"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Virada de ano.










por José Guilherme Vereza 

Fim de ano. Irresistível tentação a balanços e retrospectivas, olhadas para trás para seguir em frente ou embaralhar tudo de vez. Hora de renovações do espírito e promessas de decisões, coragem para mudanças de rumo ou consciência para deixar tudo do jeito que está. Há quem diga: pior não pode ficar. Há quem diga: se melhorar estraga. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Quem disse isso mesmo? Enfim, vai aqui uma mãozinha para esses momentos de inevitáveis reflexões, prováveis resoluções ou letárgicas empurradas com a barriga. Vão aqui algumas perguntas para se fazer a si mesmo sobre você mesmo neste ano que está indo embora. Claro, algumas questões se encaixam em você, outras nada a ver. Mas o todo serve para olhar o que se foi e aprimorar o que se vem. Ou não. Só tome o cuidado de não responder em voz alta, por favor. Pode constranger alguém. Pode despertar curiosidades indesejadas. Pode comprometer a sinceridade das respostas. E aí, enganar a si própria é a pior das traições.Preserve-se e solte a franga. Os balanços emocionais são pessoais e intransferíveis, não conte para ninguém. É você conversando com você mesmo, correndo sérios riscos de futucar a autoestima, sair por aí beijando os próprios bíceps e espelhos. Ou se achar uma pessoa chata de galocha em chuva fininha.
Mas afinal, o que é viver sem riscos? Aliás, você correu algum risco em 2009? Então, comece a se perguntar.
Eu corri riscos? Eu ousei? Eu me acomodei? Fiz por merecer?  Deixei o barco correr? Conquistei? Perdi? Lutei? Valeu a pena? Senti arrependimento? Faria diferente? Repetiria a dose? Dobraria a dose? Nunca mais a dose? Amei? Mantive o amor? Incrementei o amor? Esvaziei o amor? Beijei? Abracei? Gozei? Fiz alguém gozar? Chorei muito? Chorei pouco? Fiz alguém chorar? Não chorei? Morri de rir? Nenhuma risada? Poucas e boas? Morri de tédio? Morri de ansiedade? Morri de paixão? Morri de raiva? Morri só um pouquinho?
Li muito? Li pouco? Não li nada? Aprendi algo importante? Ensinei algo importante? Fui muito ao cinema? Fui pouco? Vi televisão demais? Vi televisão de menos? Entrei muito na internet? Vivi na internet? Não aproveitei a internet? Senti ódio? Senti compaixão? Senti pena? Me irritei com alguma coisa? Ou com alguém? Compreendi? Perdoei? Não perdoei? Pedi desculpas? Pedi arrego?
Senti a barra? Aliviei a barra? Mandei bem? Mandei mal? Perdi a cabeça? As estribeiras? O rumo de casa? Viajei? Quis viajar? Nem pensei em viajar?  Pratiquei a solidariedade? E a cidadania? Fui egoísta? Tive inveja? E ciúme? Errei muito? Errei pouco? Reconheci meus erros? Obedeci meus instintos? Briguei com meus instintos?
Fui vítima? Fui algoz? Sofri injustiça? Promovi justiça? Fiz alguém sofrer injustiça? Abri meu coração? Maltratei meu fígado? Cuidei bem da saúde? Passei muito fio dental? Usei muito fio dental? Passei filtro solar? Fiz exames médicos? Mantive o corpo em forma? Devi ginástica? Dei ouvidos para quem não merecia? Abri a boca para comer besteira? Abri a boca para falar besteira? Escrevi besteira? Pensei besteira?
Dispensei o que queria dispensar? Me dispensaram? Avancei o sinal? Parei com as rodas na calçada? Ultrapassei velocidade? Molhei a mão do guarda? Meus eleitos honraram meu voto? Nem foram eleitos? Engordei? Emagreci? Continuei na mesma?  Mudei alguma coisa em mim? Tive preguiça? Chutei o balde? Rodei a baiana? Enfiei o pé na jaca? Perguntei tudo o que queria me perguntar? Tenho mais perguntas que não estão nessa lista? Não quero saber de listas?

Agora é com você. Pare, pense, mexa-se, remexa-se. Instante que vem tem mais. Mais perguntas, menos perguntas, outras perguntas, talvez menos respostas ou até nenhuma resposta. Mais que saber responder, é saber perguntar. O importante não é chegar. É continuar seguindo sempre. Você com você mesmo.
E feliz o que vier, seja o que for. Um ano novo, um dia que amanhece, um agora mesmo, um instante seguinte.



Fonte : http://blog.bolsademulher.com/

Um comentário:

  1. "Há duas coisas a que temos de nos habituar, sob pena de acharmos a vida insuportável: são as injúrias do tempo e as injustiças dos homens."


    Abraço.

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