só que - e isso muda tudo - na má-fé eu mesmo escondo a verdade de mim mesmo. Assim, não existe neste caso a dualidade do enganador e do enganado. A má-fé implica por essência, ao contrário, a unidade de uma consciência.”



(“Má-Fé e Mentira.” In: O Ser e o Nada - Ensaio de Ontologia Fenomenológica, por Jean-Paul SARTRE, tradução: Paulo Perdigão, 92-101. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.)




Falar muito sobre si mesmo .


"Falar muito sobre si mesmo pode ser um meio de se esconder."
                                                              Friedrich Nietzsche

O bem e o mal no coração de todo ser humano.





Ah, se fosse assim tão simples! Se houvesse pessoas más em um lugar, insidiosamente 

cometendo más ações, e se nos bastasse separá-las do resto de nós e destruí-las. Mas a linha que 

divide o bem do mal atravessa o coração de todo ser humano. E quem se disporia a destruir uma 
parte do seu próprio coração? 

Alexander Solzhenitsyn


POR QUE AS PESSOAS GRITAM?



Texto de Mahatma Gandhi


"Um dia, um mestre indiano, preocupado com o comportamento dos seus discípulos, que viviam aos berros uns com os outros, fez a seguinte pergunta:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas ou quando não se entendem?
- Gritamos porque perdemos a calma - disse um deles.
- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? - questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça - retrucou outro discípulo.
O mestre volta a perguntar:
- Não é possível falar com a outra pessoa em voz baixa?
Os alunos deram várias respostas, mas nenhuma delas convenceu o velho pensador, que esclareceu:
- O fato é que quando duas pessoas gritam é porque, quando estão aborrecidas, seus corações estão muito afastados. E, para cobrir esta distância, precisam gritar para que possam escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão de gritar, para que possam ouvir umas às outras, por causa da grande distância.
E continuou o sábio:
- Por outro lado, quando duas pessoas estão enamoradas, não gritam; falam suavemente. Por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. As vezes, seus corações estão tão próximos que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, o que basta. Seus corações se entendem. E justamente isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará o dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta."



       Foto e texto copiado do Face Projeto -Estranho

Reféns de alma



                   Autor: Flavio Siqueira


Existem pessoas sedutoras que usam sua habilidade para tentar acorrentar mentes, almas, corações. Também há situações difíceis que parecem nos encurralar em becos, impedindo a saída, forçando o desespero. Nos sentimos presos, sequestrados, reféns de alma sem saber que nem os sedutores, nem as situações difíceis, nem nada ou ninguém tem o poder de lhe sequestrar a alma, a não ser que você ceda e a entregue. Se há alguma situação que parece ser mais forte que você entenda que só parece assim porque você transferiu, por medo, insegurança, culpa ou seja lá o que for, um poder que absolutamente nada e ninguém tem nem nunca terá, o poder de anular uma vida.


 Anular-se é uma entrega; 
libertar-se, uma opção.
 Assuma a responsabilidade e o comando de suas próprias escolhas. Isso é liberdade.


Luz Sonhadora





Dreaming Light
Anathema
Luz Sonhadora



De repente... a vida tem novo sentido

De repente... sentir é ser


E você brilha dentro

E o amor acalma a minha mente como o nascer do sol

Luz Sonhadora do nascer do sol


De repente... Eu não tenho que ter medo

De repente, tudo cai no lugar


E você brilha dentro

E o amor acalma a minha mente como o nascer do sol

Luz Sonhadora do nascer do sol

Luz Sonhadora e


Eu sinto você mas não lhe conheço realmente

Eu sonhei com você desde o momento em que te vi

E eu vi o nascer do sol em seus olhos

O céu... o mar... à luz


Então viva seu sonho sob o horizonte do norte

Fique em paz, definir o seu coração em vôo novamente

Para que a luz é a verdade

A luz é você



sexta-feira, 20 de junho de 2014

A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer




Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.
O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?
Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.
Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.
Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?
Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”
Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.



O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?
E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.
No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.
[Ruth Manus]

terça-feira, 22 de abril de 2014

Invista no poder da gentileza



"A gentileza é uma das qualidades mais divinas, porque o primeiro requisito para ser gentil é abandonar o ego — que nunca é gentil.

O ego é sempre agressivo, não pode ser gentil.

Ele nunca é humilde — é impossível para o ego ser humilde. Todo o seu projeto desmorona se ele for humilde. E gentileza é o caminho para se chegar à existência.

É preciso ser mais como a água do que como a rocha. E lembre-se sempre: no fim, a água é vitoriosa sobre a rocha."

Osho





Por: Rosana Braga



Prepare-se para colher os benefícios!

O que é ser gentil?


Gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado ou meramente cumprir regras de etiqueta, porque embora possamos (e devamos) ser educados, a gentileza se trata de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo.

