"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A dimensão esquecida: a vida interior



                " Embora ninguém possa voltar atrás para fazer um novo começo,
qualquer um pode começar agora a fazer um novo fim."
(Chico Xavier)





Por: Leonardo Boff
                                                                        

        Vida interior representa, atualmente, uma das dimensões mais esquecidas da humanidade. Urge resgatá-la pois nela se encontra serenidade e o sentimento sagrado da dignidade. 



 Primeiramente, importa aclarar a palavra interior. Ela é o reverso do exterior. A vida possui uma dimensão exterior. É a nossa corporalidade. A cultura moderna inflacionou a exterioridade através de todos os meios de comunicação. O mundo das pessoas foi totalmente devassado.


 Mas existe também o interior. Geralmente o interior é aquilo que não se vê diretamente. Podemos conhecer e até nos fascinar pelo exterior de uma pessoa, por sua beleza e inteligência. Mas para conhecê-la, precisamos considerar o seu interior, seu coração, seu modo de ser e sua visão de mundo. Só então podemos fazer
juizos mais adequados e justos sobre ela.


 Interior possui ainda um significado de qualidade de vida. Assim dizemos que a vida no interior é mais tranquila, mais integrada na comunidade e na natureza, no fundo, com mais possibilidade de nos fazer felizes. É que a vida no interior não está sujeita à lógica da cidade com o ir e vir das pessoas e com a parafernália técnica e
burocrática e as ameaças de violência.


 Por fim, interior significa a profundidade humana. Este interior, o profundo, emerge quando o ser humano pára, faz silêncio, começa a olhar para dentro de si e a pensar seriamente. Quando coloca questões decisivas como: que sentido tem minha vida, todo esse universo de coisas, de aparelhos, de trabalhos, de sofrimentos, de lutas e de prazeres? Há vida para além da vida, já que tantos amigos morrerram, às vezes, de forma absurda, em acidentes de carro e por bala perdida? Por que estou neste planeta pequeno, tão belo mas tão maltratado?


 Quem oferece respostas? Geralmente são as religiões e as filosofias pois sempre se ocupam com estas questões. Mas é ilusório pensar que com a frequência aos cultos ou com a adesão a alguma visão de mundo se garante vida interior. Tudo isso importa, mas só na medida em que produzir uma experiência de sentido,
uma comoção nova e uma mudança vital.


 Vda interor não é monopólio das religiões. Estas vêm depois. Vida interior é uma dimensão do humano. Por isso é universal. Está em todos os tempos e em todas as culturas.


 As religiões cumprem sua missão quando suscitam e alimentam a vida interior de seus seguidores, quando lhes criam condições de fazerem a viagem para o seu interior, rumo ao coração onde habita o Mistério. Vida interior supõe escutar as vozes e os movimentos que vêm de dentro. Há um eu profundo, carregado de anseios, buscas e utopias. Há uma exigência ética que nos convida para o bem, não apenas para si mesmo pessoalmente
mas também para os outros.


 Há uma Presença que se impõe, maior que a nossa consciência. Presença que fala daquilo que realmente conta em nossa vida, daquilo que é decisivo e que não pode ser delegado a ninguém. Deus é outro nome para esta experiência que preenche a nossa busca insaciável.


 Cultivar esse espaço é ter vida interior. O efeito mais imediato desta vida interior é uma energia que permite enfrentar os problemas cotidianos sem excessivo estresse. Quem possui vida interior irradia uma atmosfera benfazeja e confere repouso àqueles que estão à sua volta.


 Alimentar vida interior, como sempre repete Arthur da Távola em seu programa de televisão "Quem tem medo de música clássica" é não ter mais solidão. A solidão é um dos maiores inimigos do ser humano, porque o desenraiza da conexão universal. A vida interior o religa ao Todo do qual é parte.

Entrevista: Leonardo Boff
Revista Fórum 11/0/2008 

                                Não há Felicidade sem Verdadeira Vida Interior


Vida Interior

Muitas vezes se ouve dizer que há que voltar à vida interior. Porém, que é vida interior na realidade? Por que há que voltar?
Também se explica que o mal do homem consiste num contínuo voltar-se para o exterior, que se se procurasse no interior encontraria a solução de todos os problemas. Em que consiste essa busca e como realizá-la?
São muitas as almas ansiosas de vida interior, mas não sabem o que fazer para alcançá-la, e quando olham para dentro, se encontram desconcertadas e a obscuras.
Todos podem chegar à plenitude da vida interior, porém há almas e almas, estados e estados.
Alguns crêem que a vida interior é pensar muito, investigar seus problemas, volver continuamente sobre si. Outros buscam a vida interior com um esforço concentrado da vontade na realização de seus propósitos. É bom pensar e meditar sobre as necessidades da alma, mas isso não é vida interior. Se vida interior não significa pensar ou auto-analisar-se, poderia crer-se que é a prática contínua de exercícios de meditação ou oração. Estes são atos do ser que ajudam, mas que não são vida interior.
Vida interior é uma atitude vital, total, do indivíduo.
Vida interior é principalmente, inverter o movimento habitual da alma; não uma ação dirigida para dentro, senão uma elevação dos valores espirituais por sobre os valores humanos. Ao falar aqui de valorização do espiritual, não se entende como uma atitude mental, senão como um novo sentido dado à existência ao situá-la dentro de seus termos transcendentes.
Isto faz que se desloquem naturalmente os centros naturais de interesses para um objetivo único e divino, e que as forças da alma deixem de dispersar-se em gastos inúteis para concentrar-se numa ação única espiritual.
A vida interior não é então somente um movimento ativo da alma, senão uma disposição espiritual habitual que transforma os atos desconexos e desordenados do homem na sua verdadeira vida, em vida espiritual.
Quando se diz que é necessário ‘voltar’ à vida interior, causa a impressão de que esta é um bem que se possuiu um dia e que não mais o temos. Se se diz que há que voltar é porque sempre há na alma um saber obscuro e indefinido de ter em si, desde sempre, o bem que busca com tanta dor e que lhe dará felicidade. É como uma consciência profunda de ser; um saber que toda conquista só será um redescobrimento. Nesse saber está a segurança infusa e inquebrantável de que se chegará ao fim, que se cumprirá o destino eterno.
Para que a vida interior seja possível não é suficiente a fé na vida espiritual, ou aceitar o pensamento de que os valores humanos são vãos e passageiros.
Indubitavelmente uma fé ampla aumenta as possibilidades do homem; mas uma coisa é o pensamento aceitado pelas pessoas e outra muito distinta a realidade viva da alma. A vida pode estar regida por tendências completamente opostas às idéias que se crê ter. A tragédia do homem consiste em que ele é algo muito diferente do que crê ser, e seus pensamentos e idéias estão continuamente desvirtuados pelos seus atos e tendências. Por isso o principal esforço na vida espiritual consiste em conseguir uma unidade entre mente e mente, e entre mente e coração.
Não é então a perfeição da vida interior uma concentração ativa; em troca consiste numa expansão anímica, num ato simples do espírito.
Vida interior é autoconsciência progressiva e expansiva. É o novo mundo que o homem tem que descobrir e conquistar. Para isso é necessário que conheça os meios de que dispõe para conseguí-lo.
Primeiro há que saber que é o bom; depois há que viver de acordo a isso para transformar-se ao fim no bem mesmo.
Viver centrado em si, não fora de si ou dentro de si. O pensamento que se derrama pessoalmente sobre si, afasta o ser de seu centro divino. Só a Renúncia fixa à alma na vida interior pura e simples.
Quando só o espiritual conta, o humano se situa, e a vida ilusória se faz vida, vida interior.
Só a vida interior dá a experiência da Ensinança e os mistérios divinos. Todos os problemas perdem importância para permanecerem vivos só os problemas fundamentais.
Desde um ponto de vista místico, o grau de vida interior está dado pela profundidade do recolhimento adquirido ou, também, pela claridade habitual do controle e autoconsciência.



Fonte  :  santiagobovissio





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"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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