"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




sábado, 6 de junho de 2009

Minha criança interior .

                                             


  Todo adulto tem uma criança dentro de si.




                  MINHA CRIANÇA INTERIOR

                                                                              
                                
   É um grande desafio para o ser humano, entender seu mundo interior e os motivos pelos quais determinados pensamentos e sentimentos nos acompanham,  sem que nós queiramos suas presenças em nossas mentes e corações. Quantos pensamentos caem em nossas mentes, ou mesmo quantas atitudes nós tomamos, sem entendermos os motivos destes eventos. Parece que há "alguma coisa " dentro de cada um de nós, que tem um poder maior que nossa vontade, e é ela que normalmente determina, os padrões de bem estar e felicidade interior de nossas vidas.

Preste atenção nesta afirmação..."todos estes pensamentos, sentimentos, emoções que temos nestes momentos, quase sempre é algo velado, impublicável, que normalmente escondemos de outras pessoas, pois temos vergonha de assumi-los..." Se você parar para ver os sentimentos deste momento, você vai constatar que tem dentro de si, uma criança exigindo reparos, por tudo aquilo que ela crê, que já sofreu na vida.

                                                    
Falamos muito de nossas sombras, e para refrescar sua memória, vamos relembrá-lo que sombras são eventos que nos aconteceram nos primeiros 7 anos de nossas vidas, onde reprimimos algum tipo de emoção, pela impossibilidade de colocá-la para fora naquele momento. Aquilo que foi reprimido, fica preso em nosso subconsciente como algo represado, e quando um fato qualquer da vida, nos lembra algo semelhante, ela sai para fora, trazendo junto, todas as emoções vividas no momento, e mesmo que não queiramos pensar ou sentir, o que a sombra nos traz, nós não conseguimos. A sombra impera, ela é a dona de nossas emoções e sentimentos.                                               

Outra possibilidade de sombras, são padrões desenvolvidos, reprimidos, traumatizados em outras existências, a chamada memória extra-cerebral, e como não foram naqueles momentos enfrentados e resolvidos, também voltam à tona, e se apresentam de maneira semelhante. O nosso ego, desenvolveu um instrumento chamado mecanismo de defesa, que tem apenas uma finalidade: NOS DEFENDER DAQUILO QUE POSSA NOS FAZER SOFRER, OU SE TORNE AMEAÇADOR À NOSSA SEGURANÇA. Aqui começa uma dificuldade do ser humano, que precisa ser analisada com muito critério, para ser entendida e deixar de ser um problema em nossas vidas. Se você ainda não entendeu, vamos deixar bem transparente, para que o seu entendimento seja total. O ego, o ser humano criou, como um mecanismo de defesa, como já explicamos, mas este mecanismo de defesa, visava nos defender principalmente de NOSSA VERDADE, para não permitir que a verdade doesse tanto. Desenvolvemos as personas ou máscaras, e nos escondemos do outro, para que o outro não nos veja,, pois se nos ver, saberemos que fomos descobertos, ou seja, nós nos veremos.E se eu me vejo, tenho que mudar. É mais fácil continuar se escondendo de mim, usando várias desculpas, ou objetos materiais, como formas de apegos, e não entrar em mim, para ver quem eu sou. Até hoje, depois de milhares de anos, nós fugimos de nossa verdade, através deste mecanismo de defesa, e continuamos sem evoluir. Evolução, é o conhecimento e a prática de nossas verdades. Cada vez mais o conhecimento e a prática de nossas verdades, nos leva ao conhecimento da verdade universal. Quando a atingirmos, viveremos o Deus que somos. Enquanto isso não ocorre, é importante termos em mente, a necessidade de estarmos centrados em se conhecer, se perceber. Temos um mundo interior, riquíssimo, mas cheio de fantasias, desequilíbrios, queixas, mágoas, cobranças, etc., e preciso libertá-lo do que não serve à minha evolução, e ficar apenas com os conteúdos de alma, da divindade. Portanto, deixar para lá, não enfrentar algo que me aconteceu e me incomoda, só prejudicará minha evolução. É praticar o mesmo, e o mesmo não é evolução.


                                    

         Uma criança no coração


Mas voltando um pouco ao papel das sombras em nossas vidas, é necessário revermos, que as sombras, estão arquivadas no nosso subconsciente, e tem o poder de sair do arquivo, toda vez que um evento a acioná-la. E a sombra vem à tona, sem que nós a desejemos. O pensamento vem à nossa mente, mesmo que nós não o queiramos. Atente agora, à sutileza do fato. Toda vez que uma sombra vem à nossa mente, como é que ela vem, ou seja, que tipo de emoção ela traz.


