"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




terça-feira, 16 de junho de 2009

Sentimento de Culpas

                                                   
 

Culpa ,esse sentimento tão devastador !

"O sentimento de culpa é o sofrimento obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo. A base deste sentimento, do ponto de vista psicanalítico, é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo superego daquilo que achamos que deveríamos ter sido."






“Tendemos a culpar o outro pelo nosso profundo sofrimento, quando na verdade nosso sofrimento foi causado por tudo aquilo que já existia dentro 

de nós”


A culpa de todos nós ! 

Por :Rosemeire Zago

 


“A verdade sai do erro. Por isso nunca tive medo de errar, nem dele me arrependi seriamente.” 

Jung

"Com a culpa sempre vem a necessidade, ainda que inconsciente, de autopunição”
Culpa é o sentimento de ser indigno, mau, ruim, carrega remorsos e censuras. A culpa é o resultado de muita raiva guardada que se volta contra nós mesmos. Poderíamos resumir assim:
Raiva + mágoas reprimidas = culpa = autopunição
Esse sentimento que corrói nossa alma e que muitas vezes nos impede de sermos nós mesmos tem muitas variáveis que dificulta esgotar o assunto. Mas podemos refletir sobre alguns aspectos que nos proporcione uma maior compreensão dos motivos desse sentimento que nos faz sofrer tanto.

Características de quem sente culpa:

- Preocupação excessiva com a opinião dos outros;
- Sente-se mal quando recebe algo, pois na verdade não se considera digno de aceitar o que os outros dão;
- Fala repetidamente sobre o que motivou a sentir culpa;
- Raiva reprimida;
- Dificuldade em assumir responsabilidade pelos próprios atos;
- Sente-se rejeitado;
- Busca responsáveis pelo próprio sofrimento;
- Sente-se vítima em algumas, ou muitas, situações;
- Geralmente se pune ficando doente, ou sendo vítima freqüente
de acidentes;
- Dificuldade em expressar os reais sentimentos;
- Não consegue falar “não”;
- Necessidade em agradar;
- Sempre fazendo algo pelos outros e raramente para si mesmo;
- Dificuldade em fazer algo só para si;
- Não consegue administrar o tempo, pois está sempre sobrecarregado;
- Baixa auto-estima;
- Falta de amor-próprio.

Você pode se identificar com essas características ou ter outras. O importante é reconhecer que a culpa traz muitas conseqüências em nosso modo de ser e agir. Perceba como se sente, elevando, assim, seu autoconhecimento para mudar o que te faz sofrer.


Conseqüências da culpa:

- medo
- sofrimento
- autopunição
- remorso
- estagnação
- doença – segundo alguns estudos, a culpa está presente em praticamente a maioria das pessoas portadoras de câncer
- tristeza/depressão
- submissão
- prisão emocional
- solidão
- dificuldade em impor limites, dizer não;
- fuga através do álcool, drogas
- compulsão alimentar
- conflitos internos e nas relações
- dificuldade em sentir prazer
- destruição da auto-estima e amor-próprio.


Mas, da mesma forma, o mais indicado sempre é responsabilizar-se e não se culpar. A culpa faz com que permanecemos no papel de vítimas e esse traz apenas estagnação e repetição de padrão, não proporcionando mudança muito menos crescimento, enquanto a responsabilidade faz com que acreditemos ser capaz de mudar o
que quisermos.


“Sentir raiva é um sentimento natural. Podemos ter raiva, o que não nos dá o direito de sermos cruéis com quem quer que seja”


É importante cada um fazer uma análise dos próprios comportamentos, começando a se perguntar: “Tenho a tendência
a culpar alguém quando algo que quero, ou pretendo fazer, não acontece como espero?” Ou ainda: “em que situações culpo outra pessoa?”.

Quando culpamos alguém que nos induziu ao erro, que nos causou algum sofrimento, nos decepcionou, devemos nos perguntar até que ponto o outro foi realmente responsável por nossas próprias atitudes ou sofrimento. Por exemplo, se alguém nos dá um conselho de como devemos agir, cabe a cada um de nós decidir se é isso que desejamos.

