"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nossas sombras













                           Nossas sombras.




  Tudo aquilo que nós não admitimos ser, tudo aquilo que não queremos descobrir dentro de nós mesmos e o que não reconhecemos como verdadeiro em nosso caráter, define o que podemos chamar de “nossa sombra”. “Sombra” é um conceito junguiano para designar a soma dos lados rejeitados da realidade que a criatura não quer admitir ou ver em si mesma, permanecendo, portanto, esquecidos nas profundezas da intimidade do ser. Por medo de sermos vistos como realmente somos, nossas relações ficam limitadas a um nível superficial. Resguardamo-nos e fechamo-nos intimamente, para que possamos nos sentir emocionalmente seguros. Mas, na verdade, não nos livramos do nosso lado recusado simplesmente porque fechamos os olhos para ele, porque mesmo assim este lado que não queremos ver, continuará existindo na “sombra” de nossa estrutura mental.


Recusar-se a aceitar a adversidade de emoções e sentimentos de nosso mundo interior, nos levará a viver sem o controle de nossa existência e sem ter nas mãos as rédeas de nosso destino. Ao assumirmos que são elementos naturais da estrutura humana em evolução, sentimentos como a frieza, a sensualidade, a avareza, o egoísmo, a dominação, a impetuosidade e muitos outros, aí então estaremos começando o nosso trabalho de autoconhecimento, a fim de que possamos descobrir onde erramos e, a partir de então, encontrar o meio-termo, ou seja, não estar num extremo nem no outro.


O ato de arrependimento nada mais é do que perceber o nosso lado inadequado. É admitir para nós mesmos que identificamos nosso comportamento inconveniente e que precisamos mudar nossas atitudes diante das pessoas e do mundo. O arrependimento pode ser visto como a nossa tomada de consciência de certos elementos que negávamos, consciente ou inconscientemente, projetando-os para fora ou reprimindo-os em nossa “sombra”. O ato do arrependimento é um antídoto contra o medo. Quem se arrependeu, é porque examinou suas profundezas e descobriu que seus desejos e tendências nada mais são do que impulsos comuns a todos os seres humanos.


Quem se arrependeu, é porque aprendeu que simplesmente é humano, falível e nem melhor nem pior do que os outros. O medo indefinido provém da repressão de impulsos considerados inaceitáveis que existem dentro de nós, como também da ausência de contrição de nossas faltas e da não admissão dos nossos erros, descompensando nosso corpo energeticamente, com o peso do temor e do pânico.


Quando estamos envolvidos pelo temor, deixamos de avançar, nos eximindo de viver experiências interessantes e de interagir em diversas áreas do relacionamento humano. Agora, o medo da própria SOMBRA conduz à projeção, e, por projeção vamos entender a transferência do próprio inconsciente para uma ou outras pessoas, coisas ou situações, o que geralmente se faz sem escrúpulo algum. É assim como uma transferência de responsabilidade, uma justificativa quando se é pego em erro, em algum tipo de falha moral, principalmente. Encontrar-se a si mesmo significa, em cada caso, conhecer e reconhecer a própria SOMBRA, significa ver-nos como somos, sem máscaras.


"O termo sombra foi criado por Carl Gustav Jung e, em poucas palavras, ele se refere à parte de nossa personalidade que foi reprimida em benefício do ego ideal. A sombra, tal como Robert Bly refere, pode ser comparada a uma comprida sacola que arrastamos atrás de nós. Esta sacola começa a ser enchida desde a mais tenra infância. Logo com 1 ou 2 anos a criança é como se fosse um grande globo energético irradiando energia para todas as direções. Assim que nossos pais começam a reprovar nossos comportamentos dizendo frases como “um bom menino não bate no irmãozinho”, “pare de correr”, “fique quieto”, as crianças passam a buscar, então, um comportamento que seja condizente com o que os pais querem e, para tanto, reprimem aquela energia de raiva, ou de inquietação, reprimem os impulsos de correr, mexer... As que não reprimem, apenas trocam a repressão pela culpa de ter “agido mal”. Em suma, quando a criança entra em contato com os valores de Bom ou Mal, a sacola vai se enchendo mais e mais, pois, como observa Robert Bly: “Atrás de nós temos uma sacola invisível e, para conservar o amor de nossos pais, nela colocamos a parte de nós que nossos pais não apreciam.” [2] Além dos nossos pais, nossa experiência na escola acaba por ajudar a encher mais ainda nossa sacola, quando ouvimos “Bons meninos não fazem isso, ou aquilo...” “Boas meninas devem se comportar dessa maneira”; ou seja, novamente estamos diante dos valores bom, mau, certo, errado, pode, não pode.