A emoção que ela lhe traz é semelhante ao quê? Se estiver bem atento ao teu sentir, verificará que a emoção que ela lhe traz, é uma emoção infantil. Uma emoção que você traz de sua infância, pois a sombra se criou até os 7 anos. É um pensamento e sentimento, que não tem sustentação no mundo adulto, por não ter equilíbrio. No momento que a sombra lhe aparece, você se torna criança. Experencia uma volta à infância por alguns momentos. Mas nem tudo na vida é sombra. A sombra é apenas uma pequena parte dos nossos desafios a serem vencidos. Outra grande parte, são os padrões emocionais herdados, (costumes, vícios ou sentimentos que adquirimos em nossa educação) que também como as sombras, nos prendem a aspectos de nossas infâncias, e o conjunto de nossas sombras e padrões emocionais herdados, configuram nossas neuroses. Se por acaso não lembra o significado de neurose, podemos entender neurose como fatos ou eventos ocorridos em nossas vidas pregressas, que impedem uma vida com qualidade e harmonia no presente. A partir de agora, para simplificar, a tudo que nos referirmos sobre dificuldades comportamentais, chamaremos apenas de neuroses, pois de fato, este é o seu nome. Olhe por um momento as suas neuroses. Lembre-se de qualquer uma delas. Não importa qual seja. Olhe-a com profundidade. Pergunte-se, porque precisa dela ainda? Porque não abri mão dela?.......Não importa a resposta que vier à sua mente. Certamente esta resposta é uma resposta infantil. Certifique-se, e verá que esta é uma verdade. Sua resposta sempre é infantil, pois a neurose sempre é infantil. Estando então, diante de uma resposta infantil, (a neurose é uma queixa infantil, de algo que não foi bem conduzido e apropriado) verificamos que diante de uma neurose, há sempre uma criança, reclamando algo, que nos leva a concluir, que temos em nós, uma CRIANÇA INTERNALIZADA. Posso afirmar, sem receio de estar incorrendo em um erro, que nossa maior dificuldade como ser humano, em atingir nossa plenitude e felicidade, é harmonizarmos esta criança internalizada. Criança queixosa, desamparada, triste, carente, possessiva, dominadora, mal humorada, rebelde, medrosa, dependente, autoritária.......... veja quantas destas crianças você tem dentro de você... Ufa!................ Provavelmente você localizou sua criança internalizada. Constatou vários de seus aspectos, e é possível, que pela primeira vez, a tenha enfrentado de frente, como deveriam te ensinar a fazê-lo sempre. Não se esqueça, que esta criança internalizada é cheia de marcas, de impedimentos, de comportamentos estereotipados, normalmente ela se comporta como outros a fizeram comportar. Não foi uma escolha sua, alguém a conduziu até agora, e infelizmente você aceitou esta violência, e a estava trocando pela sua liberdade de alma eterna. Ótimo, você agora percebeu algo com que convive a vida toda, te atrapalha muito e te faz sofrer............ e daí? Que você fará agora com isso? Como fazer para que a tua criança internalizada, não atrapalhe mais a tua vida? Ela está aí dentro de você.... é tirana, ou medrosa, ou triste, ou indecisa, ou irresponsável, ou atrapalhada, ou insegura, ou prepotente, ou gananciosa, ou orgulhosa, ou vaidosa, ou, ou, ou.....a forma dela se apresentar é variada, mas o mais importante é que você a localizou. Ela já foi muito mal tratada, violentada, judiada...mas, ela é sua, é sua propriedade, só você pode ajudá-la. É de sua responsabilidade sua condução e melhoria. Pense nos exemplos que temos da vida. Qualquer coisa para ir bem, tem que ser feita ou tratada com muito carinho, interesse, amor, dedicação, etc.... Com sua criança internalizada é a mesma coisa. Qual a quantidade de carinho, interesse, amor e dedicação você deu a ela até hoje? Como a tem tratado? É ..... você pode até dizer; - mas eu não sabia........, se não sabia, agora sabe..... de hoje em diante é responsável pelo seu bem estar, esta criança é sua, é a coisa mais importante de tua vida. Tua evolução se faz através dela. - Mas como trata-la?................. Olhe a vida........ como se deve tratar uma criança?. Da mesma forma com que se trata uma criança você deve trata-la. Com amor, respeito, atenção e disciplina. Se à uma criança é dado amor, respeito e atenção e não lhe der disciplina, ela não desenvolverá aspectos do seu Super-ego, e lhe faltará na vida adulta o limite adequado, para a condução de sua vida e relações. Lembre-se de suas neuroses..... em alguns momentos você age com você sem amor, tomando atitudes prejudiciais até de auto-flagelação e dor, esquecendo que você é um ser divino, e merece todo o amor do mundo.... Em outros momentos falta-lhe o respeito com a tua vida; ou a do próximo, ausentando-se de tomar atitudes equilibradoras, que evitariam muitos sofrimentos, deixando de fazer ou fazendo em excesso, não respeitando tua natureza e capacidades....