A culpa que colocamos no outro pode ser uma projeção daquilo que verdadeiramente sentimos e pensamos sobre nós mesmos e não temos coragem de enfrentar e assim utilizamos mecanismos de defesa, onde negamos e projetamos.

Culpamos os outros por falharem conosco, por nos decepcionarem, magoarem. Mas, será que não somos nós que precisamos mudar
as nossas próprias atitudes, às vezes inconscientes, mudar as exigências e expectativas que impomos sobre nossos relacionamentos e nas pessoas? Quantas vezes não magoamos a
nós mesmos? Será que a culpa que tentamos atribuir a alguém na verdade não é nossa própria dificuldade em nos responsabilizarmos e projetamos no outro aquilo que não conseguimos realizar de modo diferente?
“Só podemos nos sentir "culpados" quando percebemos que fomos injustos conosco”


Seja o que for que nos machuque, devemos entender que nós
somos responsáveis por nós mesmos e ninguém mais. Muitas pessoas nos dão sinais evidentes que não são dignas de nossa confiança e por que insistimos em confiar? Para provar que estávamos certos em nossa intuição, desconfiança, ainda que paguemos com o preço do nosso sofrimento? Ninguém “culpa”
outra pessoa pelo que a ajudou. Isso nos mostra o quanto a culpa sempre vem carregada de sentimentos negativos, não trazendo o bem para ninguém. Alguém sempre terá participação nas dificuldades, como também nos êxitos, que nos ocorrem, mas é muito mais comum acusar alguém pelo que não fez ou pelo que machucou do que pela ajuda oferecida.

É muito comum também culparmos nossos pais por todas nossas necessidades e expectativas não realizadas. Por mais dificuldade
que podemos ter quando adultos, por mais que nossos pais não demonstraram seu amor como gostaríamos, é sempre bom
lembrar que eles nos deram a dádiva da vida, e apenas por isso serão eternos merecedores de todo nosso respeito e gratidão.
Devemos nos desfazer da imagem de como nossos pais deveriam ser, mesmo que não nos deram o que precisávamos, para que possamos encontrar paz dentro de nós. A idealização do que gostaríamos geralmente nos traz sofrimento. Claro que não só a idealização, mas também quando há abusos e maus tratos durante
a infância, trazendo também muito sofrimento, e é natural buscar nestes casos o “culpado”, saber quem o fez e porque fez. Mas se continuarmos presos ao passado através de mágoas, ressentimentos, culpas, julgamentos, vergonha, nos manteremos reféns desse passado.

O que quisemos, precisamos e esperamos que tenham nos dado
no passado, ou aquilo que esperávamos que não nos tivessem feito, podemos buscar em nós mesmos hoje. Se não nos deram amor, devemos buscar em nós; se não nos respeitaram, devemos nós mesmos nos respeitar. Se quisermos nos ajudar, devemos começar a nos olhar com sinceridade e honestidade. E ainda que possamos reconhecer a participação de alguém em qualquer mal que nos aconteceu, não podemos ficar parados como vítimas impotentes, mas devemos acima de tudo aprender a agir, não contra os outros, mas em favor de nós mesmos.


Culpa que nos é atribuída

Geralmente acontecem quando não correspondemos às expectativas ou idealizações de outra pessoa. Muitos pais culpam os filhos por
sua infelicidade. Maridos culpam suas esposas por não serem compreensivas ou serem controladoras. Esposas culpam maridos
por não serem carinhosos. Os exemplos são infinitos. Somos sempre culpados por alguém quando não agimos conforme esperavam que agíssemos, e mais, somos culpados muitas vezes por não sermos como gostariam que fôssemos, mas também podemos ser culpados por aquilo que efetivamente fizemos ou não fizemos, mas que por conseqüência, machucamos e, ao nos culparem, também nos machucam.
Isso acontece porque geralmente as pessoas não conseguem assumir suas próprias atitudes e responsabilidade e culpam os
outros pelos mais diferentes motivos. Seja qual for o caso, devemos ser responsáveis por aquilo que nos cabe, evitando assim que nos culpem, ou ao menos, devemos evitar assumir tal culpa quando temos consciência que nada fizemos. E para evitar que essa culpa nos seja atribuída muitas vezes agimos contra nossos valores e também sofremos com isso. Fazemos aquilo que esperam de nós,
e não como gostaríamos de ter feito, tudo para não sermos
acusados e culpados. Muitos podem querer nos atribuir culpas, mas podemos decidir em aceitá-la ou não. Ainda que erremos em alguns casos, afinal somos seres humanos, não podemos atribuir a um fato nosso valor enquanto pessoa.