Quero deixar claro que estes processos de repressão na fase da formação da personalidade, normalmente acontecem num nível inconsciente, uma vez que a criança não dispõe de uma compreensão clara acerca de suas escolhas. Isto porque, nossas referências para fazer escolhas na infância são os nossos pais (em caso de não haver um dos pais ou sermos criados por nossos avós, parentes próximos, eles serão referências para nós). E, como eles são nossas referências, novamente aqui atua escolher o que aprendemos ser certo e errado a partir da visão de nossos pais, porque queremos ter o afeto deles. Assim, vamos arrastando nossa sacola pela vida afora, inicialmente quando levamos as referências de valores dos nossos pais, e mais tarde quando associamos estas já apreendidas às referências da sociedade apreendidas na escola, no convívio com nossos amigos, grupos religiosos, etc.Na cultura cristã, por exemplo, o conteúdo a respeito da sexualidade geralmente acaba na sacola. Aprendeu-se a ver o sexo como pecaminoso, algo sujo, que só dever ser praticado com o intuito de reprodução. Esse conteúdo na sacola começa a gerar muitos conflitos porque é uma forma de energia reprimida e natural do ser humano, mas que acabou sendo ignorada porque devemos agir “assim ou assado”.


Diante desta sacola o conflito aparece, justamente, porque nem tudo que aprendemos ser “errado ou mal” é, na verdade, essas duas coisas. E isso é que faz com o que o material da sacola comece a “cheirar mal” e a nos incomodar. Uma criança pode sentir raiva porque a mãe não lhe deu o brinquedo que queria. Ela sente a raiva, mas diante dos valores que aprendeu de que “é feio ter raiva”, se sente culpada e coloca rapidinho aquele sentimento na sacola, porque não pode perder o amor da mãe. E ela percebe que isso “aconteceria se ela se permitisse sentir raiva”. A dimensão da sombra é gigantesca nos adultos. A sacola aumenta proporcionalmente à quantidade de repressão e censura relativas aos nossos sentimentos naturais e espontâneos.


Neste sentido, quanto mais repressores e censuradores os pais, mais dificuldades de entender as emoções sentidas e reprimidas dentro de nós. Energias naturais do ser humano tais quais sexualidade, impulsividade, agressividade [3], raiva, ódio, revolta são, normalmente, colocadas na sacola durante toda uma vida. Aqui existe outro elemento: quanto mais guardamos essas energias, mais e mais intensas e latentes se tornam. Ficam como se fermentassem lá dentro de nós, e quando não colocadas para fora, acabam gerando a mais ampla gama de doenças e sintomas: azia, ulceras, enxaquecas, impotência, artrites, dores na coluna, câncer... Conforme os anos passam, e este conteúdo sombrio cresce, tende a ser maior a dificuldade de entrar em contato com ele através de uma terapia.


Por isso, muitas pessoas que já estão na chamada “meia idade” sentem muito medo de abrir a sacola. Existe muito medo dentro de nós de olhar para o que já foi guardado. Por isso enxergamos muitas dessas coisas nos outros. Então, “a culpa do que acontece comigo é do outro”, “Peça para um amigo lhe descrever o tipo de personalidade que ele acha mais desprezível, mais insuportável, mais odiosa e de convívio mais impossível; ele descreverá as suas próprias características reprimidas – uma autodescrição do que é absolutamente inconsciente e que, portanto, sempre o tortura quando ele recebe seu efeito de uma outra pessoa.
Essas mesmas qualidade são tão inaceitáveis para ele precisamente porque elas representam o seu próprio lado reprimido; só achamos impossível aceitar nos outros aquilo que não conseguimos aceitar em nós mesmos.


Qualidades negativas que não nos incomodam de modo tão intenso ou que achamos relativamente fácil de perdoar , em geral não pertencem à nossa sombra.” [4] Mas, quando estamos procurando nos conhecer, a sacola precisa ser aberta para liberarmos a energia desses sentimentos e emoções que armazenamos durante anos.