O que você percebeu com os números da Organização Mundial da Saúde?
Percebi, bastante entristecida, o quanto temos nos colocado numa espécie de armadilha, o quanto temos nos deixado sucumbir pelas ilusões da modernidade, o quanto temos nos perdido de nós mesmos e esquecido de nossa capacidade de agir com o coração e de valorizar aquilo que realmente nos preenche, que realmente nos faz sentir felizes e plenos. Os dados são assustadores e delicadíssimos, uma vez que a depressão tende a ser, até 2020, a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares. Além disso, distúrbios afetivos como ansiedade, depressão e transtorno bipolar crescem absurdamente, sem falar em síndrome do pânico, TOC, entre outros nomes que se tornam cada vez mais comuns entre as pessoas. Diante da indignação que esses dados me causaram, encontrei mais motivos ainda para investir na gentileza e insistir no fato de que é somente agindo de modo coerente com o que realmente desejamos da vida que poderemos viver de modo mais equilibrado e menos doentio.

Por que esquecemos de ser gentis?

A rotina nos cega, costumo dizer. Pressionados por idéias equivocadas, que nos pressionam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, nos tornamos mais e mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas - mesmo com aquelas que amamos - de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nem nos darmos conta disso. É por isso que, a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte e contribuir sim para um mundo melhor. Leonardo Boff tem uma frase maravilhosa que resume bem o que quero dizer: "Não serão nossos gritos a fazer a diferença e sim a força contida em nossas mais delicadas e íntegras ações".

Você diz no livro que ser gentil nada tem a ver com ser bobo e dizer sim a todos?
Exatamente. Ser gentil nada tem a ver com ser bobo e fazer o que todos querem que a gente faça. Muito pelo contrário: quanto mais gentil somos com as pessoas, mais gentil somos também com nossa verdade, com nossos valores. Assim, dificilmente nos aviltaremos em nome de algo que não esteja de acordo com nosso coração. Pessoas que dizem "sim" a todos estão, na realidade, reforçando uma imagem de 'vítimas da vida', alimentando um argumento de 'coitadinhas', de extremamente boas e injustiçadas. Isso não é ser gentil e demonstra mais uma dificuldade em lidar com sua própria carência do que a força ou o poder contido na gentileza. Aprender a dizer "não" nem sempre é uma tarefa simples. A gente aprende que tem de corresponder às expectativas de quem amamos, desde pequeninos; daí, quando crescemos, não sabemos dizer "não" sem nos sentirmos culpados. Daí para justificar nosso medo de dizer "não", é um pulo; afinal, é bem mais fácil transferirmos a responsabilidade de nossas limitações para o outro.

Dá pra falar 'não' sendo gentil? Como?
Não só dá como é o mais inteligente. Muitas vezes, a gente associa a palavra "não" à raiva ou à falta de gentileza, quando na verdade ela é apenas uma resposta, tão cabível quanto o "sim". Desde que seja dito com sinceridade e respeito, sabendo por que motivo você está dizendo "não", a gentileza é absolutamente coerente. O problema é que a gente já diz com culpa e, para não demonstrar, altera o tom de voz, tenta se justificar acusando o outro ou inventando pequenas mentiras que tornam a relação pesada, tensa. Basta que sejamos honestos, que nos permitamos respeitar nossos limites, que aprendamos a nos dar o direito de dizer "não". Além disso, vale um questionamento: será que é tão difícil dizer "não" porque, na verdade, você não consegue ouvir o "não" do outro? Será que esta dificuldade em negar ao outro não está a serviço de poder lhe cobrar sempre o "sim"? Enfim, lance mão de um tom de voz compreensivo e afetuoso e o seu "não" será muito mais humano e aceitável do que aquele que a gente costuma dizer gritando, acompanhado de gestos agressivos.

Que benefícios a gentileza nos traz?
Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas, muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim, propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber gentilezas.
No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido, cada vez mais, profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas, competência técnica é oferecida em universidades de todo o país, mas habilidades humanas como a gentileza são características escassas e muito bem quistas no mundo atual.

Como a gentileza interfere no nosso dia-a-dia? Nas relações de trabalho, no amor, na família?
Como disse anteriormente, a gentileza facilita todas as relações. No livro, conto a comovente história de vida do Profeta Gentileza, que viveu na cidade do Rio de Janeiro pregando a paz entre as pessoas. Ele tinha uma frase que ilustra muito bem o que chamo de "poder" da gentileza: GENTILEZA gera GENTILEZA. Do mesmo modo, o contrário também é verdadeiro. Ou seja, grosserias geram grosserias e a gente sabe que ninguém gosta de ser tratado de forma grosseira. Em minha palestra (com o mesmo título do livro), abordo os malefícios que a falta de gentileza causa em nossa saúde física, emocional e mental. Para se ter uma pequena idéia do quanto a gentileza interfere em nosso dia-a-dia, basta notar: pessoas intolerantes, briguentas e pouco ou nada gentis geralmente sofrem de enxaqueca, gastrite, ansiedade, cansaço, falta de criatividade, entre outras limitações. Sendo assim, o que podemos fazer de mais inteligente é tratar de praticar a gentileza quanto mais conseguirmos. E isso é uma escolha, antes de mais nada.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Perdas necessárias




"Somos sujeitos reprimidos pelo proibido e limitados pelo impossível que buscam se adequar aos seus relacionamentos imperfeitos. Vivemos de perder, abandonar, desistir e, mais cedo ou mais tarde, aprendemos que não há escudo contra as perdas e as dores que as acompanham. Somos sujeitos condenados a lidar com as perdas necessárias.

A estrada da vida é pavimentada de perdas e por mais inteligente que sejamos, temos que perder. Até nos sonhos que nos damos ao direito de sonhar e nos nossos relacionamentos mais importantes, precisamos nos defrontar com o que jamais teremos nem seremos, pois por mais que amemos, somos totalmente incapazes de oferecer qualquer abrigo contra as marcas do tempo, contra a velhice, contra a dor, contra as perdas necessárias.





Aceitando que há um impossível, que há um proibido, exercemos melhor nossa liberdade de escolha, nosso livre arbítrio, na medida em que toda escolha requer uma renúncia.
E enfrentando as perdas que os anos de vida trazem consigo, sofremos, choramos, crescemos e nos adaptamos: cada perda em cada estágio da vida comporta uma lição, uma oportunidade de crescimento e transformação, indefinidamente... até o último suspiro.


Se considerarmos que cada perda pela qual passamos é um limão que a vida nos dá, se vamos amargar até a última gota, se vamos fazer limonadas ou caipirinhas se, quando forem muitos, vamos aprender a fazer malabaris, depende de cada um. "


  Judith Viorst - Perdas Necessárias



Copiado daqui: Frases psicanaliticas

Dor de amor


" Dor de amor é a mais vulgar (no sentido de ser a mais comum), dor existencial é uma transcendência. Não evito minhas dores, vou até o cerne dos sentimentos, vejo-a tão vital quanto a alegria. Pois se, através deste processo também me vem a necessidade de auto-investigação e evolução interna, por mais desnorteada que eu me veja enquanto inserida no emocional da situação, é esse desconforto que me indica o degrau acima, me tira da zona de conforto, me instiga a buscar uma nova direção. A dor bem aproveitada não deve ser temida, deve ser usada como ferramenta para o autoconhecimento, extirpação do mal-resolvido, para o crescimento. Eu não temo a dor, nem emoção alguma, se assim fosse, até a alegria me incomodaria. O que não permito é que ela me leve ao estado da prostração, da autopiedade ou de algo que não aceite regeneração. Dor transmuta-se. E o Tempo dono de todas as coisas, ensina quão provisório é o pranto e a gargalhada. Por isso não recuso nada. 
Que venha o que vier, como vier. Eu suporto qualquer circunstância que me lapide, que me desassossegue para que eu valorize os momentos de paz do meu coração. 
Vida é totalidade. Inclui tudo. Vida é vontade de Mundo.
Dor faz parte da vida e, por mais preciosa que seja, não permito que ela seja a parte mais importante.


Marla de Queiroz





segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O novo ano não é um ano novo.

                                 
                     - Novo ano, não no calendário, mas dentro das nossas vidas -


Por : Daniel Cândido da Silva

"O novo ano não é um ano novo. É a continuidade da vida com um interlúdio festivo. Não mudamos porque o ano seja novo! Mudamos porque a vida nos bate na cara, ou porque a nossa inteligência e o nosso amor nos dizem que devemos ser mais humildes aqui ou mais reivindicativos acolá, mas sempre mais humanos! E ser mais humano não é deixar cair os nossos legítimos interesses e direitos, mas usá-los como quem sabe que possui uma força que deve ser habilmente conduzida, e não uma verborreia de impropérios que apenas nos satisfaz momentaneamente.

O mundo não muda de repente, que não pelas ações individuais que se vão tornando colectivas por contágio. Um dos grandes males é a nossa omissão em muita coisa. Dizermos que não fazemos mal a ninguém, pode ser afinal maior erro do que o erro em si. Devia haver o Dia Internacional da Responsabilização por Omissão. Muitos pecados sociais são precisamente o da nossa não ingerência, não como quem invade ou abusa, mas como quem deixa uma palavra que pode salvar situações e pessoas. Pode ter o custo da reputação, do amor próprio ou outra coisa qualquer, mas é nestas supostas minudências que se prova um Homem!