Pessoas que fazem com que nos sintamos culpados utilizam o
poder, o autoritarismo, a manipulação, o ressentimento e a chantagem emocional para conseguirem o que querem de nós.
Por isso que produzir culpa em alguém é algo muito cruel. Seria muito mais honesto que cada um se responsabilizasse e assumisse os próprios sentimentos falando sobre eles claramente ao invés de nos manipular através da culpa.

Devemos sempre fazer um questionamento se realmente magoamos alguém, e se for o caso, praticar da maneira mais humilde nosso reconhecimento nos desculpando e reparando o erro que cometemos. Só podemos nos sentir “culpados” quando percebemos que fomos injustos conosco, com nossas intenções mais honestas. Por isso que uma análise sincera de nossos comportamentos é necessária para não assumirmos culpas que não são nossas e para que possamos assumir a responsabilidade que nos cabe, cada um com sua própria consciência.

Precisamos aprender a deixar que o problema do outro seja dele e não nosso, quando não nos pertence. Somos sermos humanos que erramos mesmo quando buscamos acertar. Se alguém nos culpar
do que sabemos não ter feito, é problema dele. Mas, se nos permitirmos assumir essa culpa e nos magoarmos por isso, é problema nosso.













Todos nós temos um histórico de vida, e reagimos de acordo com esse histórico e nem todas as pessoas com quem convivemos o conhece e muitas vezes nós mesmos não temos consciência de
tudo que já nos aconteceu, por serem conteúdos que se tornaram inconscientes. Quantas vezes percebemos que nossa reação foi desproporcional ao fato ocorrido? Quando culpamos alguém pelo
que nos fez e a pessoa diz que não sabia que aquilo iria nos machucar, pode ser a mais pura verdade.
Cada pessoa irá reagir de acordo
com o que determinada situação irá encontrar dentro dela, ou seja, se já existem alguns registros anteriores
de situações semelhantes, ela poderá reagir pela soma de todas e não
apenas pela que acabou de acontecer.
Nesse momento serão mobilizados e desencadeados “traumas”, que já
foram vivenciados e que possuem
forte carga afetiva, que são os complexos.