Através da psicoterapia, esta sacola pode ser aberta, percebida e assimilada, o que, por sua vez, propicia que seu potencial destruidor e conflitivo possa ser reduzido e a energia vital que estava aprisionada possa ser liberada, gerando mais tranqüilidade e equilíbrio emocional. Nossa “pressão interna” ou “fermentação” irá diminuir. Conhecendo o que guardamos inconscientemente por tanto tempo, podemos fazer escolhas mais sensatas a respeito de novamente empurrar ou não para nossa sacola sentimentos que precisam ser compreendidos e aceitos como parte de nossa natureza humana.


Assim, fica mais simples celebrar o que é espontâneo e natural na vida, fica mais simples exercitar nossa possibilidade de SER!








" [1] ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana. São Paulo, Cultrix: 1991. p. 28. [2] BLY, Robert. A comprida sacola que arrastamos atrás de nós. In: ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana. São Paulo, Cultrix: 1991. p. 30-36 [3] Antes que alguns gritem ou concluam antecipadamente, falo aqui da agressividade natural latente em nós, e não daquela direcionada aos outros. É natural ser agressivo no sentido de ter força garra, etc,. A agressividade no seu sentido distorcido e amplamente utilizada pelos seres humanos acaba sendo associada a um sentimento ruim, negativo por que a maioria das pessoas a canalizam para os outros. [4] WHITMONT, Edward C.. A evolução da sombra. In: ZWEIG, Connie; ABRAMS, Jeremiah (orgs). Ao encontro da sombra: o potencial oculto do lado escuro da natureza humana. São Paulo, Cultrix: 1991. p. 37-42.




Texto copiado  da NET






             EU PROMETO, FOI A ÚLTIMA VEZ.






Quantas vezes você já se disse esta frase: "Eu prometo foi a última vez..." E no momento seguinte ou diante de uma outra oportunidade, você volta a repetir o mesmo padrão de comportamento, que julga prejudicial a você. Mas alguma coisa lhe acontece interiormente e volta a repetir o mesmo comportamento, que diz odiar, que lhe prejudica, que jura por Deus não mais o repetirá e volta a praticá-lo quase de imediato às suas juras e promessas....


O que acontece conosco, quando assim agimos?


O que pude aprender até agora sobre esta dificuldade é que eu tenho um padrão cristalizado. Mas o que é padrão cristalizado? É uma maneira de pensar ou de me comportar, ou pensar e me comportar, já desenvolvido anteriormente, ao qual estou preso e não consigo me libertar; por mais esforço que faça sempre volto a repetir o mesmo comportamento ou pensamento.


Se é comportamento, é porque foi aprendido. Se for pensamento, aquele pensamento que não o larga, que é obsessivo, e mesmo que você não queira ele vem, ele virou uma sombra. Um comportamento é aprendido quando ele é observado pela pessoa e esta observação desenvolve em nós uma vontade ou uma não-vontade de imitar aquele comportamento.


O pensador francês Émile Coué afirma em um dos seus livros que "uma pessoa quando está numa briga íntima entre a imaginação e a razão, a imaginação sempre é a vencedora".


O que será que ele quer dizer com isso? Ele apenas está afirmando que a imaginação domina nossas vidas. Tudo o que eu imagino posso vir a concretizar e tudo o que eu imagino, é do que está cheio o meu coração.


Mas como assim... eu não entendi?


Entendeu sim. Aquilo que eu imagino, aquilo que me pego a pensar e até elaboro em cima são os padrões que estão cristalizados e preciso fazer um esforço enorme, intenso, intermitente, senão não consigo me libertar deles. Estes padrões cristalizados são as paixões de nossas vidas. São as paixões que meu coração desenvolveu e não quer abrir mão.


Olhe para alguma coisa que você se comprometeu a mudar e não consegue. Pare um pouco e veja seus sentimentos, indague agora porque não conseguiu mudar. Perceba que aquilo que você não quer mudar, é porque tem paixão. Está apaixonado por esta postura, atitude ou comportamento.


Dou um exemplo para quem fuma e tentou parar diversas vezes. Você já se deu diversas desculpas por não conseguir parar, mas olhe-se agora e perceba que só não parou, porque gosta do cigarro e não tem coragem de praticar o desapego. A mesma coisa é com um vício comportamental. É como o egoísmo, a vaidade, a rigidez, a necessidade de controlar a vida do outro, a necessidade de ser maledicente e falar mal da vida do próximo. A necessidade que tenho de me fazer notado, a necessidade que tenho em me queixar da vida ou de alguma pessoa, como se a vida ou alguém pudesse ser responsável pelo que acontece comigo.