                 A inadequação do adulto
                                                                                
Você não se dá nenhuma atenção, privilegiando o outro, não se cuidando, pensando mais no outro, preocupando-se com a vida do outro, como se você fosse o responsável às soluções, que o outro necessita; nem de sua saúde cuidando, esquecendo-se de que só você pode se dar a atenção que precisa e merece, ficando como a mendigar atenção do outro, cobrando sua preocupação, como se fosse obrigação do outro lhe dar atenção.... Você já ouviu falar que o universo só existe, porque tem disciplina, pois se não tivesse, ele já teria sido destruído.... pense um pouco em você, em tua natureza.... você é um micro universo.... como quer funcionar bem se não tem disciplina ? . É..... mas como eu vou tratar minha criança internalizada , se eu sou adulto? Como fazê-lo? . Tratar nossa criança internalizada, além de lhe dar amor, respeito e disciplina, é também enfrentá-la. Enquanto tiver medo de sua neurose, não vai curá-la. É preciso nutrir nossa criança, e a melhor maneira de nutri-la, é acompanhá-la de perto. Seguir os seus passos. Não deixá-la tomar conta de você tiranamente, como tem feito até hoje. Faça a seguinte experiência.... quando sua criança internalizada, vier à tona, lhe cobrando atenção, carinho, dê o que ela estiver pedindo. Trate-a/se bem, nutra-a/se, ame-a/se. Se ela vier tiranamente, fazendo exigências, sendo rebelde,dando de vítima, ou de coitadinha....BRINQUE E RIDICULARIZE TUDO AQUILO QUE ELA ESTIVER EXIGINDO, tire sua força, desprestigie seus objetivos, goze de seus propósitos, brinque com seu lado tirano, esvazie suas exigências, dê muita risada, ria dela e com ela .Seja seu melhor parceiro e amigo. Se precisar, faça um acordo com ela. Faça uma troca, estabeleça regras e limites, trate-a como toda criança deve ser tratada, com amor e limites. Lembre-se, esta criança é seu maior patrimônio, responsável pelas suas maiores dificuldades evolutivas. Ela precisa apenas ser nutrida. Se o fizer com carinho, em pouco tempo, suas neuroses começarão a diminuir, e certamente você será mais feliz. Toda criança livre é feliz! Se você já reconheceu que tem dentro de você uma criança não livre, solte-a, deixe-a brincar mais, dê-lhe mais carinho, seja mais paciente com ela, ame-a, apesar das diversas mal-criações que ela te faz, dê hoje uma nova chance para ela, pois a chance é para você, e se comprometa, com ela e com você, à partir de hoje lhe dar mais amor, respeito, atenção e disciplina, pois esta é, verdadeiramente, a chave de tua felicidade.


                                                  

                                                                               

Porquê resgatar a criança interior?

Quando se reencontra com a criança interior, trazendo à memória acontecimentos e vivências dolorosas, o adulto em que hoje se tornou encontra-se em condições de explicar à criança que foi um dia o que ela não compreendeu, o que ela interiorizou talvez erradamente à luz do que sabia na altura e, simultaneamente, de lhe dar o que na altura era teria necessitado receber: compreensão, carinho, abraço, segurança, incentivo...
Trata-se de fazer crer à criança interior que o adulto que se é hoje está em condições de lhe dar tudo aquilo de que se viu privada. Chega-se a assumir para com ela o compromisso de estar atento e sempre à sua disposição para a ajudar quando, na vida do adulto de hoje, nela acordarem reminiscências negativas do passado.

Como se resgata a criança interior?

Através de um sistema de técnicas que induzem uma rápida transformação, sistema criado e apelidado hipnoterapia alquímica por David Quigley, de Santa Rosa, Califórnia, conduz-se a pessoa a um estado alterado de consciência, do transe leve ao profundo, passando pelo médio. A pessoa mantém-se sempre consciente, de tal modo que, por exemplo, no transe leve, mantém uma conversa em frente-a-frente sem que, aparentemente, se possa suspeitar que as suas ondas cerebrais estão mais lentas do que numa conversa com um amigo. A hipnoterapia alquímica induz uma cura a nível psíquico e energético que se opera seguidamente nos corpos emocional e mental e, consequentemente, no corpo físico onde estes últimos se encontram alojados.

Por outro lado, promove-se ainda neste seminário um maior auto-conhecimento recorrendo-se a exercícios, individuais ou em interacção com o grupo, que põem a descoberto crenças limitadoras enraizadas durante o processo de crescimento. Além disso, os participantes são também guiados ao mundo da infância ou ao seu mundo interno actual através de visualizações e meditações, por vezes trabalhando o corpo activa e energeticamente a fim de libertar emoções nele bloqueadas. A Programação Neurolinguística (PNL) é amplamente integrada no sistema da hipnoterapia alquímica.

O que resulta do resgate da criança interior?

Quando nos encontramos com a nossa verdadeira essência, descobrimos dentro de nós um ser merecedor de todo o amor do mundo. Levando para casa e para a vida uma sabedoria e claridade internas nunca experimentadas, assim como alguns instrumentos de trabalho, começamos a criar um novo espaço de relacionamento pessoal e inter-pessoal que concorre para nos sentirmos mais pacificados e mais dignos, tornando-nos assim mais capazes de transmitir plenitude e amor à nossa volta assim como no seio da própria família.

