"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Nossa sombra




                      Ao encontro com a sombra



A sombra, tal como Robert Bly refere, pode ser comparada a uma comprida sacola que arrastamos atrás de nós.
Começamos a encher a sacola desde a infância. Logo com 1 ou 2 anos, a criança é como se fosse um arsenal de emoções e possibilidades de atitudes diversas, esperando espalhar esse mundo em todas as direções. Assim que os pais começam a reprovar alguns comportamentos dizendo frases como “um bom menino não bate no irmãozinho”, “pare de correr”, “fique quieto”, "engula o choro" as crianças passam a buscar, então, um comportamento que seja condizente com o que os pais querem e, para tanto, reprimem aquela energia de raiva, ou de inquietação, que poderiam significar prazer e reprimem os impulsos espontâneos... As que não reprimem, apenas sentem-se culpadas por ter “agido mal”.

Com o tempo as emoções genuínas e sua expressão começam a ter que ser julgadas e separadas em certas ou erradas, boas ou más, e a sacola vai se enchendo mais e mais, pois, como observa Robert Bly:

“Atrás de nós temos uma sacola invisível e, para conservar o amor de nossos pais, nela colocamos a parte de nós que nossos pais não apreciam.”

Além dos nossos pais, nossa experiência na escola acaba por ajudar a encher mais ainda nossa sacola, quando ouvimos “Meninas inteligentes não devem fazer assim", ou “quem sai dos padrões de aparência física tem que mudar", aí novamente estamos diante dos valores que não foram construídos a partir das nossas escolhas e verdades...

São marcados a partir das referências das figuras que temos como modelos, porque é importante ter o afeto delas. Por exemplo, é normal uma criança sentir raiva, mas diante dos valores que aprendeu de que “é feio ter raiva”, se sente culpada, diminui a importância do sentimento diante de muitas situações e o coloca rapidinho na sacola, porque não quer perder o amor da mãe.

Assim, vamos arrastando nossa sacola pela vida afora, inicialmente quando levamos as referências de valores dos nossos pais, e mais tarde quando associamos estas já apreendidas às referências da sociedade apreendidas na escola, no convívio com nossos amigos, grupos sociais e religiosos.

Diante desta sacola o conflito aparece, justamente, porque nem tudo que aprendemos ser “errado ou mau” são, na verdade, essas duas coisas. E isso é que faz com o que o material da sacola comece a “cheirar mal” e a nos incomodar, porque de tempos em tempos, percebemos sinais do poder e da importãncia que essas emoções escondidas poderiam ter em nossa vida.

A dimensão da sombra é gigantesca nos adultos. A sacola aumenta proporcionalmente à quantidade de censura relativa aos nossos sentimentos naturais e espontâneos.

Energias naturais do ser humano tais quais sexualidade, impulsividade, agressividade, raiva, ódio, revolta são, normalmente, colocadas na sacola durante toda uma vida.

Aqui existe outro elemento: quanto mais guardamos essas energias, mais e mais intensas e latentes se tornam. Ficam como se fermentassem lá dentro de nós, e quando não colocadas para fora, acabam gerando a mais ampla gama de doenças e sintomas.

Conforme os anos passam e este conteúdo sombrio cresce, tende a ser maior a dificuldade de entrar em contato com ele. Por isso, muitas pessoas quando começam a envelhecer, sentem muito medo de abrir a sacola, como se o conteúdo dela fosse invadir sua vida e causar danos, mas na verdade esse conteúdo já os assombrava há tempos...

Existe muito medo dentro de nós de olhar para o que já foi guardado.

Por isso enxergamos muitas dessas coisas nos outros.

“Peça para um amigo lhe descrever o tipo de personalidade que ele acha mais desprezível, mais insuportável, mais odiosa e de convívio mais impossível; ele descreverá as suas próprias características reprimidas – uma autodescrição do que é absolutamente inconsciente e que, portanto, sempre o tortura quando ele recebe seu efeito de uma outra pessoa. Essas mesmas qualidade são tão inaceitáveis para ele precisamente porque elas representam o seu próprio lado reprimido; só achamos impossível aceitar nos outros aquilo que não conseguimos aceitar em nós mesmos. Qualidades negativas que não nos incomodam de modo tão intenso ou que achamos relativamente fácil de perdoar , em geral não pertencem à nossa sombra.”

Mas, quando estamos procurando nos conhecer realmente e amadurecer emocionalmente, a sacola precisa ser aberta para liberarmos a energia desses sentimentos e emoções que armazenamos durante anos.

Esta sacola pode ser aberta, percebida e assimilada, o que, por sua vez, propicia que seu potencial destruidor e conflitivo possa ser reduzido e a energia vital que estava aprisionada possa ser liberada, gerando mais tranqüilidade e equilíbrio emocional.

Nossa “pressão interna” ou “fermentação” irá diminuir.

Conhecendo o que guardamos inconscientemente por tanto tempo, podemos fazer escolhas mais sensatas a respeito de novamente empurrar ou não para nossa sacola sentimentos que precisam ser compreendidos e aceitos como parte de nossa natureza humana.

Assim, fica mais simples celebrar o que é espontâneo e natural na vida, fica mais simples exercitar nossa possibilidade de SER!

Robert Bly






Fonte:  http://www.teias.com.br/

2 comentários:

  1. somos isso mesmo :) a nossa sombra, o nosso passado ...que vai envhendo a sacola :)

    bj
    teresa

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  2. Rejane, somos sombra também,que belissimo texto! adorei...bjosss

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Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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