Todas estas coisas que não mudo é porque tenho apego e paixão. São os defeitos de alma que desenvolvi na minha trajetória e não quero abrir mão e não quero abrir mão porque estou apaixonado... São coisas que na maioria das vezes me envergonho, mas não quero abrir mão. O apego e a paixão são maiores do que a vergonha.


Muitos destes padrões eu trago comigo em diversas encarnações e preciso hoje aprender a resolver esta pendência e não levar para outra vida este mesmo defeito. Não há mais tempo, a mudança tem que ser feita agora, amanhã talvez seja tarde.


Você está cansado dele? Quer se libertar? Olhe seu coração e veja em primeiro lugar se você quer mesmo. Se não quer mesmo, não perca tempo, continue sendo assim, como você é....


Ah, você quer se libertar! Olhou seu coração e decidiu que quer se libertar... Então, uma dica: questione seu comportamento, questione fundo. Faço-lhe então esta pergunta e por favor me responda: Por que você precisou deste comportamento até hoje? O que ganhou tendo ele consigo? Está mesmo disposto a abrir mão dele? Se conseguir fazer isso, estará muito, mas muito próximo de se libertar desta coisa que lhe incomoda e estará aprendendo a lidar com sua paixão. As paixões e os apegos estão aí, para serem transmutados.


Voltando ao pensamento, quando é um pensamento que fica insistentemente em sua mente, ou um pensamento que cai hora ou outra na mente sem que você o queira e não gosta que ele venha, da mesma maneira eu posso lhe dizer... que há um componente em você que se liga a este tipo de pensamento.... alguma coisa dentro de você, podendo ser até um sentimento destrutivo, está aí dentro de sua psiquê. E há alguma paixão presa nele também. Alguma vingança, alguma mágoa reprimida, algum desejo de destruição, uma necessidade de matar pai, mãe (fantasia infantil) ou qualquer adulto que em algum momento lhe tratou mal.


Esta energia está aí querendo ser tratada e está armazenada em seu subconsciente, e volta e meia ela vem para fora, porque alguma coisa no hoje a movimenta, a lembra e ela sai do arquivo da mesma maneira incompreensível como entrou, de maneira desordenada, desconexa, mas como uma emoção real.


Esta sombra é desenvolvida na primeira infância até os 7 anos quando um sentimento foi reprimido e não colocado para fora de maneira adequada. Como exemplo, imagine uma criança pequena que recebe uma reprimenda injustamente, ou mesmo justa e agressiva, de um adulto, qual a possibilidade que a criança teve de pôr para fora o sentimento daquele momento em que estava sendo agredida?


Nenhuma possibilidade. O sentimento veio até a garganta, mas ficou preso, não saindo e ficando preso, nós mandamos para o subconsciente esta mensagem, com toda a carga emocional que ela tinha. Um dia, ela sai para fora e não a conseguimos controlar, mas podemos entendê-la.


Outro conteúdo destas sombras são as chamadas memórias extracerebrais que são comportamentos aprendidos e praticados em outras vidas e que estão agora na nossa mente como se fosse uma sombra. Posso lhes afirmar que temos em nossa psiquê milhares destas sombras, todas arquivadas, esperando o momento propício de saírem para fora e nos causar o mesmo mal-estar, que já nos causaram na infância ou na outra vida, no momento que se instalaram.


Uma dica caso você queira começar a se livrar destas sombras: quando o pensamento da sombra aparecer, questione-o, pergunte-lhe porque você está aí ou porque você pensa assim ou o que ele quer sendo e pensando assim... Converse com seu pensamento, como se fosse uma outra pessoa, pois na verdade isto não é seu, não é de sua alma e se enfrentá-lo e confrontá-lo, você diminui sua força, seu domínio, deixando-o cada vez mais fraco, e cada vez menos irá importuná-lo.


Volto a insistir: Se quiser se livrar de uma sombra, não fuja dela; enfrente-a, só assim poderá melhorar. Você se lembra daquela frase: "Conheça a verdade e ela te libertará"? Se assim o fizer logo estará livre daquilo que o faz sofrer... este é um trabalho seu, de autodisciplina. Só você poderá fazê-lo. Boa sorte!


Fonte: Somos Todos Um

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