"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




terça-feira, 16 de junho de 2009

Mulher madura

               A mulher madura -essa sim, existe!!




Tenho cabelos vermelhos, pintados, para esconder os fios brancos.
Não me lembro exatamente em que ano eles começaram a branquear...
Tenho algumas rugas em volta dos olhos, também não me recordo quando elas começaram a aparecer.
Tento disfarçá-las, tantas novidades no campo da dermatologia, achei por bem aproveitá-las.
Do corpo não cuido quase, só recentemente entrei para uma academia por ordem médica.
Ele me disse que na minha idade preciso de exercícios.
Mais falto mais do que vou, não gosto de fazer ginástica.
Das minhas unhas cuido semanalmente, penso que elas são uma porta de visita.
Unhas maltratadas causam uma péssima impressão.
De uns dois anos pra cá descobri os cremes e aí compro um aqui, outro ali e no final não uso nenhum, mas compro, só de olhá-los na prateleira já percebo que as rugas se retraem.

Sou assim, vaidosa, mas não sou em excesso, penso que sou na medida certa, na medida correta para uma mulher.
Enfim os anos passam e as marcas que eles deixam em nós, não temos como conter.
Nem pretendo isso.
Acho que cada marca que meu corpo carrega tem uma linda história.
Às vezes me pego na frente do espelho descobrindo uma nova ruguinha e já me coloco a pensar o que a causou.
Depois reencontro com outra que já está lá vincada há anos e me recordo que ela apareceu quando perdi um grande amor.
Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco. Foram filhos, maridos, amigos que colocaram eles ali.
Não quero me desfazer de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las, acho que mereço isso. A vida me deve isso.
Atualmente a parte que merece mais atenção minha tem sido a cabeça.
Tento todos os dias colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias.
Corpo e mente caminham juntos, se um estiver em estado lastimável o outro provavelmente vai se deteriorar. Não escondo minha idade, não adiantaria falar que tenho trinta e cinco e apresentar uma filha de vinte e sete. Portanto eu confesso, tenho quarenta e oito anos. Metade deles, bem vividos, a outra metade muito sofridos. Mas é exatamente aí que está o encanto da minha idade.
Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos sorrisos e ambos me fizeram ser essa pessoa que sou hoje. Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos.

Minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de expressão que eu adquiri por tanto sorrir, muitas vezes, quando o coração chorava.


Texto de Silvana Duboc .



Belíssimo e verdadeiro texto.
Escrito por um homem    ( Marina Colasanti, mulher dele, que o diga!)


A mulher madura


Por  :  Affonso Romano de Sant'Anna


O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão.
Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs.
Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria.
A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente.
A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada.
É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados.
Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe.
O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago.
Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência.
Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente.
Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira.
Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia.
Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas.
E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria.
Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto.
Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos.
Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história.
Inscrições se fizeram em sua superfície.
Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade.
Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa. Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender.
A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior.
Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente.
Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
idade tem seu esplendor.
É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo.
Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo
Mulher madura está pronta para algo definitivo
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar.
A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia.
Descolou-se da superfície das coisas.
Merece profundidades.
Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias.
As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia.
Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos.
Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar.
Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.


                                                Maturidade



“Hoje, na doce e tranqüila idade madura, sei que minha caminhada é pausada, tem destino certo, direção definida , fazendo com que eu caminhe devagar, com cautela, sem muita pressa, olhando e examinando os que por mim passam.

Nesta lenta e suave caminhada tenho o privilegio e a oportunidade de admirar e saborear, deliciosa e detidamente, todos os pequenos detalhes e prazeres que a vida está a oferecer, antes despercebidos, sem a preocupação de vencer o tempo.

Deus, em sua infinita sabedoria, dá sempre a compensação da falta da intrepidez pela reflexiva e consciente sabedoria dos que adquiriram experiência de vida.
Mas desejo fervorosamente que ,quando o desânimo tomar conta do meu ser e o cansaço chegar, o desespero não chegue a mim, dando-me força para continuar minha caminhada.

Que eu continue lutando para viver firme, com saúde, sem me abater e sem cair.

E, se por acaso eu sucumbir na estrada da vida, que fique a lembrança da minha queda como exemplo para impedir que outros caiam onde caí.

Que minha caminhada seja sempre lembrada como a de alguém que um dia passou pela estrada da vida em busca da Paz e Harmonia entre todos os seres com os quais tive a felicidade de conviver.

Que eu chegue ao final da minha jornada com paz e amor no coração e com a consciência tranqüila de ter
correspondido à expectativa daqueles que confiaram em mim.”

Desconheço a autoria 

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