  Fonte:   darshanzen
                                           
          CUIDANDO DE NOSSA CRIANÇA INTERIOR
                                          
Quando nos propomos a nos conhecer e a nos aceitar, quando somos capazes de amar de forma mais plena e profunda, sem posse, sem cobranças, sem nos sentirmos vítimas quando estamos inteiros, corpo, mente e alma, conseguimos respeitar o outro na sua totalidade e particularidade. Somos capazes de perceber em nossos relacionamentos a graça e a espontaneidade da troca, a ternura e a sensualidade do toque, o gostoso de partilhar sem ansiedade e expectativa. Portanto, ao reescrever nossa história, somos diretores e atores ao mesmo tempo, criadores e responsáveis pelo nosso presente e idealizadores de nosso futuro, podendo buscar tudo isso de forma mais efetiva, acolhendo nossa criança interior. Para que essa criança maravilhosa, radiante e cheia de amor possa emergir, brincar e se mostrar, é necessário que seja encontrada, amada, valorizada, festejada e protegida.  Então, vamos ouvi-la, conhecê-la, e através de nossa vontade desvendar seus medos, ancorar seus traumas, desmistificar seus velhos paradigmas, reaver sua espontaneidade e alegria perdidas, enfim, reescrever sua história original acolhendo neste caminho sua ternura, ingenuidade e sorriso puro. Espelhar novamente o brilho nos olhos, a crença no futuro. Quebrar as correntes que nos amarram ao passado que controlam e que nos tornam controladores.  Devemos ser capazes de mergulhar dentro de nós mesmos procurando atender aos anseios do nosso coração, ser capazes de nos perdoar e de perdoar nossos pais, parentes e amigos, livrando-nos do peso morto de um passado já vivido e do fundo de nós mesmos tomarmos impulso e ressurgir mais sábios de nossos limites, mais tolerantes com nossas carências, mais suaves em nossas crises e críticas. Motivados e motivadores para vivermos o presente de forma plena. Menos intimidados e mais íntimos com nossos verdadeiros sentimentos, aptos a conviver de forma plena e equilibrada com nossa criança interior.




Texto de Neide Radi

Para falarmos da criança interior é necessário que partamos do adulto atuante e de todos os seus relacionamentos de co-dependência, dentro do emaranhado de emoções a que nos ligamos no dia-a-dia.
Quantas barreiras de intimidade, quantos mecanismos de defesa acionados para podermos viver e tentar nos relacionar?
Quantos não são os momentos ou situações em que nos deparamos com atitudes estereotipadas ou exageradas?
Que tipo de carências ou situações mal-resolvidas nos impelem a relacionamentos com pessoas erradas? Por que sentimos tanto medo, raiva, culpa, esta confusão de emoções?
Em que momento de nossa vida ficou marcada essa fragilidade, esse sentimento de desvalia e rejeição?
Em que ruas de nossa vida ficou a criança alegre e destemida que não encontramos mais?
Quantas lágrimas estes olhos choraram e quantas represaram que acabaram por envelhecer?
Tantas foram as carências que fizeram com que nos entupíssemos e nos viciássemos em comida, bebida, drogas, e em quantos braços não tão propícios fomos aquecer nossa criança ferida.
Quantos não foram os momentos em que, apesar das boas aparências, não houve solidão ou depressão?
Quantas crianças carentes e desencontradas existem dentro de nós?
Em quantos momentos de nossa vida a energia não foi bloqueada? Vários são os momentos de questionamento, ao qual damos o nome de crise existencial. Momentos em que alguma coisa muito importante falta dentro de nós, quando sentimos saudade de algo que parece que conhecemos mas de que não nos lembramos mais.
Ficamos como que imersos dentro de nós mesmos, buscando achar respostas e soluções através dos outros, vinculamos nossa felicidade e a colocamos em mãos alheias. Por comodidade ou covardia transferimos a responsabilidade da nossa vida para a responsabilidade do outro.
E em nome do "amor" e acreditando estar "amando" projetamos todas as nossas carências e necessidades no outro, "vivendo" em função daquilo que possa vir de fora.
Esquecendo que desta forma jamais estaremos resolvidos, pois por mais que o outro nos ame parece não bastar tudo o que ele possa nos ofertar, a necessidade da nossa carência é sempre maior, nossa ânsia de atenção e disponibilidade é inesgotável.
Nós, e somente nós mesmos, podemos resgatar nossas emoções mal-resolvidas. Os outros são nossos companheiros de viagem, que podem apontar e partilhar caminho, porém a escolha é sempre nossa. Existem vários companheiros nessa viagem, pessoas, situações, florais, cristais, terapias etc.
Essas oportunidades nos aparecem para que possamos reavaliar nossa vida, para que aprendamos novas lições e ampliemos nosso horizonte.
Perceber nossos limites é um caminho importante na busca do auto-conhecimento.
Quando de forma questionadora e corajosa tentamos nos redescobrir, percebemos que a maior das nossas respostas se encontram na infância, na forma como fomos recepcionados pelas pessoas.
Para que possamos ser adultos mais equilibrados entre sentimentos, emoções e ego, é indispensável conhecermos e reavaliarmos nossa estrutura, percebemos o porquê de nossas reações, de que forma nossos conceitos e preconceitos foram estabelecidos, a fim de atualizarmos nossos valores, sermos capazes de mudar, encher com coisas novas nossa mente e coração, trazendo para nossa mente novos amores, sentimentos e emoções.
Quando nos propomos a nos conhecer e a nos aceitar, quando somos capazes de amar de forma mais plena e profunda, sem posse, sem cobranças, sem nos sentirmos vítimas quando estamos inteiros, corpo, mente e alma, conseguimos respeitar o outro na sua totalidade e particularidade. Somos capazes de perceber em nossos relacionamentos a graça e a espontaneidade da troca, a ternura e a sensualidade do toque, o gostoso de partilhar sem ansiedade e expectativa.
Portanto, ao rescrever nossa história, somos diretores e atores ao mesmo tempo, criadores e responsáveis pelo nosso presente e idealizadores de nosso futuro, podendo buscar tudo isso de forma mais efetiva, acolhendo nossa criança interior.
Para que essa criança maravilhosa, radiante e cheia de amor possa emergir, brincar e se mostrar, é necessário que seja encontrada, amada, valorizada, festejada e protegida. Então, vamos ouvi-la, conhecê-la, e através de nossa vontade desvendar seus medos, ancorar seus traumas, desmistificar seus velhos paradigmas, reaver sua espontaneidade e alegria perdidas, enfim, rescrever sua história original acolhendo neste caminho sua ternura, ingenuidade e sorriso puro. Espelhar novamente o brilho nos olhos, a crença no futuro. Quebrar as correntes que nos amarram ao passado que controlam e que nos tornam controladores.
Devemos ser capazes de mergulhar dentro de nós mesmos procurando atender aos anseios do nosso coração, ser capazes de nos perdoar e de perdoar nossos pais, parentes e amigos, livrando-nos do peso morto de um passado já vivido e do fundo de nós mesmos tomarmos impulso e ressurgir mais sábios de nossos limites, mais tolerantes com nossas carências, mais suaves em nossas crises e críticas. Motivados e motivadores para vivermos o presente de forma plena. Menos intimidados e mais íntimos com nossos verdadeiros sentimentos, aptos a conviver de forma plena e equilibrada com nossa criança interior.



"Querido Osho, Você poderia, por favor, falar sobre o espírito brincalhão? Eu pergunto porque existe um lindo garotinho dentro de mim que eu negligenciei por muito tempo. Este garotinho é brincalhão, curioso e extático. Mas, na maior parte do tempo eu não lhe permito perder o controle. Por favor, comente. "


 Osho responde :


Anand Gogo, o espírito brincalhão é uma das partes mais reprimidas dos seres humanos. Todas as sociedades, culturas e civilizações têm sido contra o espírito brincalhão porque a pessoa brincalhona nunca é séria. E a não ser que a pessoa seja séria, não é possível dominá-la, não se consegue fazer com que ela se torne ambiciosa, que deseje poder, dinheiro e prestígio. A criança nunca morre em quem quer que seja. Ela não morre quando você cresce; a criança permanece. Tudo o que você foi, ainda está aí dentro. E assim permanecerá até seu último suspiro. Mas a sociedade sempre tem medo de pessoas não-sérias. Pessoas não-sérias não terão ambição por dinheiro ou por poder político.Elas irão curtir mais a existência. Mas, curtir a existência não irá lhe trazer prestígio, não o tornará poderoso, não irá satisfazer o seu ego, e todo o mundo do homem gira ao redor da idéia do ego. O espírito brincalhão é contra o seu ego. Você pode experimentar e ver. Simplesmente brinque com crianças e você perceberá que seu ego estará desaparecendo e que você estará se tornando uma criança novamente. Isto é verdadeiro não apenas para você. Isto é verdadeiro para qualquer um. Porque a sua criança interior foi reprimida, você reprimirá as suas crianças. Ninguém permite que suas crianças dancem, cantem, gritem ou pulem. Por motivos corriqueiros: talvez alguma coisa possa ser quebrada, talvez elas possam molhar a roupa na chuva se correrem lá fora. Por estas pequenas coisas, uma grande qualidade espiritual - o espírito brincalhão - é totalmente destruída. A criança obediente é elogiada pelos seus pais, pelos professores, por todo mundo, enquanto a criança brincalhona é condenada. O seu espírito brincalhão pode ser absolutamente inofensivo, mas ele é negado porque potencialmente existe um perigo de rebelião. Se a criança continuar crescendo com total liberdade para ser brincalhona, ela vai acabar sendo um rebelde. Ela não será facilmente escravizada, ela não se alistará facilmente num exército para destruir pessoas ou ser destruída. Uma criança rebelde acabará se tornando um jovem rebelde. Depois você não conseguirá forçá-lo a se casar, a aceitar um determinado trabalho; e a criança não poderá ser forçada a preencher os desejos e vontades não realizados de seus pais. Um jovem rebelde seguirá o seu próprio caminho. Ele viverá a sua vida de acordo com seus próprios desejos internos e não de acordo com os ideais de outras pessoas. O rebelde é basicamente natural. A criança obediente está quase morta; então os pais ficam muito felizes porque ela está sempre sob controle. O homem é estranhamente doente: ele quer controlar as pessoas. Controlando as pessoas o seu ego fica satisfeito, ele é alguém especial. Ele próprio também quer ser controlado, porque assim ele não é mais responsável. Por todas essas razões, o espírito brincalhão é sufocado, é esmagado desde o início. Você está perguntando, ‘existe um lindo garotinho dentro de mim que eu negligenciei por muito tempo. Este garotinho é brincalhão, curioso e extático. Mas, na maior parte do tempo eu não lhe permito perder o controle.’ Qual é o medo? O medo foi implantado pelos outros: sempre mantenha o controle, sempre permaneça disciplinado, sempre respeite os mais velhos. Siga sempre o padre, os pais e os professores – eles sabem o que é certo para você. Nunca é permitido à sua natureza ter sua própria voz. Aos poucos você começa a carregar uma criança morta dentro de si. Esta criança morta dentro de si, destrói o seu senso de humor: você não consegue rir com a totalidade de seu coração, você não consegue brincar nem curtir as pequenas coisas da vida. Você se torna tão sério que a sua vida, ao invés de se expandir, começa a se encolher. Eu sempre desejei saber porque o cristianismo se tornou a maior religião do mundo. Por várias vezes eu cheguei à conclusão de que é por causa da cruz e do Jesus crucificado – tão triste, tão sério... Naturalmente você não pode esperar que Jesus estivesse sorrindo na cruz. E milhões de pessoas vêem uma semelhança entre elas mesmas e Jesus na cruz. A sua seriedade e a sua tristeza foram as razões para que o cristianismo se espalhasse mais do que qualquer outra religião. Eu gostaria que nossas igrejas e templos, nossos mosteiros e sinagogas se tornassem não-sérios, fossem mais brincalhões, cheios de risos e alegria. Isto traria para a humanidade uma alma mais saudável e mais integrada. Mas você está aqui... Pelo menos, sendo meu amigo, você não precisa carregar a sua cruz sobre seus ombros. Abandone a cruz. Eu ensino vocês a dançar, a cantar e a brincar. A vida deve ser, a cada momento, uma criatividade preciosa. O que você cria não interessa – pode ser apenas castelos de areia na praia – mas o que você fizer, deverá brotar de seu espírito brincalhão e de sua alegria. Nunca permita que sua criança morra. Alimente-a e não tenha medo de que ela fique fora de controle. Para onde ela poderá ir? E mesmo se ela ficar fora de controle – e daí? O que você pode fazer fora do controle? Você pode dançar feito um louco, rir feito um louco, pode pular e correr feito um louco. As pessoas podem pensar que você está louco, mas isto é problema delas. Se você está curtindo isto, se a sua vida está sendo nutrida por isto, então não interessa, mesmo se isto se tornar um problema para o resto do mundo. Playfulness Osho Zen Tarot No meu tempo de faculdade, eu costumava fazer uma caminhada bem cedo, as três ou quatro horas da manhã. Exatamente ao lado da minha casa havia uma pequena rua com um bambuzal muito escuro... E aquele era meu local preferido porque era muito raro encontrar alguém ali. Apenas o vigia da casa de um homem rico costumava me ver. Mas um dia – isto talvez seja o que você chamaria de estar fora do controle – eu estava correndo ao longo da rua quando tive uma idéia de que seria bom se eu corresse de costas, para trás. Na Índia existe uma superstição de que os fantasmas andam de costas, mas eu tinha me esquecido disso completamente, e, de qualquer maneira, não havia pessoa alguma na rua... Assim, eu comecei a correr para trás. Eu estava curtindo muito aquilo e era uma manhã bastante fresca. Então aconteceu do leiteiro me ver... As pessoas costumavam trazer leite dos pequenos povoados e ele tinha vindo um pouco mais cedo do que o usual, por isto ele nunca tinha me visto anteriormente. Carregando dois baldes de leite, ele de repente me viu. Eu devia estar escondido na sombra dos bambus e quando ele chegou mais próximo, onde havia um pequeno facho de luz, eu de repente apareci, correndo de costas. Ele gritou, ‘Meu Deus’, largou os baldes e saiu correndo. Eu ainda não tinha percebido que ele estava com medo de mim. Eu pensei que ele estava com medo de alguma outra coisa. Assim, eu peguei os seus dois baldes, embora o leite já estivesse derramado... Eu pensei que pelo menos deveria lhe devolver os dois baldes, mesmo com o leite já derramado, por isto eu corri atrás dele. Ao me ver aproximando. .. Eu nunca vi alguém correr tão depressa. Ele poderia ser um campeão do mundo em qualquer tipo de corrida. Eu estava muito surpreso e comecei a gritar, ‘Espere!’ Ele olhava para trás sem dizer coisa alguma. Toda a cena estava sendo acompanhada pelo porteiro do homem rico. Ele me disse, ‘Você vai matá-lo.’ Eu disse, ‘Eu só quero lhe devolver os baldes.’ Ele disse, ‘Deixe os baldes comigo. Quando o sol nascer, ele voltará. Mas não faça essas coisas. Algumas vezes você me dá medo também, mas eu já o conheço... Por anos eu tenho visto você fazer todo tipo de coisas estranhas nesta rua e algumas vezes eu sinto medo. Eu penso: quem sabe se é realmente você ou se é algum fantasma que está vindo atrás de mim? Algumas vezes eu tranco o portão e vou para dentro. Eu sempre mantenho minha arma carregada por causa de você. Eu disse, ‘Você deveria entender uma coisa: se eu for um fantasma, a sua arma não terá qualquer utilidade. Você não consegue matar um fantasma com um tiro. Assim, jamais use a arma porque um fantasma não será afetado por ela, mas se um homem de verdade estiver ali, você poderá ser preso como assassino. Ele disse, ‘Isto é verdade. Eu nunca tinha pensado em fantasmas... Mas estando justamente em frente de mim ele faria com que eu usasse todas as balas. Algumas vezes o medo é tão grande... Eu posso atirar em um homem e matá-lo’. Eu disse, ‘Simplesmente olhe para mim: em primeiro lugar esteja certo se eu sou um homem verdadeiro ou um fantasma. Você pode fazer uso de sua arma e talvez seja apenas um fantasma que está persuadindo você.’ Ele disse, ‘O que...?’ E ele começou a colocar as balas de novo na sua arma. Eu disse, ‘Fique com os dois baldes’. Eu permaneci por quase seis meses naquela parte da cidade e todos os dias eu perguntava ao vigia, ‘Aquele homem já voltou?’ Ele dizia, ‘Ele não voltou. Estes dois baldes estão aqui esperando por ele. Mas eu acho que ele nunca mais vai voltar. Ou ele se foi para sempre ou ele ficou com tanto medo deste lugar que nunca mais ele retornará a esta rua. Eu tenho ficado atento e quando é a hora de trocar de turno, eu digo ao outro vigia que se alguém vier... E nós mantemos estes baldes em frente ao portão de modo que ele possa reconhecer que os seus baldes estão aqui. Mas seis meses se passaram e até agora nem sinal dele.’ Eu disse, ‘Isto é uma coisa muito estranha.’ Ele disse, “não há nada de estranho nisto. Você poderia ter matado qualquer um, aparecendo de repente no escuro. Por que você estava indo para trás? Eu sei que muita gente corre, mas correr para trás...’ Eu disse, ‘Eu sempre tenho corrido, mas eu me cansei de estar sempre indo para a frente. E só para variar, eu estava experimentando correr para trás.' Eu nunca iria desconfiar que justamente naquele dia aquele idiota iria aparecer – ninguém jamais aparece naquela rua. Aquele homem deve ter espalhado um boato, e os boatos se espalham feito fogo selvagem. Mesmo o proprietário da casa onde eu estava morando me disse, ‘Pare de ir tão cedo para sua caminhada matinal, vá apenas após o sol ter nascido, porque um homem viu um fantasma.’ Eu lhe disse, ‘Quem lhe contou?’ Ele disse, ‘Minha esposa me contou e toda a vizinhança já sabe. Depois das oito horas da noite a rua fica deserta.’ Eu lhe disse, ‘Você pode não acreditar, mas não havia fantasma algum. Na verdade era eu quem estava correndo para trás...’ Ele disse, ‘Não tente me fazer de bobo.’ Eu lhe disse, ‘Você pode vir comigo. Às três horas da manhã não existe ninguém. Ele disse, ‘Por que eu deveria correr o risco? Mas uma coisa é certa: se você não parar de ir, você terá que deixar a minha casa. Você não poderá morar lá.’ Eu disse, ‘Isto é muito estranho. Mesmo que a rua estivesse cheia de fantasmas, por que você deveria insistir em que eu deixasse a sua casa? Você não pode me forçar. Eu pago o aluguel...Você tem me dado um recibo. E num tribunal você não poderá alegar que este homem vai para uma rua onde os fantasmas correm. Eu acho que nenhum tribunal vai aceitar este tipo de alegação.’ Ele disse, ‘Você quer dizer que vai me levar ao tribunal? Se você é tão insistente, pode continuar morando nesta casa. Eu vou vendê-la. Eu deixarei a casa.’ ‘Mas,’ eu disse, ‘Eu não sou um fantasma.’ Ele disse, ‘Isto eu sei. Mas você se mistura com fantasmas e um dia, algum deles poderá segui-lo até a casa e eu sou um homem com esposa e filhos. Eu não quero correr qualquer risco.’ Abundance Osho Zen Tarot Aqui você não precisa ter medo, pode correr de costas. E ainda que você seja um fantasma de verdade, ninguém vai notar você. Se aqui você não conseguir liberar o seu espírito brincalhão, então você não será capaz de liberá-lo em lugar algum no mundo. Libere-o totalmente, deixe-o fora de controle e uma vez que sua criança está verdadeiramente viva e dançando dentro de você, isto irá mudar o próprio sabor de sua vida. Isto lhe dará um senso de humor, uma bela gargalhada, e destruirá toda a sua fixação na cabeça. Isto fará de você um homem do coração. O homem que vive em sua cabeça, não vive de jeito algum. Somente o homem que vive em seu coração e canta canções que não são compreensíveis pela sua cabeça, consegue dançar aquilo que não é de maneira alguma relevante em qualquer contexto externo... Dance a partir de sua abundância, a partir de sua riqueza. Você tem tanta energia que gostaria de dançar, cantar e gritar... Então faça isto! Isto tornará você mais vivo, isto lhe dará a oportunidade de saborear o que a vida realmente é. O homem sério já está morto antes de sua morte. Muito antes de sua morte ele permanece quase como um cadáver. A vida é uma oportunidade tão valiosa; ela não deve ser perdida com seriedade. Guarde a seriedade para a sepultura. Deixe que a seriedade se desmorone na sepultura, aguardando pelo dia do julgamento final. Mas não se torne um cadáver antes da sepultura. Eu me lembro de Confúcio. Um de seus discípulos lhe fez uma pergunta muito típica de milhares de pessoas: ‘Você poderia me dizer algo a respeito do que acontece após a morte?’ Confúcio disse, ‘Todos estes pensamentos a respeito da morte, você poderá refletir a respeito quando já estiver na sua sepultura, após a morte. Neste exato momento, viva!’ Existe um tempo para viver, como existe um tempo para morrer. Não os misture, senão você perderá ambos. Neste exato momento, viva totalmente e intensamente; e quando morrer, morra totalmente. Não morra parcialmente: um olho morre e o outro permanece olhando ao redor, uma mão morre e a outra continua procurando pela verdade. Quando você morrer, morra totalmente.. . E reflita sobre o que é a morte. Mas neste exato momento, não desperdice tempo refletindo sobre coisas que estão muito longe: viva este momento. A criança sabe como viver intensamente e totalmente, e sem qualquer medo de que vai perder o controle. Neste templo, lhe é permitido ser você mesmo, sem qualquer inibição. Eu gostaria que isto acontecesse em todo o mundo. Isto é apenas o começo. Aqui, comece a viver momento a momento, totalmente e intensamente, cheio de alegria e brincadeira, e você verá que nada ficará fora de controle, que a sua inteligência se tornará mais aguçada, que você vai se tornar mais jovem, que o seu amor vai se tornar mais profundo. E quando você voltar para o mundo, onde quer que você vá, espalhe a vida, o espírito brincalhão, a alegria, o tanto quanto for possível – a todos os cantos da terra. Se todo o mundo começar a rir, curtir e brincar haverá uma grande revolução. A guerra é criada por pessoas sérias; assassinatos são cometidos por pessoas sérias; suicídios são cometidos por pessoas sérias; os manicômios estão cheios de pessoas sérias. Simplesmente observe o dano que a seriedade tem causado aos seres humanos, e você pulará logo para fora da seriedade e liberará a sua criança, que está dentro de você, esperando para brincar, cantar e dançar. Toda a minha religião consiste no espírito brincalhão. Esta existência é a nossa casa: estas árvores e estrelas são nossas irmãs, estes oceanos, rios e montanhas são nossos amigos. Neste imenso universo fraternal, você está sentado feito uma estátua de Buda. Eu não prego um Buda de pedra; eu quero que você seja um Buda dançante. Os seguidores de Buda não gostarão disto, mas eu não me importo com o que os outros pensam. Eu simplesmente me importo com a verdade. Se a verdade não sabe como dançar, ela está aleijada; se um Buda não é capaz de rir, algo está faltando; se um Buda não consegue se misturar com as crianças e brincar com elas, ele chegou próximo da qualidade búdica, mas não está totalmente acordado. Algo ainda está dormindo. No Japão existe uma série de nove quadros e eles são tremendamente significantes. Na primeira pintura o homem perdeu seu touro. Ele está olhando ao seu redor onde existem árvores e uma floresta densa, mas nenhum sinal do touro. No segundo, ele encontra pegadas do touro. No terceiro, parece que o touro está escondido atrás das árvores, apenas a sua parte traseira pode ser vista. No quarto, ele está próximo de alcançar o touro, que já pode ser visto totalmente. No quinto ele já pegou o touro pelo chifre. No sexto ele está brigando com o touro. No sétimo ele conquistou o touro. Ele está montado no touro. No oitavo ele está voltando para casa. No nono, o touro está no curral e o homem está tocando sua flauta. Nestes nove quadros está faltando um – eles vieram da China e lá, o pacote continha dez quadros.Quando eles foram trazidos para o Japão, o décimo foi deixado de lado porque ele parecia ser muito ultrajante – e o décimo é o meu Buda. No décimo quadro, o touro está no curral e o Buda está indo para o mercado com uma garrafa de vinho. A mente japonesa pensa que isto seria demais: o que as pessoas iriam pensar de um Buda com uma garrafa de vinho? Isto é ultrajante para a mente religiosa comum, mas para mim é o quadro mais importante de toda a série. Sem ele a série fica incompleta. Quando alguém alcança o estado de Buda, então se torna apenas um ser humano comum. Ir para o mercado com uma garrafa de vinho é simbólico: simplesmente significa que agora não há mais necessidade de se sentar em meditação; a meditação agora já está no coração; não há mais necessidade de ser sério. A pessoa encontrou o que queria encontrar; agora é tempo de curtir.

Aquela garrafa de vinho é um símbolo de curtição – agora é tempo de celebrar! E onde mais você pode celebrar, senão no mercado? Para a meditação você pode ir para a floresta, para as montanhas. Mas para a celebração você tem que ir para o mercado. Onde você iria encontrar uma discoteca? Lembre-se sempre do décimo quadro.
Não pare no nono. O nono é belo, mas incompleto. É preciso um passo a mais... Simplesmente tocar a flauta não é suficiente. Embriague-se. .. e dance loucamente! E Gogo, você tem um nome bonito. Qualquer coisa que faça estará apropriado ao nome Gogo.

" OSHO – The Rebellious Spirit _




filme : Duas vidas




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