O complexo afetivo é a imagem de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional e que pode ser ativado em qualquer momento e do qual não temos o controle por ser um processo inconsciente. Assim sendo, um acontecimento pode ativar um complexo com a finalidade de descarregar a tensão emocional excessiva que está reprimida. Por exemplo, quando há vários registros de abandono,
e uma outra pessoa nos abandona mais uma vez, irá ativar esse complexo dentro de nós, quando podemos ter reações desproporcionais, pois não reagiremos apenas de acordo com o
fato atual, mas sim pela soma desse fato com os anteriores. E
dentro dessas reações, uma delas poder ser a culpa.
Tendemos a culpar o outro pelo nosso profundo sofrimento, quando na verdade nosso sofrimento foi causado por tudo aquilo que já existia dentro de nós e que nesse momento foi potencializado e mobilizado. Ou pode acontecer também de nos culparmos. Se há registros arquivados em nosso inconsciente, por exemplo, de rejeição, quando alguém nos abandona, além de culparmos o outro, também podemos nos culpar, sentindo como se tivéssemos feito
algo errado para justificar o fato de termos sido abandonados mais uma vez, ativando assim esse complexo.
O mesmo processo pode acontecer quando alguém nos culpa de
algo que fizemos. Na verdade, sem sabermos, podemos ativar complexos de situações difíceis de serem suportadas em função
de todo o histórico e somos acusados como culpados. Em todos os casos, a culpa pode nos dar o limite e elevar o autoconhecimento.
Por toda essa dinâmica é que encontramos casos em que a pessoa que nos machuca não percebe e nem aceita ser a causadora de nosso sofrimento, e o contrário também. É certo que esse mecanismo não justifica todas as situações as quais nos culpamos, culpamos alguém ou somos acusados como culpados.
Há momentos em que realmente não há a intenção de magoar,
nem sempre fazemos algo que sabemos machucar o outro, e nem sempre o que nos fazem teve como objetivo nos machucar. Mas devemos sempre considerar que as pessoas são diferentes e
reagem igualmente de maneira diferente, principalmente por não sabermos seu histórico e muitas vezes, não sabemos nem o nosso.
Quando machucamos alguém, e geralmente o fazemos com as pessoas que mais amamos, devemos explicar os motivos de nossa atitude, fazendo com que o outro entenda. Devemos também considerar que nossa limitação na compreensão de outras pessoas se deve pelo pouco que sabemos sobre nós mesmos.
Quando assumirmos a responsabilidade que temos sobre nossos sentimentos, não mais o projetaremos nos outros, e ao comunicarmos honestamente o efeito que o comportamento dos outros têm sobre nós, podemos criar um clima emocional possível
de um maior entendimento, mas é preciso muita honestidade,
acima de tudo, com nós mesmos. Contar toda a verdade para
outra pessoa pode ser um processo extremamente doloroso e assustador, pois corremos o risco de sermos rejeitados, porém ao mostrar nossos medos e vergonha, podemos encontrar o alívio
tanto desejado.
Quantos relacionamentos afetivos são frustrados quando esperamos atitudes que nunca vêem? Será que a outra pessoa efetivamente
tem dificuldades em expressar o amor que esperamos, ou será que ela não tem esse amor por nós? Essa resposta só o tempo, as atitudes, ou falta delas, poderá nos responder.
Outro aspecto inconsciente da culpa é quando nos culpamos por
algo que não nos foi feito diretamente, mas que nos fizeram sentir culpa. Para muitas pessoas é muito difícil haver uma coerência
entre o que pensam, sentem e o que fazem.
Alguém pode nos falar uma coisa e demonstrar outra. Por exemplo, quando uma criança pergunta para sua mãe por que ela está chorando e a mãe responde que não há nada ou que não está chorando, a criança percebe a incoerência entre suas palavras e aquilo que está sendo demonstrado. Isso pode levar a criança a se culpar. Por não ter como resposta à verdade, ela pode imaginar o que ela fez que machucou tanto sua mãe.
O mesmo acontece em casos de divórcio, quando nada é explicado para a criança. Em geral ela se culpa ao pensar ser responsável
pela separação. Ou ainda, quando uma pessoa fica doente ou
morre, e nada é explicado, a criança pode pensar que ela foi a culpada pelo ocorrido. Em casos de falecimento é muito comum encontrarmos a culpa também em adultos, quando começam a se cobrar por tudo que não fizeram pela pessoa enquanto estava viva.
Quando não há uma explicação lógica para os fatos e atitudes, ficamos por conta de nossa imaginação, sempre buscando explicações. Nos casos de separação, aonde um deles simplesmente vai embora sem explicar nada, aquele que fica tende a se culpar imaginando onde errou. Por isso que as mentiras em geral geram tanta culpa. Como muitas vezes não há coerência nas explicações, acabamos por imaginar o que quisermos. E a culpa acaba por
atingir mais ainda quem tem baixa auto-estima e pouco amor-próprio.
A verdade é que sob toda culpa há um ser humano tentando conseguir amor, reconhecimento e atenção, exatamente por não tê-los. Mas por que não buscamos esse amor por outros caminhos, quem sabe aprendendo a nos amar?


