"Vença a si mesmo e terá vencido o seu próprio adversário." (Provérbio japonês)



“Presos ou soltos, nós, seres humanos, somos muito cegos e sós. Quase nunca conseguimos transcender os nossos estreitos limites para enxergar os outros e a nós mesmos sem projetar o nosso próprio vulto na face alheia e a cara dos outros na nossa.”


"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe





"Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!"



Clarice Lispector



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Oniomania ou compulsão para gastar .

  


                                   Oniomania ou compulsão para gastar .                                                             

Por Laura Lopes
                    





Comprar, comprar e comprar... Muita gente compra para obter status, por necessidade, ou até mesmo por modismo, mas há quem compre pelo simples prazer que esse ato proporciona. Essas pessoas são os chamados consumidores compulsivos e formam 3% da população brasileira.






A oniomania, doença que ataca esse tipo de compulsivo, é caracterizada como um transtorno de personalidade e mental, classificado dentro dos transtornos do impulso.


Para o consumidor compulsivo, o que lhe excita é o ato de comprar, e não o objeto comprado. Essa pessoa "tem vontade de adquirir, mas não de ter", afirma o psicólogo Daniel Fuentes, coordenador do Ambulatório do Jogo Patológico (Amjo) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Segundo ele, a maioria dessas pessoas é composta por mulheres, mas todas possuem temperamento forte, são ágeis, dinâmicas, inquietas, perfeccionistas, possuem uma desenvoltura social e cultural maior, são imediatistas e muito inteligentes.


"O mais interessante dos dados que a gente conseguiu com o grupo foi que essas pessoas têm tendência a ser mais inteligentes do que a média das outras pessoas.


De alguma forma essa vantagem intelectual não é aplicada na vida, porque racionalmente são pessoas que, depois da compra, são capazes de saber que fizeram besteira", complementa. Na hora da compra, o craving (avidez) por comprar fala mais alto. Os compulsivos por jogos, por exemplo, possuem uma fixação maior que a fixação do viciado em cocaína.





Muitos problemas podem ser gerados por essa doença. Os compulsivos contraem dívidas de até dez vezes a sua renda mensal, o que gera problemas pessoais e familiares. Quando são privados dos meios de compra, chegam até a roubar. "Uma das pacientes, quando estava impossibilidade de comprar, a impulsividade era tamanha que ela chegou a roubar o produto, o que nunca tinha feito antes", relata. Essas pessoas, até então, eram honestas e se deixaram levar pelo impulso de comprar. Algumas vezes aplicam golpes, passam cheque sem fundo e pedem dinheiro emprestado para quitar dívidas advindas de sua compulsão.


"Não é um defeito de caráter, é uma doença mesmo, a pessoa não é desonesta, ela tem uma incapacidade de controlar esse impulso.


Elas chegam ao tratamento porque acabam atrapalhando a vida das outras pessoas."

Além de sua compulsão em comprar, as pessoas que sofrem da oniomania apresentam outros tipos de impulsividades, como fazer muito exercício, comer exageradamente e trabalhar muito. Mas não compulsivamente, como o obeso ou o workaholic, mas fazer tudo com exagero.


Ao comprar, elas não pensam em colecionar coisas, mas acabam sempre comprando um determinado tipo de objeto. "Uma paciente tem 120 pares de sapato, a outra tem mais de 600 CDs, teve outro caso em que a pessoa gastou um talão de cheques em um só dia. Outra paciente possui 30, 40 vestidos semelhantes e que nem são usados", garante Fuentes.

Muita gente acha que o consumidor compulsivo compra apenas por problemas emocionais.


A depressão está muito ligada a isso, mas não é o que determina o impulso para a compra. As pessoas compulsivas, mesmo quando tratadas com medicamentos antidepressivos, não deixam de ter seus impulsos e, quando conseguem se recuperar, passam por uma crise de abstinência parecida com a dos usuários de drogas pesadas.


