"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Medo de Perder .









Por :Antônio Roberto Soares - Psicólogo 

Um dos maiores obstáculos para uma vida plena, harmônica, mais expressiva e signigicativa, é o medo de perder; sobretudo, o medo de perder alguém, o medo de perder alguém que nós dizemos amar, o medo de perder a esposa ou esposo, OS filhos, OS amigos, o patrão, o empregado, o cliente. Esta emoção é a principal responsável pelo nosso sofrimento vital.




 O medo de perder é o medo de nos tornarmos dispensáveis para a pessoa com a qual nos relacionamos. O medo de perder se reveste de mil e uma formas, aparece sob mil disfarces: medo de sermos criticados por alguém, medo de que falem mal de nós, medo de que nos humilhem, medo de sermos abandonados, medo de sermos rejeitados, medo de não sermos importantes, medo de não sermos ilustres, medo de sermos menosprezados, medo de não sermos amados, medo DA solidão. E tudo isso pode ser designado mais claramente por uma palavra: ciúme.
O ciúme é o medo de não ter alguém, de não possuir alguém, de não vir a ser dono de alguém. Na relação ciúmenta,
Colocamos nós e o outro como objetos. Nesta relação, pessoa e objeto são a mesma coisa. No ciúme, temos medo de sermos algum dia considerados inúteis, dispensáveis a outra pessoa. Esta é a emoção do sofrimento, a emoção do apelo, a emoção DA relação confusa, misturada, dependente. E o que a agrava é que na nossa cultura aprendemos do ciúme como sendo amor. E o ciúme é justamente o contrário. O ciúme é o oposto do amor. Na relação amorosa, existe identidade: "Eu sou, independente de você!" Na relação ciumenta, por outro lado, na relação objetal, perde-se a identidade: "Eu, sem você, não valho nada.
Você é tudo para mim!" O amor é solto, é livre, vem de querência íntima, está diretamente ligado ao sentido de liberdade, de opção, de escolha. O ciúme prende, amarra, condiciona, determina. "Com esta emoção, eu já não sou eu; sou o que o outro quer que eu seja. E eu sou o que o outro quer que eu seja, para que ele também seja o que eu quero que ele seja." No ciúme, há um pacto de destruição mútua, em que cada qual USA o outro como garantia de que não estará sozinho: "Eu me abandono para que o outro não me abandone, eu me desprezo para que o outro não me despreze, eu me desrespeito para que o outro não me desrespeite, eu me destruo para que o outro não me destrua.
O ciúme é o medo de ser dispensável a alguém, e o mais grave talvez esteja aqui: passamos a vida inteira com medo de nos tornarmos para OS outros um dia o que nós já somos - totalmente dispensáveis. O homem é, por definição, dispensável, transitório, efêmero, aquilo que passa - e isto é bastante real. Em todas as relações que temos hoje somos substituíveis. O mundo sempre existiu sem nós, está existindo conosco e continuará a existir sem nós. Nós somos necessários aqui e agora, mas seremos dispensáveis além e depois. O medo de ser dispensável a alguém é o mesmo medo DA morte, que tambem é real.
O medo DA morte é o ciúme DA vida. É a vontade falsa, irreal, de sermos eternos, permanentes e imutáveis. O medo de perder nos leva a entender que as coisas só valem a pena se forem eternas, permanentes, duráveis. Uma relação só tem valor, neste caso, se tivermos garantia de que sempre será assim como é. E como tudo é transitório, como tudo é mutável, como tudo é passível de transformação, o medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento.
As consequências do ciúme são muito claras: "Se eu tenho medo de que me abandonem, de me tornar dispensável a alguém, de que não me amem, ao invés de fazer tudo para ser cada vez mais, para ser cada vez melhor, eu vou gastar toda a minha vida, todas as minhas energias para provar aos outros que eu já sou o mais, que eu já sou o melhor, que eu já sou o primeiro.
Ao invés de empenhar esforços para ser um marido, p. Ex., cada vez melhor, um filho cada vez melhor, uma esposa cada vez melhor, um pai ou mãe cada vez melhor, um chefe cada vez melhor, uma empregada cada vez melhor, eu gasto minhas energias para provar à minha mulher, aos meus amigos, aos meus filhos, ao meu marido, ao meu chefe, ao meu empregado, que eu já sou o melhor pai do mundo, o que é mentira; o melhor marido do mundo, o que é mentira; o melhor amigo do mundo, o que é mentira; o melhor chefe do mundo, o que é mentira; o melhor empregado do mundo, o que é mentira!"; e assim por diante.
O ciúme nos conduz ao delírio DA onipotência. Os nossos atos, as nossas iniciativas, a nossa conversa, o nosso
comportamento, as nossas considerações, tudo é para mostrar aos outros que nós já somos bons, fortes, capazes e perfeitos.
Aqui está a diferença básica, fundamental, entre o medo de perder e a vontade de ganhar. O medo de perder é assim:
"Ganhamos, ninguém vai nos tomar. Gastaremos todas as energias para defender o que nós já possuimos, para conservar o que já ganhamos. Nós já chegamos ao ponto máximo, só temos que perder". A vontade de ganhar, por outro lado, é assim: "Estaremos sempre ativos, descobrindo as oportunidades do ganho. Procuraremos ganhar cada vez mais, ao invés de nos preocuparmos com possíveis perdas. O que nós temos de mais sagrado é a nossa própria vida, e esta, nós já vamos perder.
Todas as outras perdas são secundárias. O medo de perder é reativo, defensivo, justificativo. As pessoas ciúmentas estão sempre com um pé atrás e outro na frente. Sempre se prevenindo para não perder, sempre se preparando, sempre se conservando. As pessoas com vontade de ganhar estão sempre ativas, sempre optando, arriscando. O medo de perder é a vivência do futuro, é a vivência antecipada do futuro, é preocupação. A vontade de ganhar, por outro lado, é a vivência do presente, é a vivência da beleza do presente. Em tudo, a cada momento, existem riscos e existem oportunidades. No medo de perder, a pessoa só vê os riscos. Na vontade de ganhar, a pessoa vê os riscos mas, sobretudo, vê também as oportunidades.
Cada momento da vida é um desafio para o crescimento. A vontade de ganhar, a qual nos referimos, não significa ganhar de alguém, mas gamhar de si mesmo, ser cada vez mais, estar sempre disposto a dar um passo à frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais. É importante termos sempre para nós que hoje podemos crescer um pouco mais do que éramos ontem; descobrir que ninguém chegou ao seu limite máximo, e que idade adulta não significa que chegamos ao máximo de nossa potencialidade. Não existe pessoa madura. Existe, sim, a pessoa em amadurecimento. Todo o nosso sofrimento vem de uma paralização do crescimento pessoal e cada um de nós sabe muito bem onde paralizou, onde a nossa energia está bloqueada, onde não está havendo expansão da nossa própria energia.
Ainda não vimos, ate hoje, um relacionamento se deteriorar sem uma presença marcante do ciúme, do desejo de sermos donos da outra pessoa, de uma ansia de mais poder e controle sobre os pensamentos, os sentimentos e as ações da pessoa a quem dizemos amar. O ciúme é a doenca do amor, é um profundo desamor a si mesmo e, consequentemente, um desamor ao outro.
Pelo ciúme, se estabelece uma relação dominador/dominado. O ciúme é a dor da incerteza com relação aos sentimentos de alguém no futuro. É a raiva de não possuir a seguranca absoluta do relacionamento, do futuro. É a tristeza de não saber o que vai acontecer amanha. Alias, o que doi no ciúme é a inseguranca do futuro, é a inseguranca do desconhecido. A loucura esta ai: Passamos a vida inteira tentando conseguir o que jamais conseguiremos - seguranca! A seguranca não existe, não existe nada. Ser seguro não significa acabar com a inseguranca, mas aceita-la como inerente a natureza do homem. Ninguem pode acabar com o risco do amor. Porisso, so é possivel estarmos em estado de amor, se sabemos estar em estado de risco.
Desperdiçamos o unico momento que temos, que é o agora, em função de um momento inexistente, o futuro. Parece que as pessoas so valem para nos no futuro. Nos não curtimos hoje o relacionamento com a mulher, com os filhos, com os amigos, sofrendo pela possibilidade de um dia não sermos queridos por eles.
O filho, por exemplo, parece que sos no é importante amanhã quando crescer, se formar, quando casar, quando trabalhar, etc.
Ate hoje ainda não conhecemos um pai preocupado com o futuro dos filhos que estivesse brincando com eles. Em geral, não têm tempo porque estão muito preocupados em assegurar-lhes um futuro brilhante.
O ciúme é a incapacidade de vivenciarmos hoje a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida, querendo ou não. Hoje estamos comecando, e viver é considerar cada segundo de novo. A cada dia, o seu proprio cuidado. O medo daquilo que me me pode acontecer tira minha alegria de estar aqui e agora, o medo da morte tira-me a vontade de viver, o medo de perder alguém tira-me a beleza de estar com ele agora. Alias, quando temos medo de perder alguém, é porque imaginamos que as pessoas são nossas. Ninguem pode perder o que não tem e nos sabemos que ninguem é de ninguem. Cada pessoa é unica e exclusivamente dela mesma. Esta é outra falsidade. Podemos perder um livro, um isqueiro, um baralho, uma bolsa, porém jamais uma pessoa.
O sinônimo do medo de perder é a obsessão do primeiro lugar. O que é a obsessão do primeiro lugar? É colocarmos nos outros a tarefa impossivel de sermos sempre os primeiros em todos os lugares e em todas as circunstancias. Se é em casa, queremos ser o primeiro; no trabalho, queremos ser o primeiro; numa reuniao, queremos ser o primeiro; no futebol, queremos ser o primeiro; num assunto especifico, queremos ser o primeiro; e em outro assunto qualquer, sempre o primeiro.
O primeiro lugar é amarelante, deteriorante, ao passo que o segundo lugar é esperancoso, é reverdejante, pois quando alguém chegou ao cume da montanha, so lhe resta um caminho: - comecar a descer.
No segundo lugar, ainda temos para onde ir, para onde crescer. A postura do segundo lugar nos leva ao crescimento, ao crescimento continuo. Por que voce não se decreta no segundo lugar, mesmo quando esteja ocupando socialmente e
eventualmente o primeiro lugar? O segundo lugar, não em relação ao outro, mas em relação a voce mesmo, ou seja, ainda temos por onde crescer e melhorar. Você sabe por que o mar é tão grande, tão imenso, tão poderoso? É porque teve a humildade de se colocar alguns centimetros abaixo de todos os rios do mundo. Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, alguns centimetros acima de todos os rios, não seria o mar, mas uma ilha. Toda a sua agua iria para os outros e ele estaria isolado. E, alem disso, a perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte. É impossivel vivermos satisfatoriamente se não aceitarmos a perda, a queda, o erro e a morte. Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Não e possivel ganhar sem saber perder, não e possivel andar sem saber cair, não e possivel acertar sem saber errar, não e possivel viver sem saber morrer. Em outras palavras, se temos medo de cair, andar sera muito doloroso; se temos medo da morte, a vida é muito ruim; se temos medo da perda, o ganho nos enche de preocupações. Esta é a figura do fracassado dentro do sucesso. Pessoas que quanto mais ganham, quanto mais melhoram na vida, mais sofrem. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre, quanto mais dinheiro tem mais preocupada fica; para a pessoa que tem medo do fracasso, quanto mais sobe na escala social, mais desgracada é a sua vida.
Em compensação, se voce aprende a perder, a cair, a errar, ninguem o controla mais. Pois o maximo que pode acontecer a voce é cair, é errar, é perder, e isso voce já sabe. Bem-aventurado aquele que já consegue receber, com a mesma naturalidade, o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte. 





