"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Para realizar nossos desejos precisamos reconhecer nossas necessidades.



"O homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é."

Fernando Pessoa




   

Por Bel Cesar
 Psicóloga e psicoterapeuta sob a perspectiva do Budismo Tibetano.


Por que nossos desejos nos parecem tão inalcançáveis? Porque não soubemos atender às nossas necessidades...
Quando não reconhecemos nossas necessidades, corremos o risco de não estabelecer os limites reais entre o que podemos e queremos oferecer.
Em geral, temos dificuldade para discernir a diferença entre necessidades e desejo.

Desejo é a motivação de manifestar algo, seja interno ou externo a nós, que nos proporciona prazer e satisfação. Já as necessidades são todas as condições que precisamos adquirir e amadurecer para que nossa motivação possa se manifestar de modo estruturado. Neste sentido, para conquistarmos o que quer que seja, interior ou exteriormente, temos antes que primeiro adquirir uma base sólida.

No entanto, na maioria das vezes, passamos por cima de nossas necessidades pois cremos que basta seguir nossos desejos para encontrar a felicidade.
O problema é que sem atender nossas necessidades não teremos condições reais para sustentar a manifestação de nossos desejos!

É como a construção de uma casa: primeiro, temos que analisar as condições do terreno, construir uma boa fundação, para depois ver a casa de nossos sonhos sendo construída... Caso contrário, estaremos construindo um castelo de areia.

Muitas vezes, associamos o fato de reconhecermos aquilo que nos falta como um sinal de carência, fraqueza e vulnerabilidade. Se tivermos uma autoimagem baseada no condicionamento de que somos insuficientes para enfrentar as adversidades, iremos naturalmente evitar olhar de frente o que nos falta. No entanto, isso é um erro de interpretação. Perceber nossas necessidades é apenas o primeiro passo do processo de autorrealização.

O perigo de nos sentirmos envergonhados de nossas necessidades é que acostumamos a escondê-las de nós próprios e dos outros. Desta forma, com frequência dizemos: "Não se preocupe comigo" (o famoso "tudo bem"). Associamos à ideia de que nossas necessidades podem incomodar os outros. Declaramos de que "não precisamos de nada" devido ao medo de nos tornamos um peso extra e sermos rejeitados. Afinal, quem nunca "dá trabalho" não corre o risco de ser excluído...

No entanto, desta forma, o feitiço se volta contra o feiticeiro. Poderemos não ser excluídos, mas seremos facilmente vítimas de abusados, pois nossas necessidades não serão reconhecidas e muito menos atendidas!

Nós mulheres, porque escutamos várias vezes o conto da Cinderela, aprendemos desde pequenas a associar a ideia de que precisamos primeiro sofrer para depois termos momentos de prazer. Afinal, Cinderela só poderia ir ao baile depois que tivesse cumprido todas as ordens de suas irmãs.

Mas, se reconhecermos essas irmãs como um símbolo de nossas necessidades internas, a coisa muda de figura. Atender às nossas necessidades é um dever que temos para conosco. Ou seja, ao "escutar as ordens de nossas irmãs", estaremos simplesmente atendendo às exigências que surgem diante de um processo de realização.

Neste sentindo, cumprir nossas obrigações deixa de ser um fardo para se tornar parte do processo de amadurecimento das condições necessárias para manifestar nossos desejos.

Seguir nossos desejos sem ter revisto nossas necessidades é uma forma de autodestruição. Pois, sem atender nossas necessidades, não somos capazes de sustentar nossos desejos.

Por exemplo, podemos ter o desejo de subir o Everest (substitua-o mesmo por algo que você queira muito), mas se ao começarmos a subir a montanha não nos dermos conta de que não temos os sapatos adequados, estaremos fadados ao fracasso.

Voltar para trás em busca de melhores condições não quer dizer desistir do desejo de subir a montanha, mas, simplesmente, compreender que nossas necessidades vêm em primeiro lugar!

Fazer esforço com perseverança faz parte de nossas conquistas, mas se passarmos por cima de nossas necessidades esse sofrimento se tornará inútil.

Precisamos aprender a considerar nossas necessidades como algo precioso e de grande valor ao invés de associá-las a uma condição de fraqueza ou insuficiência.

Nossas necessidades possuem um valor de moeda de troca importante em nossos relacionamentos. Afinal, para atender as necessidades alheias precisamos incluir também as nossas necessidades para ajudá-los!

Imagine a seguinte situação: você está apaixonada e seu amor pede que o leve ao aeroporto às 5:30h da manhã, pois passará seis meses fora do país. Sem hesitar, você diz que sim. Em seguida, ele a convida para jantar fora no restaurante de que você mais gosta. Imediatamente, você aceita. Vocês voltam para casa tarde, depois de alguns copos de vinho e acordam cedo para ir ao aeroporto. Depois, no caminho para o trabalho, você começa a sentir o cansaço tomando conta de seu corpo e sua mente. Triste com a despedida e irritada com a falta de sono, passa o dia distorcendo a realidade devido ao seu mau humor. As consequências desta empreitada mal elaborada virão à tona uma hora ou outra...

O fato é que desta forma você foi ao baile sem ter arrumado sua cozinha... Ao seguir impulsivamente o desejo de agradar seu namorado, deixou de se autopreservar. O hábito de agradar ao outro a qualquer custo faz com que as suas necessidades não sejam vistas.

À medida que aprendemos a atender às nossas necessidades diante das necessidades alheias, passamos a ter relacionamentos mais saudáveis. Pois, livres do fardo de corresponder às expectativas alheias como ordens inquestionáveis, passamos a nos sentir recompensados pelos benefícios de cuidarmos de nós mesmos.



A IMPORTANTE DIFERENÇA ENTRE NECESSIDADE E DESEJO 

Por : Luiz Marins 


Uma das maiores fontes de sofrimento é a  confusão que muitas pessoas fazem entre 

“necessidades não atendidas” e “desejos não realizados”. 
   
“Necessidades” referem-se a aspectos básicos da condição humana – alimentar-se,. Vestir-se, 
Ter um lugar para morar, etc. Quando essas necessidades não são atendidas, o ser humano 
vive numa condição sub-humana e deve lutar,  com todas as suas forças, para que essas 
necessidades sejam atendidas. A determinação  das “necessidades” evolui com o passar dos 
séculos e com a civilização. Pode-se até considerar como “necessidades” do mundo moderno, 
ter acesso a telefone, à luz elétrica, à educação de qualidade, emprego, etc., necessidades que 
simplesmente não existiam nas sociedades primitivas ou mesmo rurais dos séculos passados. 
   
“Desejos” são manifestações de nossa vontade. Não são necessidades. São desejos. Assim, 
temos o desejo de um carro novo, de um televisor maior, de um celular que nos permite 
fotografar. Temos também o desejo de ser promovido, de ter uma sala maior no trabalho, de 
conquistar maior fatia do mercado, de viajar para o interior ou para o exterior ou para uma 
bela praia. Isso tudo são “desejos” e não são “necessidades”. 
   
Posso controlar meus desejos. Posso mudar meus desejos. Posso postergar meus desejos. Mas 
não posso postergar a minha fome, o meu frio, a minha doença. Assim, tenho o livre arbítrio 
em relação aos meus desejos, mas não tenho em relação às minhas necessidades. 
Se confundirmos “desejos não realizados” com “necessidades não atendidas”, com certeza 
viveremos num grande sofrimento pois que, pensando que desejos são necessidades 
pensaremos não conseguir viver sem nossos desejos realizados. E seremos eternos infelizes, 
pois nossos desejos mudarão, aumentarão e nunca conseguiremos realizá-los todos. 
   
Sabendo essa importante diferença você poderá controlar seus desejos e adaptá-los à sua 
realidade e condição e será mais feliz. É claro que você deve sempre desejar a mais, desejar 
coisas melhores e melhores condições de  vida. Mas nunca deve confundir desejo com 
necessidade. 
Faça um exame de sua vida pessoal e profissional e veja se muitos de seus sofrimentos não 
advêm dessa confusão entre necessidade e desejo. 

Fonte: caodobrasil







"Um músico deve compor, 


um artista deve pintar,


um poeta deve escrever, 



caso pretendam deixar seu coração em paz. 



O que um homem pode ser, ele deve ser. 



A essa necessidade podemos dar o nome de 

auto-realização."



Abraham Harold Maslow 






2 comentários:

  1. Rejane. .fiquei feliz com sua visita e ao comentario tao simpatico que vc deixou por l;a.
    (tenho ddficuldade com este computador, me desculpe a falta de acento e outras coisitas ).

    Os textos escolhidos por vc para montar a sua postagem foram perfeitos.
    Muitas vezes deixamos de ser feliz porque desejamos muito.
    Alguem ja disse: quer ser feliz? diminua seus desejos.
    Os desejos materiais entao.... queremos uma roupa nova..no mento me traz felicidade..somos felizes at'e chegarmos a proxima vitrine.

    Ouvi uma vez uma palestra de um monge do Sul, esqueci o nome dele agora, que dizia assim:
    Todos os desejos devem ser realizados?
    Resposta: nao.
    Se vc tiver que passar por cima de seus valores, de seus amigos, ou se de alguma maneira seu desejo nao fara bem para a humanidade,
    este desejo nao 'e um bom desejjo.
    Ser'a que deve ser realizado??

    Escrevi muito, espero nao ter escrito nenhuma bobagem. Mas eu penso desta maneira.


    Um super beijo e um dia iluminado a vc.

    Ma Ferreira

    ResponderExcluir
  2. Oi, Rejane

    Interessante demais a postagem, pois frequentemente confundimos as duas coisas, como se fossem iguais e, justamente devido a essa confusão, em diversas situações nos perdemos em querer satisfazer os desejos achando que estes sejam necessidades vitais. Acho, Rejane, que a necessidade vem de um lugar mais profundo, que tem a ver com a evolução do homem, enquanto o desejo tem relação com a personalidade.

    “Se sua necessidade for grande e seu desejo pequeno, você encontrará delicioso alimento”. (Tradição Sufi)

    Parabéns! Excelente post, super completo. Bjkas com hiper carinho!

    ResponderExcluir

Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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