O compulsivo acaba comprando excessivamente porque não resiste ao seu impulso, e, enquanto não realizar a compra, se sente ansioso, irritado e suas mãos ficam suadas. "Isso tudo é tranqüilizado quando ele compra e muitas vezes pouco importa o que compra", diz Fuentes.


O mito de que "eu vou comprar porque estou me sentindo mal-amado" não tem a ver com o transtorno do impulso.

Apesar dessas pessoas com transtorno viverem em uma sociedade que respira propaganda, o professor Dilson Gabriel dos Santos, da Faculdade de Economia e Administração da USP, nega que esse seja o principal motivo que leva o consumidor a se tornar um compulsivo. "Nos Estados Unidos, antes de chegar nos caixas de supermercado, você tem que passar por um 'corredor polonês' cheio de produtos. Aqueles são produtos típicos de compra por impulso, mas que atingem todos os tipos de consumidor. No caso dos consumidores compulsivos, eles tornam-se presa fácil para os estímulos do marketing", e complementa: "O marketing não tem o propósito de agir sobre as pessoas compulsivas, e nem tem como distinguir quem é normal e quem compra compulsivamente".


Às vezes, o fato de um produto estar bem colocado na vitrine, ou em promoção, ou até sendo degustado em um supermercado, pode levar o compulsivo a comprá-lo porque chama sua atenção, mas ele poderia comprar qualquer outro produto, pois o impulso que lhe faz comprar independe do que ele vai adquirir. "Imagine a pessoa que está propensa a comprar. Ela responde bem a esses estímulos, e muitas delas sentem uma sensação de completude.


Por não ser uma compra planejada, ela pode comprar aquilo que estiver chamando mais a atenção na hora", diz Fuentes. Nos casos de compra por internet ou TV, por exemplo, há muita devolução do produto justamente porque ele não é o mais importante no ato da compra.


Quando o produto chega em casa, a pessoa percebe que comprou algo inútil e o devolve.

Para esses consumidores compulsivos, o professor Dilson dá uma dica: "O pessoal que é mais racional sugere que você saia com uma listinha e a siga rigorosamente. É uma forma de você se defender dos estímulos permanentes e que estão em qualquer lugar, gastando menos".



Como saber se sou um compulsivo?
não resistir ao impulso de comprar
gastar mais que o planejado, o que o prejudica financeiramente
acabar com seus planos de vida e das pessoas à sua volta
pedir dinheiro emprestado para os outros e até aplicar golpes para poder saldar a dívida
precisar efetuar a compra de qualquer maneira, independentemente do produto comprado
perceber que está comprando coisas que não usa ou usa muito pouco
assumir dívidas entre sete e dez vezes o valor de sua renda mensal



Tratamentos

psicoterapia com profissionais especializados � a primeira etapa é passar o controle dos bens para alguém de confiança e a segunda, é o auto-conhecimento e a busca do motivo pelo qual a pessoa compra compulsivamente
tratamento secundário com antidepressivos, nos casos em que o paciente apresenta quadro de depressão
grupos de auto-ajuda, como o DA (Devedores Anônimos)




Compulsão por compar? isso tem solução


Por Ana Beatriz B. Silva








Quem sou eu? Quem é você? Quem somos nós?

Estas perguntas podem ser respondidas de maneiras diversas. Se quisermos nos focar no ato de consumir, poderíamos responder respectivamente: alguém que consome, outro alguém que também consome e, finalmente, nós somos os indivíduos que consomem em uma sociedade essencialmente consumista.

Se nos fosse possível fazer tudo a que nos propomos todos os dias: trabalho, alimentação saudável, atividade física, curso de aperfeiçoamento, lazer, cuidados com filhos e com a casa, atenção aos amigos, namorar - porque ninguém é de ferro - e finalmente dormir... nosso dia precisaria ter, no mínimo, trinta e seis horas. Como 'esticar' o dia está além de nossa condição, só nos resta fazer tudo, ou quase tudo, correndo, sem usufruir nada direito. Acabamos assim consumindo nosso lazer, nosso repouso, nossa saúde, nossos prazeres reais e também nossos afetos. Para entendermos o transtorno do comprar compulsivo é fundamental que tenhamos em mente uma visão reflexiva e crítica sobre nossas verdadeiras necessidades de consumo e os fatores que as influenciam.

Na sociedade capitalista vários são os motivos que movem uma pessoa a comprar: necessidade real, carência afetiva, manutenção do status, adquirir poder ou projeção imediata, modismo, apelo do marketing, influência de determinado grupo de convívio, ilusão de segurança, etc.

Sabendo disso, o mercado sempre oferece algo novo para ser consumido com a promessa de ser mais bonito, mais prático, mais eficaz, mais tudo, enfim. Isso com o objetivo claro de desencadear em todos nós a compra por impulso, aquele algo a mais que compramos, em geral, atraídos pelo apelo publicitário instantâneo.

No transtorno do comprar compulsivo a situação é ainda mais complicada. A pessoa compra em quantidades exageradas, gastando em geral muito mais dinheiro do que pode, contraindo dívidas, passando cheques sem fundos, em geral pré-datados, gerando dessa forma prejuízos materiais e afetivos para si e para os familiares mais próximos.

A compra no transtorno do comprar compulsivo é antecedida de um desejo incontrolável e, no ato da compra em si, a pessoa vivencia um grande sentimento de alívio tensional de prazer propriamente dito, ou ainda, uma incrível sensação de poder e felicidade. A essa 'onda boa' seguem-se em geral a culpa e o remorso por mais um fracasso frente à compulsão de comprar. Habitualmente o compulsivo de compras tenta manter seu descontrole em segredo, o que dá ao transtorno um 'aspecto secreto'.

A compulsão de compras é mais freqüente entre as mulheres e seu início tende a ocorrer na juventude, por volta de 18 anos, idade em que os pais costumam presentear a maioridade dos filhos com a liberação de talões de cheques ou cartões de crédito, muitas vezes de forma inadvertida. Maquiagem, jóias, roupas, bolsas, sapatos e perfumes são os objetos mais comprados. A compulsão de compras é mais comum nas mulheres por questões sociais e biológicas (hormonais) é o que dizem os estudos até hoje, mas o motivo certo e preciso é desconhecido.

Não podemos negar a forte influência que nossa cultura consumista exerce sobre esse transtorno. No entanto, também é inegável o componente afetivo representado pelo vazio interno que os compradores compulsivos vivenciam nas profundezas de seu ser. Comprar coisas materiais para preencher esse vazio é tão inútil quanto 'secar gelo'. É preciso despertar nossa essência, nossos verdadeiros talentos e nossas reais potencialidades, deixando o ser real tomar posse desse território vazio onde o ter jamais consegue morada.

Dicas para lidar com a compulsão na hora de comprar

- Saia de casa com apenas o dinheiro mínimo necessário
- Não saia com talão de cheque. Carregue na bolsa apenas uma ou duas folhas do talão
- Não leve o cartão de crédito ou de débito
- Se possível, nem tenha cartão de crédito
- Faça mentalmente o caminho que irá percorrer até o local que você deseja. Isto é essencial para que não se desvie ou passe por lojas conhecidas e por vitrines (tentadoras)
- Se estiver se sentindo muito entusiasmado ou contente, evite olhar anúncios ou passar por lojas
- O mesmo vale para quando estiver se sentindo muito triste ou frustrado
- Se tiver algum excedente em dinheiro, invista em aplicações que penalizem com alguma perda caso retire o dinheiro antes do tempo contratado.


Textos Copiados  dos sites :
http://www.usp.br/espacoaberto/arquivo/2001/espaco07abr/editorias/comportamento.htm
http://www2.uol.com.br/vyaestelar/compra_compulsiva.htm




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"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma... Todo o universo conspira a seu favor!" - Goethe "Sou sempre eu mesma,mas com certeza não serei a mesma para sempre!" Clarice Lispector

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