Fonte da imagem:http://www.vilela.pro.br/

2 comentários:

  1. bom dia querida!!
    ESTOU SEMPRE POR AQUI.
    Adoro teu blog,tão rico em tudo inclusive em layot.
    Realmente precisamos perder o medo de perder para ganhar mais pra frente.
    o medo no findo [e um desejo..veja este texto...

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  2. Medo e Desejo, dois opostos que levam para um mesmo fim.

    Não é raro ouvirmos uma explicação simplista de que quando temos muito medo de alguma coisa, a palavra proferida "chama" e acaba acontecendo exatamente aquilo que se temia. O resultado muitas vezes é extremante desagradável, e as pessoas costumam dizer "eu avisei".

    Na verdade parece que tudo o que ouvimos uma vez que "o universo conspira a nosso favor" ou as palavras bíblicas de que "tudo concorre para o bem daqueles que temem a Deus", ou muitos outros ditados populares parece que não passam de ilusão, e até mesmo, porque não dizer, uma anedota, uma piada que de nada serve ao não ser para enganar os "trouxas". O problema é que não é tão simples assim.

    Estes dias fui interrogado a respeito de um senhor que faleceu há pouquíssimo tempo. Ele estava apresentando "transtorno do pânico". Sempre fora muito alegre, muito festeiro, muito sério em seus negócios e também com a vida. Só tinha uma dificuldade, a bebida alcólica.

    Era um grande Doutor, nefrologista, uma pessoa muito querida e especial. Para mim, um grande homem, o conheci há muitos anos, amigo da família, e tenho um grande carinho por sua família e também por sua memória.
    amiga oa contc.segue abaixo no blog do marcos
    bjs


    http://mclmarco.blogspot.com/

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Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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