Por : Rosemeire Zago
Psicóloga clínica com abordagem jungiana, especialização em psicossomática. Desenvolve o autoconhecimento e ministra palestras motivacionais.
Leia mais:                    
http://cyberdiet.terra.com.br/cyberdiet/colunas/050307_psy_culpa6.htm


 Culpa



Por  Antônio Roberto Soares
Psicólogo

Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústia, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o Sentimento de Culpa.

O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido. A Culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido. Nela consiste a base para a auto-tortura.

Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra.
A Culpa, longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de as gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos.
Por isto mesmo, em todas as linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio.
Não existe nenhuma linha de tratamento psicológico que não esteja interessado em tirar dos seus pacientes o sentimento de culpa.

A culpa é um auto-desprezo, um auto-desrespeito pela natureza humana, nos seus limites e na sua fragilidade
.
A culpa é uma vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de alguém a nosso respeito, seja esta expectativa clara e explícita, ou seja uma expectativa interiorizada no decorrer da nossa vida.

Por isto é que se diz que, ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos e a nossa recriminação interna não é, nem mais nem menos, do que vozes recriminatórias dos nossos pais, nossas mães, nossos mestres ou outras pessoas ainda dentro de nós.

 Construímos um inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário de como deveríamos ser e não de como realmente somos.
Respondendo a um ideal de perfeição, nós desenvolvemos uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros.

É muito comum, no relacionamento conjugal, marido e mulher não estarem amando um ao outro e, sim, amando a imagem de perfeição que cada um espera do outro.

É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder a esta expectativa irreal e a frustração mútua de não encontrar a perfeição gera tensões e hostilidades, e um jogo mútuo de culpa. Esta situação se aplica a todas as relações onde as pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito.

Quando voltamos para nós exigências perfeccionistas, dividimo-nos neuroticamente para atender ao irreal. Embora as pessoas acreditem que errar é humano, elas simplesmente não acreditam que são humanas! Somente aqueles que desenvolveram a capacidade de auto-perdão conseguem energia para uma vida psicológica sadia.

A criança faz isto muito bem. O perdão é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e nos baixos.

O auto-perdão é a capacidade de dizer adeus ao passado, é a aceitação de que o passado é uma fantasia, é apenas saber perder o que já está perdido.

O auto-perdão é um sim à vida que nos rodeia agora, é uma adesão ao presente, à única coisa viva que possuímos, que são nossas possibilidades neste momento.
Não podemos abraçar o presente, a vida, o passado e a morte ao mesmo tempo.
O perdão é uma opção para a vida, o auto-perdão é a paciência diante da escuridão, é o vislumbre da aurora no final da noite.

O auto-perdão é o sacudir da poeira, é a renovação da autoestima e da alegria de viver, é o agradecimento por sabermos que mais importante do que termos cometido um erro é estarmos vivos, é estarmos presentes.

Para encerrar este tema, quero sugerir-lhes uma reflexão sobre este texto escrito por Frederick Pearls:
"Que isto fique para o homem! Tentar ser algo que não é, ter idéias que não são atingíveis , ter a praga do perfeccionismo de forma a estar livre de críticas, é abrir a senda infinita da tortura mental. Amigo, não seja um perfeccionista. Perfeccionismo é uma maldição e uma prisão. Quanto mais você treme, mais erra o alvo. Amigo, não tenha medo de erros, erros não são pecados, erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova. Amigo, não fique aborrecido por seus erros. Alegre-se por eles, você teve a coragem de dar algo de si”.






Exercite sua absolvição!! 


 





Culpa zero

Martha Medeiros


'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Culpa por nada, aliás. Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.

Pois inclua na sua lista a Culpa Zero. Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho..

Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.

Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.

É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos. Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo para uma massagem. Tempo para ver a novela.. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto. Tempo para conhecer outras pessoas.. Voltar a estudar. Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado. Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal. Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.




VIVA SEM CULPAS!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

Visite meu arquivo .

Textos no arquivo :


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector