"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Individualidade e Egoísmo... é a mesma coisa?


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Sirley R.S. Bittú



É especialmente comum a confusão entre individualidade e egoísmo. Porque essas coisas se misturam tanto? Como desenvolvemos nossa individualidade e nossa capacidade de nos relacionarmos intimamente? Onde aprendemos qual sentimento é feio ou bonito? Somos educados para os outros, para o social ...”diga obrigado quando receber algo de alguém- principalmente de estranhos” . Não é esquisito isso?? A intimidade implica em desrespeito, então? Em desvalor? Quantas vezes ouvimos: “V. é de casa mesmo... não tem problema... ele(a) espera” ... ou aquela velha e conhecida frase: ... “primeiro as visitas”! Dificilmente nos dizem: ... “aprenda a se respeitar!”... “Seja grato ao que recebe, mas não se torne por isso, um eterno devedor” ... ou o inverso ...”doe apenas o que tem senão estará correndo o risco de se tornar um eterno credor”... “Saboreie suas vitórias valorizando também sua capacidade e seu potencial que o ajudou em suas conquistas” ...e não apenas “ofereça” os créditos aos outros, ou ao acaso... ou a eterna “sorte” . Ouvi certa vez, uma definição interessante: “sorte é o encontro do talento com a oportunidade!”, é dessa interação: eu (talento) – mundo (oportunidade) que estou falando.

Sou psicoterapeuta a mais de 10 anos e posso contar nos dedos de uma mão, o numero de pessoas que conheci que foram educadas a se respeitar em primeiro lugar. E a culpa? E a dúvida... será que “isso” não é egoísmo ou falta de educação? Nascemos emocionalmente misturados com o meio, enquanto bebês nossas sensações, desejos, e percepções ainda não são sentidas como nossas, fazemos parte de um todo confuso e complexo. Fantasia e realidade ainda estão indiferenciados.
Nesse momento somos ”naturalmente egoístas”, não existe o outro, tudo é eu. A nossa percepção, nossa forma de entender, sentir e encarar a realidade nasce daquilo que aprendemos e descobrimos durante esse processo de formação da identidade, através de nossas relações.

Nossas crenças, nossos valores, nossa fé nas mais diferentes coisas emergem da substancia da ilusão compartilhada em parte pela humanidade e em parte pelo crivo de nossa família e das pessoas que ajudaram a construir nossa matriz de identidade.

Todas as vivências e experiências pelas quais passamos, são filtradas pelos nossos parâmetros, que influenciam o nosso olhar. Portanto não existe uma única realidade, existem inúmeras formas de entender e compreender a mesma situação. Como diz o jargão popular: “depende do ponto de vista”. A individualidade poderia ser vista como essa forma particular de sentir, perceber e decodificar o mundo que nos cerca. Para podermos exercitá-la e desenvolve-la é necessário respeito.

Estou definindo como respeito a capacidade de permitir ao outro “ser”, expressar suas particularidades, suas características genuínas, seu potencial criativo e espontâneo; trata-se da aceitação do outro como ele é.
Para isso precisamos de coragem e humildade, para perceber que existem várias verdades e em diferentes ordens hierárquicas, ou seja, o que é importante para você pode ser importante para mim, não necessariamente na mesma ordem, ou pode simplesmente não ser; por se tratar de valores ou visões diferentes.

As pessoas não são feitas à ”nossa imagem e semelhança”, são diferentes, pois são resultado de sua própria história, e de suas singularidades. Quem te disse que o seu certo é o certo? O egoísta só se relaciona consigo mesmo, não percebe o outro, porque seu olhar esta confuso, perdido na própria imagem.
O auto-respeito é diferente do egoísmo. Desenvolvemos nossa capacidade de nos relacionar de forma saudável, no difícil aprendizado de assumir gradativamente a responsabilidade por nossa própria vida, por nossas escolhas e por nossas características boas ou não.
Paralelamente descobrimos a importância do outro em nosso desenvolvimento e sua influência em nosso crescimento emocional.
A pessoa que respeita a própria individualidade percebe que existe independente do outro, ela é mas ao mesmo tempo torna-se interdependente do meio, numa relação de troca, numa dança delicada e prazerosa.

3 comentários:

  1. O tema vem tão de encontro com uma situação vivenciada nos últimos minutos, que pareceu "sob encomenda"

    Como terapeuta observo a mesma dificuldade das pessoas em separar uma coisa da outra, não produzindo culpa ou carregando bagagem desnecessária na "travessia", e pessoalmente, fui desenvolvendo a capacidade de aceitar minhas limitações e estabelecendo o limite em que as "invasões" deixam de ser permitidas. É um processo de mudança que vai amadurecendo com a vida, no qual as pessoas mais próximas pensam que a gente "enlouqueceu", mas na verdade trocamos a estação em que ouvíamos a mesma cantilena, e ela não cabia mais na nossa realidade. SER aquilo que somos, respeitarmo-nos e respeitar o outro - incondicional aceitação - livre de qualquer sentimento de culpa ou egoísmo, é uma conquista árdua, suada, mas que vale a pena.

    Lembrei de Theodore Roosevelt:
    "Eu não me importo com o que os outros pensam sobre o que eu faço, mas eu me importo muito com o que eu penso sobre o que eu faço."

    Toda mudança implica em rever conceitos, e não dá para fugir disso. Ainda bem que mudamos!!

    Gosto imensamente de tuas abordagens. É sempre uma grata surpresa passar por aqui, Rejane.

    Beijos

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  2. Simplesmente amei esse post, e era exatamente sobre o que eu ia escrever... egoísmo e respeito.
    Até me perdi nas palavras, querendo "copiar" tudo que li aqui.
    =**

    ;D

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  3. "A alegria torna o homem sociável, a dor individualiza-o ..."


    Abraço.

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Rejane

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