"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Não vemos e não ouvimos as coisas como elas são .

                Você enxerga com seus olhos, 

                    com o cérebro, ou com o coração?


                                       




Reflita sobre sua vida e analise sob que lentes de óculos está a sua 
acuidade  visual (o grau de aptidão para discriminar os detalhes).
Para ver o mundo melhor, só usando os  "óculos" da alma.     
                                  
Hebert Viana em sua música "Óculos":

"Se eu to alegre eu ponho os óculos e vejo tudo bem,
mas se eu tô triste eu tiro os óculos, eu não vejo ninguém"
“Não vemos as coisas como elas são, mas sim como nós somos”.

                                                                   Hilário Ascasubi


 E sua audição?  escuta a razão?


              Escuta o que ouve... ? 

                             .... ou escuta o que pensa?


Declaração de Amor
de Luís Fernando Veríssimo




Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensando bem, o berçário não era o melhor lugar.
Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado
você sem saber ouvir,
eu sem saber falar.

Tentei de novo, lembro bem, na escola.
Um PS no bilhete pedindo cola
interceptado pela professora como um gavião.
Fui parar na sala da diretora e depois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.
A vida é curta, longa é a paixão.

Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
“Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo”
E você não disse nada. E você não disse nada.
Só mais tarde, de ressaca, atinei.
Cheio de amor e cuba, me enganei
e disse tudo para uma almofada.

Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palpitações:
No mal-me-quer, bem-me-quer, dizimei jardins.
Resultado: sou persona pouco grata
corrido a gritos de “Mata! Mata!”
por conservacionistas, ecólogos e afins.

Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:
“Se não me segurarem faço um soneto”
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo
Mas fui premiado num concurso em Minas.

Comecei a escrever com pincel e piche
num muro branco, o asseio que se lixe,
todo o meu amor para a tua ciência.
Fui preso, aos socos, e fichado.
Dias e mais dias interrogado:
era PC, PC do B ou alguma dissidência?

Te escrevi com lágrimas, sangue, suor e mel
(você devia ver o estado do papel)
uma carta longa, linda e passional.
De resposta nem uma cartinha,
nem um cartão, nem uma linha!
Vá se confiar no Correio Nacional.

Com uma serenata, sim, uma serenata
como nos tempos da Cabocla Ingrata
me declararia, respeitando a métrica.
Ardor, tenor, a calçada enluarada…
havia tudo sob a tua sacada
menos tomada pra guitarra elétrica.

Decidi, então, botar a maior banca
no céu escrever com fumaça branca:
“Te amo, assinado..” e meu nome bem legível.
Já tinha avião, coragem, brevê
tudo para impressionar você
mas veio a crise, faltou o combustível.

Ontem você me emprestou seu ouvido
e na discoteca, em meio do alarido,
despejei meu coração.
Falei da devoção há anos entalada
e você disse “Eu não escuto nada”.
Curta é a vida, longa é a paixão.

Na velhice, num asilo, lado a lado
em meio a um silêncio abençoado
direi o que sinto, meu bem.
O meu único medo é que então
empinando a orelha com a mão
você me responda só: “Hein?”



2 comentários:

  1. Rejane, fiquei feliz por ser lembrado, e assim duas vezes, é dupla felicidade! Obrigado pelo carinho.

    *** Meu blog, seu blog....fique a vontade.
    bj meu

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  2. quando se faz tudo com a alma ...não conseguimos distinguir nada :) ... e ainda bem !

    beijo
    desde aqui

    teresa

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Muito obrigada pela visita.
Volte sempre!!
Rejane

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"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



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