Imprescindível, pois, não são os votos de boas festas ou muitas passas, mas a disponibilidade que possamos ter para nós mesmos e para os outros, numa vertente concertada de espaço inter-relacional. E que o sonho, a paz e o amor comandem a lista das nossas prioridades em gestos simples mas efetivos do quotidiano. Então sim, será um novo ano, não no calendário, mas dentro das nossas vidas."





domingo, 5 de janeiro de 2014

A sordidez humana


Por  Lya Luft 




"Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós, que ri quando o outro cai na calçada?"

Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.
Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?

O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: "Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha". Ou: "Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele". Mais ainda: "O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...". Outras pérolas: "Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...".

Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer "Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...", e aí se lança o malcheiroso petardo.

Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.

A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.


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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

D e l i c a d e z a s

                        Por :  Valéria Montenegro

Estava  decidida  a  arrancar  a  planta  inútil.  Comprada  em  lugar  especializado,  escolhida  entre  outras  mais,  para  ficar  ao  lado  do flamboyant   de  jardim,  simplesmente  ela  se  manifestara  como  uma  grande  decepção.

Em  quase  um  ano  de  plantada  e  regada  a  contento,  mantinha-se  feia,  escassa,  desfolhada,  sem  a  profusão  de  cachos  brancos  que  uma  similar,  exposta  no  mesmo  canteiro,  prometia  e  anunciava.  Enfim,  um  fracasso.  Chegava  a  envergonhar  o  conjunto,  tão  disforme  e  depenada  ao  lado  da  árvore  principal,  que  se  manifestava  festiva,  em  bagos  que  se  abriam  em  caramanchões  de  amarelo.

Resolvi,  de  pronto,  sacrificá-la,  ainda  tão  irrelevante,  dentre  as  primícias  do  novo  reino.  Puxei-lhe  o  caule,  aparentemente  frágil.  Outra  vez  e  outra  mais,  com  mais  esforço  a  cada  uma.  Nada.  Recusava-se  a  sair  do  chão.  Parecia  muito  enraizada,  apegada,  resolvida.  Desisti.

Não  sei  quanto  tempo  depois,  a  revelação:  começaram  a  pipocar  cachos  novos,  alternativos  inclusive  ao  tronco  principal,  ainda  tão  esguio.  Cachos  de  flores  miúdas,  muito  brancas,  muito  lindas.

Enfrentou  o  primeiro  inverno  depois  da  metamorfose,  com  galhardia  e  destemor.  Suportava  chuvas  intensas,  que  lhe  vergavam  os  tenros  galhos,  em  cujas  pontas  as  flores  miúdas  se  faziam  pesadas  demais  para  serem  carregadas  assim,  tão  molhadas.  E,  no  começo  do  novo  verão,  com  alguma  aguação  meio  descuidada,  continuou  o  seu  progresso,  espessando  tronco  e  multiplicando  ramos  e  cachos  e  flores.

Não  tem  nome  a  planta,  nem  na  casa  de  jardinagem  souberam  dize-lo.  Chamo-a  de  pipoca.  Tão  linda,  tão  delicada  e  tão  forte.  Já  não  faz  vergonha  junto  ao  pequeno  flamboyant  amarelo.  Ao  invés.  Combinam.  Fazem  par,  entrelaçam-se  em  harmonia.

Uma  vez,  neste  mesmo  jardim,  aconteceu  com  a  jabuticabeira.  Plantada  ao  mesmo  tempo  que  as  outras  árvores  frutíferas,  já  crescidas  e  prontas  para  a  maturidade  precoce,  ela  não  reagia  aos  cuidados,  aos  muitos  banhos,  às  costumeiras  podas.  Disse   eu   então,  na  frente  das  outras,  elogiando  as  flores  perfumadas  da  laranjeira :  Esta  jabuticabeira  não  agradece  nada !!!

Como  por  encanto,  pouco  tempo  depois,  ela  começou  a  cobrir-se  de  nova  folhagem  encorpada  e  abundante . . .  e  sem  avisar,  veio  a  penugem  branca,  os  frutos  verdes,  que,  de  ora  para  outra,  materializaram-se  em  belas  e  deliciosas  jabuticabas . . .

Nas  duas  vezes,  os  acontecidos  foram  absolutamente  espontâneos.  Fui  sincera  com  elas.  Responderam  do  seu  modo,  que  me  causaram  profunda  emoção  e  prolongada  meditação . . .

Será  assim  também  com  as  almas  humanas?  Ou,  ao  menos,  com  algumas  delas ?
Algumas  negam  resposta,  deixam-se  arrancar  como  se  fossem  mesmo  inúteis  e  inexpressivas,  dos  jardins  da  vida.  Outras,  estimuladas  pelo  desafio  ou  pelo  perigo,  ou  mesmo  pelo  insulto,  reagem  com  florescimento,  frutificação  e  beleza . . .






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Textos no arquivo :


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector