"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector



sexta-feira, 15 de junho de 2012

A força que vem de dentro.



"Porque a força de dentro é maior que todos os ventos contrários."



Por:  Selma Ap Amaro de Aguiar

Milton H. Erickson

A Pessoa

Milton Hyland Erickson, nasceu em Nevada, EUA, em 15 de dezembro de 1901.

Rapaz jovem, filho de fazendeiro, contrai poliomielite aos 17 anos. Febril, à beira da morte, sua mãe recebe o triste diagnostico, do médico, que seu filho não passaria daquela noite. Ao ouvir aquela notícia Erickson ficou indignado.

Pediu a sua mãe que o arranjasse na cama de tal maneira que pelo espelho veria o sol nascer. Aos primeiros raios do sol, entrou numa coma profundo, vindo a despertar três dias depois. Foi sua primeira luta interior, em que experienciou a força que vem de dentro. Mais tarde constatou o primeiro dos conceitos que veio a desenvolver: o princípio ideodinâmico. Aquele que diz que uma idéia (um pensamento) é um ato de estado nascendi, como disse Freud.

Ficou totalmente paralítico, com uma inflamação tão grave que passou a sofrer de paralisia sensorial. Apenas a visão, a audição e a fala não foram afetadas. Preso a uma cadeira de balanço começou a observar as pessoas e o ambiente. Observou que suas irmãs muitas vezes diziam "sim" quando na realidade queriam dizer "não" e vice versa. Foi assim que Erickson começou a estudar a linguagem não-verbal e a linguagem corporal.

Erickson, por si mesmo, desenvolveu um tipo de concentração mental refazendo mentalmente cada movimento de sua musculatura repetidas vezes. A medida em que ia adquirindo mais força, aproveitava para exercitar um novo grupo de músculos. Começou a treinar sua mão, seus braços, aprendeu a andar de muletas, a equilibrar-se e a andar de bicicleta e em pouco tempo estava recuperado.

Quando conseguiu uma canoa, planejou fazer uma viagem começando num lago próximo do campus da Universidade de Wisconsin, seguindo até o Rio Mississipi e daí para o Sul além de St. Louis, voltando rio acima, fazendo o mesmo percurso.

Depois de vencer várias dificuldades, ter aprendido com elas e com os músculos bastante desenvolvido Milton Erickson foi para a Faculdade de Medicina.

Cursou a Universidade de Wisconsin e recebeu seu diploma médico no Colorado General Hospital, onde simultaneamente diplomou-se como mestre em psicologia. Após completar treinamento especial no Colorado Psychopathic Hospital, começou como psiquiatra no Rhode Island State Hospital.

Em 1930, juntou-se à equipe do Worcester (Massachussetts) State Hospital e se tornou psiquiatra-chefe do serviço de pesquisa. Quatro anos mais tarde, foi para Eloise, Michigan, como diretor de pesquisa e treinamento psiquiátrico do Wayne County General Hospital and Infirmary. Era também professor associado de psiquiatria no Wayne State University College of Medicine e professor de pós-graduação. Concomitantemente, foi, durante um breve período, professor de psicologia clínica na Michigan State University, em East Lansing.

Em 1948, estabeleceu-se em Phoenix, Arizona, principalmente por causa de sua saúde e iniciou a clinica particular. Foi membro tanto da American Psychiatric Association quanto da American Psychopathological Association, assim como da American Psychopathological Association. Além disso, foi membro honorário de numerosas sociedades de hipnoses médica na Europa, América Latina e Ásia: presidente fundador da American Society for Clinical Hypnosis, assim como editor da revista profissional dessa sociedade.

Depois de 1950, sua vida profissional incluir tanto a movimentada clínica particular de Phoenix quanto viagens constantes para ministrar seminários e palestras através dos Estados Unidos e de muitos paises estrangeiros.

Durante toda vida Erickson teve muitas reações alérgicas e por conta disso em outono de 1949 foi hospitalizado duas vezes devido à recorrência da doença do soro.

Em 1953 foi seu momento mais crítico foi hospitalizado em Mryland onde foi examinado por neurologistas, ortopedistas e médicos de várias outras especialidades. Milton desenvolveu muitas deficiências musculares e seus sintomas e recaídas pareciam estar relacionadas com a síndrome pós-poliomielite.

Em 1969, devido a gravidade dos sintomas passou a permanecer o tempo todo na cadeira de rodas.

Entre 1970 e 1980, foi perdendo gradualmente sua força muscular da língua e bochechas não podendo usar mais dentadura, conseqüentemente já não pronunciava mais as palavras de maneira clara.

Em 1974 abandonou suas atividades como psicoterapeuta clínico. Suas dificuldades e dores acentuavam a cada dia, principalmente no período da manhã. Certa manhã disse a sua esposa: "Hoje de madrugada, mais ou menos as quatro da manhã, achei que fosse morrer: ao meio-dia, estava feliz por estar vivo e passei a ser mais feliz desde então".

Uma pessoa que experiência a vontade de viver como força básica motivadora e desenvolve isto junto à hipnose: a força vem de dentro. Uma resposta interior.

Em 27 de março de 1980 Milton H. Erickson deixou de viver, mas imortalizou-se através de uma obra muito valiosa, com a utilização de hipnose naturalista, que ressignifica os caminhos ditos problemáticos.



O Hipnoterapeuta

Milton Erickson foi o pai da moderna hipnose médica. Sua criatividade para elaborar novos métodos de utilização e indução hipnótica era extraordinária. Ele foi co-autor de cinco livros sobre o assunto e publicou mais 130 artigos, a maioria deles sobre hipnoterapia.

Viajou intensamente, em particular dentro dos Estados Unidos, para ensinar hipnose a profissionais e geralmente era conhecido como "Sr. Hipnose" (Secter, 1982, p. 453).

Erickson legitimou a hipnose antes dele a ela não era considerada uma matéria tão importante ou uma das principais ferramentas terapêuticas. O psicanalista, Sigmund Freud; o gestalt terapeuta, Fritz Perls; o behaviorista, Joseph Wolpe e o analista transacional, Eric Berne conheciam a hipnose, mas a rejeitaram em favor do desenvolvimento das abordagens psicoterapeuticas que eles criaram e a promoção das suas teorias da personalidade de mudança.

Erickson continuou com a hipnose porque percebeu que ela poderia influenciar ou promover mudanças no paciente.

Ele não criou uma teoria especial de hipnose, mais distanciou-se radicalmente do seu uso tradicional através do qual o operador impõe sugestões a um sujeito passivo.

O seu método, ao contrário, enfatizava recursos internos do próprio paciente (cf. Hammond, 1984).

A hipnose ericksoniana é usada para obter respostas terapêuticas e a sua essência é estimular a cooperação do paciente.

A tarefa do psicoterapeuta ericksoniano é conseguir que o paciente realize os seus propósitos e desejos. A hipnose faz com que o paciente tenha à sua disposição os seus próprios recursos para a auto-ajuda.

Embora a hipnose formal seja um modelo de influência por excelência através da comunicação, mais do que usá-la exclusivamente, Erickson introduziu os métodos naturalistas, isto é, retirou técnicas da hipnose e as aplicou efetivamente na psicoterapia sem a necessidade de um ritual formal de indução. Na verdade, ele usou a hipnose formal em apenas um quinto dos casos que tratou (Beahrs, 1971), mais usava persistentemente técnica hipnótica mesmo quando não estava "fazendo hipnose".A abordagem naturalista era a essência da abordagem estratégica de Erickson para a terapia breve, a segunda área da sua genialidade.



O Psicoterapeuta

Com a publicação do livro Terapia não-convencional, por Jay Haley (1973), Erickson tornou-se mais conhecido como o pai das abordagens estratégicas breves para psicoterapia. Como profissional notavelmente bem sucedido nesse tipo de abordagem, ele acrescentou uma quantidade enorme de novos casos e métodos à literatura da psicoterapia estratégica breve e muita coisa ainda continua sendo descoberta nas gravações de antigas palestras (como em Rossi, Ryan & Sharp, 1983: Rossi & Ryan, 1985).

Haley (1980) escreveu que a terapia é um problema, não uma solução. Estar em terapia é o problema. A solução é conseguir, o mais rápido possível, que os pacientes saiam da terapia e vivam suas próprias vidas de forma independente. Erickson concordava com isto.

Sua terapia estratégica era uma abordagem baseada na acuidade da percepção instantânea do que de mais simples estivesse acontecendo com paciente, o mais pequeno detalhes e manifestações cotidianas. Enquanto superficialmente as suas estratégias pareciam não convencionais, na verdade ele tinha uma capacidade incomum para perceber mensagens profundas através da observação das coisas mais simples e mais freqüentes no comportamento do paciente.



O Professor

Um outro distanciamento em relação ao tradicional era o método ericksoniano de ensinar. Ele não avaliava seus alunos escutando gravações das suas sessões ou observando-os e interferindo na terapia que eles faziam. Ao contrário, ele ensinava usando vários níveis de influenciação comunicacional para despertar os recursos internos dos alunos.

Ele acabou com os limites entre "hipnose", "ensino" e "psicoterapia". Quando ele estava lecionando, estava fazendo hipnose e estava fazendo psicoterapia.

No conceito ericksoniano não existe muita diferença entre hipnose, ensino e psicoterapia, porque ele acreditava na aprendizagem inconsciente. O fundamental é saber que as pessoas já possuem os recursos que elas precisam para mudar. Por esta razão, para Erickson, psicoterapia, hipnose e o ensino são processos de aliciação, desenvolvimento de recursos e de ajuda para que as pessoas combinem estes recursos de uma maneira nova e mais eficiente.



"Eu normalmente não oferecia conteúdo; eu ensinava a motivar".

Milton H. Erickson





Dra. Selma Ap. Amaro de Aguiar é psicóloga, psicodramatista atuando na área Clínica e Educacional, com Pós Graduação em Alfabetização pela PUC SP





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Um comentário:

  1. ´É, querida Rejane. Quando lemos coisas desse tipo, percebemos que há problemas muito piores do que os nossos.
    Lindos textos. Estou buscando essa força interior em mim...

    bjs

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Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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